Litoral do Paraná já teve mais de 2400 ocorrências com águas-vivas e caravelas na temporada


Por Gabriela Perecin

O Litoral do Paraná teve 2.475 ocorrências envolvendo águas-vivas e caravelas na temporada de verão, entre os dias 19 de dezembro a 1º de fevereiro. Os dados são do Corpo de Bombeiros do Paraná, que indicaram que os números estão consideravelmente menores do que na temporada passada.

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Nas praias, a orientação é seguir sempre as recomendações dos guarda-vidas. Foto: Edilson Tadeu Giordano / Prefeitura de Matinhos

Entre 20 de dezembro de 2024 a 2 de fevereiro de 2025, o Corpo de Bombeiros registrou 17.643 casos de acidentes com águas-vivas e caravelas. “Os volumes desse ano são o normal, o do ano passado que estava fora do esperado”, informou os Bombeiros. Ainda que com números mais baixos, as autoridades ressaltam o cuidado para evitar ocorrências com esses e outros animais comuns no verão.

A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) reforçou a importância dos cuidados principalmente nas regiões que registram temperaturas mais elevadas. No Norte do Estado, a atenção é para o aumento dos ataques das picadas por escorpião. Já no Litoral, o cuidado é com os animais peçonhentos marinhos.

“As águas vivas e as caravelas muitas vezes atacam os banhistas na água das praias. Isso pode ocorrer e eu quero também fazer um alerta neste sentido. Não adianta jogar terra, pó de café. Existem até crenças antigas que falavam sobre a necessidade de usar urina nesses ferimentos. Nada disso surte efeito. O que surte efeito imediato é a utilização de vinagre”, disse o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

Nestes casos, o mais indicado pelas autoridades é procurar por um serviço de saúde para que as medidas sejam adotadas de forma imediata. O alerta da Sesa também vai para as picadas de aranhas e abelhas, que podem causar uma reação alérgica necessitando da abordagem hospitalar.

Acidentes comuns no verão

O biólogo Caio Fernandes lembra que os acidentes aumentam no verão e, no Litoral, é comum também o registro de acidentes com serpentes, aranhas e lagartas urticantes.

No mar, águas-vivas, caravelas-portuguesas, arraias, ouriços-do-mar e peixes peçonhentos são responsáveis pela maior parte das ocorrências. “As águas-vivas e caravelas-portuguesas provocam queimaduras e dor intensa; arraias causam ferimentos profundos e altamente dolorosos por pisoteio; ouriços-do-mar podem gerar inflamações persistentes; e peixes peçonhentos, como bagres, causam dor intensa e risco de infecção”, explicou Caio.

Águas-vivas e caravelas-portuguesas provocam queimaduras e dor intensa. Foto: Venilton Kuchler/Arquivo Sesa

Segundo ele, a presença de animais peçonhentos é um indicativo de equilíbrio ambiental, por isso a informação e educação ambiental são essenciais para reduzir acidentes sem promover a perseguição ou eliminação desses animais. “Preservar a natureza e proteger vidas humanas não são objetivos opostos. Quando a população entende o papel desses animais e sabe como agir, todos saem ganhando”, disse Caio.

Principais espécies no Litoral do Paraná.

O biólogo destacou as principais espécies que oferecem risco no Litoral do Paraná. No ambiente terrestre, a região registra a presença de: serpentes (principalmente jararacas), aranhas (aranha-marrom e armadeira) e lagartas urticantes.

Como medida de prevenção nestes casos, está a utilização de calçados fechados em trilhas; manter residências sem acúmulo de lixo ou restos orgânicos; vedar ralos, portas e janelas; e sacudir roupas e calçados antes do uso. Em caso de acidente, procurar imediatamente uma unidade de saúde.

“O soro antiveneno é disponibilizado gratuitamente pelo SUS no Hospital Regional do Litoral e deve ser aplicado o mais rápido possível”, afirmou Caio.

Como prevenção no ambiente marinho, o biólogo falou sobre a importância de seguir as orientações dos guarda-vidas, evitar o contato com animais, ainda que parecerem estar mortos, e adotar técnicas preventivas, como arrastar os pés ao caminhar em águas rasas para evitar acidentes com arraias.

Aranhas também são comuns na região do Litoral do Paraná. Foto: Juliana Cequinel/Sesa

“O uso de práticas caseiras, como torniquetes, cortes ou substâncias improvisadas, pode agravar o quadro clínico. A única conduta segura é buscar atendimento especializado”, disse o biólogo.

Os banhistas devem estar atentos sobre avisos e orientações dos guarda-vidas, evitar o banho de mar quando houver registro de águas-vivas ou caravelas, usar calçados aquáticos em áreas rochosas e nunca tocar em animais marinhos, mesmo mortos.

Em caso de acidente, a orientação é sair da água imediatamente e procurar atendimento médico, especialmente em casos de dor intensa, crianças, idosos ou pessoas alérgicas.

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