O dia 17 de abril ficará marcado para sempre na vida da família do supervisor de logística Marcos Evangelista de Abreu, 46 anos, que morreu ao ter o carro em que viajava com a esposa e os filhos do casal, de 6 e 12 anos de idade, atingido por uma árvore cortada ilegalmente, às margens da BR-277, na altura do km 45, em Morretes.

Na última sexta-feira (16), véspera de completar um mês em que tudo aconteceu, o Ministério Público do Paraná denunciou por homicídio qualificado e três tentativas de homicídio quatro pessoas investigadas como responsáveis pelo corte da árvore. Três são funcionários da empresa contratada para a derrubada da árvore de grande porte – foram eles que manusearam a motosserra, a corrente e o trator utilizados no corte. O quarto denunciado fez a contratação do serviço.
“Os acusados foram denunciados pela prática de homicídio qualificado e três tentativas de homicídio qualificado. A qualificadora se deu em razão do motivo torpe, à medida que consta que os acusados praticaram a conduta objetivando o lucro, em detrimento do planejamento técnico e da segurança da operação“, disse o promotor de Justiça de Morretes, Silvio Rodrigues dos Santos Junior.
Além da condenação pelos crimes, a Promotoria de Justiça requer que seja fixada aos acusados a obrigação de pagamento de indenização aos familiares das vítimas.
INVESTIGAÇÕES
A denúncia à Justiça aconteceu quatro dias depois da Polícia Civil encerrar o inquérito que investigou o caso, na segunda-feira (12).
“Durante as investigações, apuramos que a queda da árvore foi intencional, provocada por ação humana”, destacou o delegado da Polícia Civil responsável pela delegacia de Morretes, André Silva. Segundo ele, o local estava sendo utilizado para corte de árvores de pinus, especificamente no km 45 da rodovia.
Com a conclusão do inquérito, quatro pessoas foram indiciadas por homicídio doloso, com base no dolo eventual, quando se assume o risco de produzir o resultado.
“Os envolvidos tinham plena consciência dos riscos ao cortar uma árvore de grande porte, com mais de 30 metros de altura, tão próxima à pista”, ressaltou.
Ainda de acordo com o delegado, nenhuma medida de segurança foi tomada.
“A via não foi bloqueada, não houve comunicação com as autoridades competentes, tampouco o uso de equipamentos adequados. A corrente usada se rompeu no momento do corte, o que contribuiu diretamente para a queda na direção da rodovia. Houve uma clara minimização de custos e um desprezo pelas normas básicas de segurança, assumindo-se assim o risco concreto de causar um desfecho trágico”, concluiu André Silva.
Quando teve o carro atingido, a vítima seguia em um comboio de três veículos em direção à Guaratuba, onde famílias amigas passariam o feriado de Páscoa e Tiradentes.