Sabe aquele meme em que uma senhorinha pergunta “Tá chovendo aí?”, e ela mesma responde “Aqui tá chovendo!”? Pois é, essa foi a realidade do Litoral em mais da metade dos dias de 2025. Até 20 de novembro, quando restavam 42 dias para o ano terminar, Paranaguá somava o registro de precipitação em 168 dias, o que representa 52%. Em Antonina, choveu em 181 dias dos 323 decorridos, o equivalente a 56%; e Guaraqueçaba foi a cidade onde mais se registrou a presença de chuva, em 59% dos dias (191), até a última quinta-feira (20).

Os dados são do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), que realizou o levantamento a pedido do JB Litoral. A entidade ressalta, no entanto, que não significa que 2025 foi o ano com o maior volume de chuvas, e sim que nesses dias houve algum tipo de precipitação, que vai desde uma garoa com pequeno volume, até os dias em o acumulado ultrapassou os 100 milímetros, por exemplo.
O Simepar possui estações meteorológicas nas cidades de Antonina, Guaraqueçaba, Guaratuba e Paranaguá, mas não foi possível acessar os dados de todos os dias, com precisão, na de Guaratuba, uma vez o pluviômetro apresentou problemas e passou por manutenção, segundo a entidade. Há ainda uma estação em Morretes, a Marumbi Base. Trata-se da primeira estação meteorológica em área de montanha no Paraná. Ela monitora o clima local para auxiliar na prevenção de desastres, mas como começou a operar apenas em maio, também não entra no levantamento solicitado pela reportagem.
Por que tantos dias molhados?
Fato é que o guarda-chuva tem sido companheiro constante dos moradores do Litoral, a começar pelo mês de janeiro, em que choveu quase todos os dias: 24 em Paranaguá, 27 em Antonina e 25 em Guaraqueçaba. Além disso, houve chuva em metade ou mais da metade do mês, nas três cidades, em março, abril, junho, setembro e outubro. Com destaque para este último, tradicionalmente o mais chuvoso do ano, aí sim, não apenas em presença de precipitação, mas também em volume.
Segundo o Simepar, apesar de não ser uma surpresa o alto índice de chuvas em outubro, esta tem sido uma primavera mais “molhada” e fria. As temperaturas médias do mês ficaram até 2°C abaixo da média histórica no Estado.
Paranaguá está entre as cidades que atingiram a média histórica de acumulado de chuva para o mês, 11 dias antes dele acabar. Um dos fatores que influenciou a situação da chuva no 10º mês do ano foram vários sistemas meteorológicos de média escala, ou seja, tempestades que duram poucas horas, causando muitos transtornos para a população, que são características da primavera.
“Houve também a passagem de algumas frentes frias pelo oceano Atlântico, que favoreceram transporte de umidade, contribuindo para a intensificação desses sistemas de tempo severo”, explicou Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar.
“Outro fenômeno que atuou ao longo do mês foi a oscilação Antártica, que quando está na sua fase negativa favorece com que os sistemas frontais sejam mais frequentes sobre o Sul do País”, completou Kneib.
Com o alto volume de precipitação, as estações meteorológicas do litoral registraram índices acima da média histórica para o mês de outubro:
Estação / média histórica / quanto choveu
Antonina / 224,8 mm / 315,8 mm
Guaratuba / 220 mm / 309,8 mm
Paranaguá / 140,6 mm / 180,6 mm
Guaraqueçaba / 214,5 mm / 235,4 mm