O JB Litoral conversou com Marcos Caldeira, pai do jovem Abrahão Philipe, de 18 anos, que denuncia ter sido agredido por um técnico de enfermagem dentro do Hospital Regional do Litoral (HRL), em Paranaguá. Abrahão estava internado após ser atropelado no início de maio, ao descer do ônibus na PR-412, em Matinhos, voltando da faculdade.

Segundo o pai, o rapaz sofreu o acidente logo após sair da aula no curso de Educação Física, da Universidade Federal do Paraná, Setor Litoral. Ele foi atingido por uma motocicleta e socorrido em estado grave. “Meu filho teve parada cardíaca dentro da ambulância. Foi entubado e passou dias na UTI. Nós confiamos que ele seria bem cuidado, e aí vem essa notícia…”, desabafa Marcos.
Durante a internação, Abrahão ficou alguns dias sem acompanhante. A mãe precisou se ausentar para cuidar dos outros filhos pequenos. Foi nesse período que, segundo a família, o jovem sofreu agressões físicas por parte de um técnico de enfermagem. Como estava sem voz por conta da entubação, ele se comunicava com os pais por mensagens escritas no celular.
Na conversa com o JB, Marcos relatou que o filho contou ter sido amarrado com força no leito, levado tapas no rosto e ter os dedos torcidos. “Meu filho falou que rezava para a mãe dele chegar logo. Ele sentia prazer quando vinha alguém aplicar uma injeção, porque era o único momento em que era desamarrado”, contou o pai.
No Boletim de Ocorrência, a mãe do jovem contou que uma testemunha, que também estava na enfermaria, confirmou ter visto as agressões. Segundo ela, o técnico amarrou o jovem com violência, a ponto de estalar a faixa. A vítima chorava muito. Outro funcionário, um fisioterapeuta, relatou ter encontrado Abrahão com os braços e pés inchados por falta de circulação, e precisou cortar as faixas.
O caso foi registrado e agora é investigado pela Polícia Civil. O técnico suspeito seria funcionário de uma empresa terceirizada que presta serviços ao hospital. A família afirma que não conhece o profissional e que ele desapareceu do hospital após a denúncia.
Ainda muito abalado, Marcos desabafa:
“Eu fico o tempo todo pensando no que ele passou. Era para estarem cuidando dele, não torturando. Ele confiava nessas pessoas.”
Sem condições de voltar a trabalhar, a mãe do jovem permanece em tempo integral com o filho em casa. Professores da UFPR Litoral, onde ele estuda, organizaram uma campanha para arrecadar recursos e ajudar a família com custos de transporte, alimentação e sessões de fisioterapia.
“Agora ele tem medo de ficar sozinho. Além do trauma do acidente, meu filho tem trauma das pessoas que deveriam cuidar dele”, finaliza o pai.
O que diz a Secretaria de Estado da Saúde
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) emitiu uma nota sobre o caso. Leia na íntegra:
“A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informa que repudia qualquer ato de desrespeito ou conduta inadequada no atendimento a pacientes. É válido ressaltar que o caso está sendo investigado pelos órgãos competentes. Além disso, o Hospital também está instaurando uma sindicância interna para apurar os fatos e adotar as medidas cabíveis. A unidade está colaborando integralmente com as autoridades responsáveis e reforça seu compromisso com a ética, o respeito e a humanização no atendimento à população.”
“A Sesa esclarece ainda que o profissional citado na ocorrência não integra o quadro de servidores do Estado, sendo funcionário de uma empresa terceirizada que presta serviços à unidade hospitalar. Um processo para seu afastamento já está sendo realizado.”
Como ajudar:
Para apoiar a família com os custos diários do tratamento e acompanhamento de Abrahão, qualquer contribuição financeira é bem-vinda. As doações podem ser feitas diretamente para a conta da mãe do jovem: Chave Pix: 058.730.429-42 – Nome: Alana Karine Soares Santos