Ela é considerada uma obra histórica para o Litoral do Paraná e deve ser entregue no próximo mês. A requalificação dos molhes no balneário de Pontal do Sul, em Pontal do Paraná, chegou a 92% de execução total na última semana e entra na etapa final, integrando as comemorações dos 30 anos da cidade.

Segunda a Prefeitura, a etapa de aplicação das pedras foi 100% concluída, com 40.399,49 m³ de material, o equivalente a 60.599,235 toneladas, transportadas por 2.395 caminhões.
A intervenção foi licitada e executada pela Prefeitura de Pontal do Paraná com recursos do Governo do Estado e contrapartida municipal, totalizando mais de R$ 10 milhões (R$ 9,9 milhões do Estado e R$ 496 mil do Município). A fiscalização é compartilhada entre Prefeitura e Estado.
O projeto inclui, ainda, a instalação de sinalização náutica e a construção de uma passarela de 150 metros sobre o molhe, criando um novo espaço de lazer e contemplação à beira-mar. “Estamos concluindo uma obra histórica para Pontal do Paraná. Ela vai trazer mais segurança à navegação e criar um novo ponto turístico para nossa cidade”, destacou o prefeito de Pontal do Paraná, Rudão Gimenes (MDB).
Visita técnica
Na terça-feira (11) foi realizada uma visita técnica pelo Instituto Água e Terra (IAT) e autoridades municipais nos molhes para acompanhar a evolução do projeto. Durante a visita, o grupo percorreu o canteiro de obras, avaliou as etapas finalizadas e discutiu os próximos ajustes do cronograma, de acordo com a Administração Municipal.
O avanço das obras reflete em ganhos ambientais e produtivos, como explicou o secretário municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca, Jackson Cesar Bassfeld. “A contenção do assoreamento e a melhoria do canal de navegação trazem mais segurança às atividades pesqueiras e favorecem o equilíbrio do ecossistema marinho. Nosso papel é acompanhar cada etapa, garantindo que o progresso caminhe junto com a preservação e o uso sustentável dos recursos naturais”, afirmou Bassfeld.
Por que requalificar os molhes?
O projeto é apontado como fundamental para conter o assoreamento do canal, garantir mais segurança à navegação e melhorar o acesso à Ilha do Mel, fortalecendo o turismo e o transporte na região. A estrutura marítima também busca solucionar problemas ambientais na região, onde o canal artificial do Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) encontra a baía de Paranaguá.
“Esse acesso do canal é em uma área de areia, em uma praia que é dinâmica. Portanto, esses molhes servem para fixar a barra e evitar que fique migrando de um lado para outro, que é uma característica de um corpo d’água que sai em uma praia arenosa. Isso facilita a entrada e a saída de embarcações no canal, no acesso de embarque para a Ilha do Mel. Então, ele fixa e permite o calado na área da desembocadura para a baía de Paranaguá”, explicou o professor-titular e oceanógrafo do Centro de Estudos do Mar (CEM) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mauricio Almeida Noernberg.
O especialista também detalhou, em conversa com o JB Litoral, que os estudos para a construção dos molhes envolvem pesquisas sobre a hidrodinâmica da região, com medidas de correntes e de marés, para avaliar como as estruturas vão interferir no padrão de circulação e, consequentemente, no transporte de sedimento, um dos principais impactos da obra.
“Por ser uma estrutura rígida, vai bloquear a passagem de areia de um lado para outro. Por isso que o molhe causa acúmulo de areia de um lado e causa erosão de outro”, disse o professor que também é mestre em sensoriamento remoto e doutor em Geologia Ambiental.
Mauricio destacou, ainda, que há várias alternativas para solucionar o problema da erosão, mas, muitas vezes, os molhes são as mais apropriadas. O fundamental é conhecer exatamente como funciona o ambiente para poder prever qual o impacto que uma intervenção vai causar. “O que a gente tem falhado bastante é em conhecer o funcionamento dos ambientes que são, por natureza, muito dinâmicos e complexos”, completou o professor.
Balneabilidade
Durante a temporada de verão, o Governo do Estado divulga boletins de balneabilidade, periodicamente, e revela os pontos próprios para banho no Litoral, o que pode ter relação com os molhes. “A balneabilidade está relacionada com as propriedades que chegam na água que não fazem bem para a gente”, disse Mauricio.
Segundo ele, os molhes terão pouca atuação na melhora da balneabilidade, neste caso, já que a água do canal DNOS chegará na praia com ou sem as estruturas. A não ser que os molhes fossem muito extensos e não permitissem que essa água chegasse na praia, o que não é o caso de acordo com o professor.
Construída na década de 1970, a antiga estrutura em Pontal do Paraná foi pensada apenas para viabilizar o tráfego marítimo, especialmente de embarcações que transitam entre o terminal de Pontal do Sul e a Ilha do Mel. Com a requalificação, o esperado é que a faixa de areia das praias do município não sejam tomadas pela água no futuro, garantindo a estabilidade ecológica do município, como divulgou o Governo do Estado.
A obra de construção dos molhes pode ser acompanhada ao vivo pelo site https://rtsp.me/embed/y5h4Dsrh/.