Ainda faltava uma semana para o fim de janeiro quando o JB Litoral conversou com o secretário de Saúde de Matinhos, José Carlos Cordeiro dos Santos Jr. Para não interromper a rotina da pasta, a entrevista foi realizada na própria Secretaria Municipal da Saúde, na última sexta-feira (23). Os números apresentados refletem o ritmo acelerado dos trabalhos: segundo José Carlos, entre 1º e 23 de janeiro, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município realizou 10.191 atendimentos.
“Em todo o ano passado, foram 124.997 atendimentos. Em relação às consultas com especialistas, foram 300 neste mesmo período [de 1 a 23 de janeiro]. A expectativa para este ano é superar 8 mil consultas geradas no ano passado”, revelou o secretário.

Equipe Robusta
Sobre os casos de virose, o responsável pela saúde de Matinhos garantiu que estão dentro da normalidade. “Temos cerca de 500 casos, não é considerado um surto porque está dentro do controle. Comparado ao ano passado, é um cenário bem mais tranquilo”, garantiu.
Na linha de frente, para atender aos casos mais urgentes, a estrutura foi reforçada na UPA. Cada turno conta com 10 médicos: oito no corredor, um na emergência e um na observação. “Toda a parte de medicação e insumos, assim como o corpo de enfermagem, estão completos. Então, estamos bem-preparados para atender à demanda extra de visitantes e manter a qualidade para a nossa população”, reforçou José Carlos.
Para custear o reforço na estrutura e de pessoal na temporada de verão, a Prefeitura de Matinhos recebeu R$ 1,9 milhão do Governo do Estado. Os recursos são direcionados aos plantões de profissionais da saúde, insumos e medicamentos. A verba também foi usada para ampliar, provisoriamente, a estrutura física, com a instalação das tendas que servem como consultórios, em frente à UPA.
Sobre os atendimentos mais recorrentes neste início de ano, o secretário afirma que são os típicos da temporada: afogamentos, intoxicações alimentares, acidentes domésticos com churrasqueiras, por exemplo, incidentes com águas-vivas, conjuntivite e virose.
Tratamento fora do domicílio
Para os pacientes que precisam sair de Matinhos para consultas ou tratamentos fora da cidade, o Município tem um programa que garante o transporte e, caso necessário, a estadia em casas de apoio. Para municípios fora do Litoral, o paciente também recebe a diária para custear a alimentação, no valor de R$ 42.
“São consultas com especialistas e tratamentos como hemodiálise ou quimioterapia, em que os nossos pacientes precisam se deslocar até hospitais como o Angelina Caron (Campina Grande do Sul), Rocio (Campo Largo), Hospital de Clínicas (Curitiba). Como conseguimos estruturar melhor a questão do transporte, pudemos dar mais andamento às consultas”, disse o secretário de Saúde.
“Para este ano, conseguimos bastante recurso para ampliar o transporte de pacientes, na ordem de R$ 3,5 milhões, para comprar ônibus e van. Então, a licitação está em andamento para a compra desses veículos. Tendo mais vaga no transporte, vamos poder liberar mais consultas e exames fora do domicílio”, completou José Carlos.
Menos despesas, mais qualidade
Uma mudança implementada pela atual gestão gerou economia aos cofres públicos e diversificou o atendimento aos pacientes que precisam ficar por mais de um dia fora de Matinhos. Antes, existia uma Casa de Apoio alugada, em que eram terceirizados os serviços de segurança, zeladoria e limpeza.
Segundo a Prefeitura, os custos chegavam a R$ 29 mil por mês para manter a estrutura em Curitiba. Agora, a Administração Municipal credenciou casas que já ofertam o serviço e pagam por paciente que precisa utilizá-lo. “Credenciamos três casas e agora o custo diminuiu bastante. Então, teve mês que pagamos R$ 4.700,00, por exemplo, porque depende da demanda”, explicou Meire Carlos, chefe de atenção secundária de saúde, que também conversou com o JB Litoral.
Meire é a responsável pelo Setor de Regulação de Consultas, a nova nomenclatura que substituiu o Tratamento Fora do Domicílio (TFD).
“Conseguimos essa economia porque não pagamos mais o serviço em geral, pagamos por paciente. Nessa diária estão inclusos o transporte, ida e volta. Eles levam no hospital e depois buscam para dormir, além de quatro refeições no dia e pouso. Como pagamos por paciente, tem dias que não tem nenhum, tem dias que tem dois, três, quatro… depende da demanda”, detalhou Meire.
Tudo começa na UBS
No entanto, a chefe de atenção secundária de saúde ressalta que para se chegar aos tratamentos e consultas fora de Matinhos, o atendimento inicial sempre passa primeiro pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
“O primeiro passo é procurar uma UBS, pois tem muitas opções de tratamento aqui mesmo em Matinhos. Só os casos em que não há o fornecimento dos exames, consultas e tratamentos na rede municipal é que são encaminhados ao setor de regulação. Quando o paciente chega na regulação, entra em uma fila e, assim que libera a vaga, entramos em contato”, finaliza Meire.
O setor conta com duas vans e um micro-ônibus que, juntos, transportam uma média de 100 pacientes por dia.