Paranaguá amplia investimentos na saúde com novas UBS, AME e pronto atendimento


Por Gabriela Perecin

Por lei, os municípios brasileiros são obrigados a destinar, no mínimo, 15% de seus recursos à saúde. Embora esse seja o percentual previsto na legislação (Lei Complementar nº 141/2012), algumas cidades conseguem aplicar valores superiores em ações e serviços para a população. De acordo com dados do Governo Federal, Paranaguá investiu 16,71% no último bimestre de 2025.

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Secretário municipal de Saúde de Paranaguá afirmou ter ido buscar os recursos no Estado. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

O valor representa R$ 89,01 investidos por morador. Em comparação com municípios de mesmo porte no Paraná, Paranaguá ocupa a 3ª colocação em investimento por pessoa, ficando atrás apenas de Araucária (R$ 146,19) e Toledo (R$ 128,66). Na 4ª colocação está Fazenda Rio Grande, com R$ 68,54 investidos por morador.

O JB Litoral também questionou a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) sobre o valor investido por cidadão, mas a pasta informou que o relatório anual de investimentos em saúde referente a 2025, no Paraná, ainda está em fase de consolidação.

Município buscou recursos junto ao Estado

A estatística divulgada pelo Governo Federal é acompanhada pela Secretaria Municipal de Saúde de Paranaguá, que recebeu a equipe do JB Litoral para detalhar os investimentos previstos pela Sesa, que não são poucos, além dos avanços registrados na área.

O secretário de Saúde de Paranaguá, Daniel Fangueiro, explicou que foi atrás de recursos junto a Sesa para novas estruturas de atendimento. O Estado garantiu novas Unidades Básicas de Saúde (UBS) para a cidade, além de um Pronto Atendimento na região Sul, um Ambulatório Médico de Especialidades (AME) e um Centro de Reabilitação. Junto a isso, também estão previstos aportes a nível municipal e federal.

Novas UBSs para evitar superlotação

Uma das unidades de saúde está prevista para a antiga Baduca, ao lado da UPA, em Paranaguá. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

Quatro novas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) porte 3 foram garantidas pelo Governo do Estado, algo apontado pelo secretário como inédito em Paranaguá. As unidades devem ser instaladas em bairros que carecem do serviço, como Costeira, na antiga Baduca, no Jardim Araçá e na Vila Garcia.

Além dessas, estão previstas uma unidade na Ilha dos Valadares e outra na Vila do Povo, esta última com recursos federais.

“Nós sabemos que essa cobertura de equipes da atenção primária não é suficiente. Terá que ser organizada de forma gradual, porque não adianta abrir uma unidade básica e não ter um corpo clínico para trabalhar. A unidade da Serraria do Rocha está em reforma e, com isso, a do Leblon fica superlotada”, afirmou Fangueiro.

A unidade do Santos Dumont tem capacidade total de atender 9 mil pessoas e tem recebido cerca de 18 mil.

Na Ilha do Mel, a unidade de Nova Brasília deve ser entregue ainda este ano, com recursos próprios do município. Além disso, a cidade busca regularização fundiária junto à Secretaria do Patrimônio da União (SPU) para permitir novos investimentos em unidades de saúde nas ilhas.

AME deve reduzir encaminhamentos para Curitiba

Outro anúncio importante é a implantação do Ambulatório Médico de Especialidades (AME), com investimento aproximado de R$ 9 milhões pelo Governo do Estado.

A estrutura deverá ampliar a oferta de consultas especializadas no próprio município, reduzindo o número de pacientes que precisam se deslocar até Curitiba. Atualmente, há carência de especialistas na rede municipal, como oftalmologistas e dermatologistas, o que gera demanda reprimida, conforme explicou o secretário municipal de Saúde.

Casos de maior complexidade continuarão sendo encaminhados ao Hospital Regional do Litoral ou à capital, mas a expectativa é de que consultas consideradas de média complexidade passem a ser resolvidas em Paranaguá.

Pronto Atendimento na região Sul

Unidade do Jardim Araçá também deve ser reconstruída com recursos do Estado. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

A região sul da cidade também deve receber um Pronto Atendimento Médico (PAM), em modelo semelhante ao da unidade de Saúde Rodrigo Gomes, inaugurado recentemente na Ilha dos Valadares, com estrutura comparada a uma UPA de porte reduzido. A obra deve ter cerca de 5 mil metros quadrados para atender o crescimento urbano da região.

“Hoje nós estamos com um tempo médio de espera de 42 minutos, aproximadamente, na UPA. Com essas três estruturas funcionando de forma conjunta, creio que a possibilidade de melhora é grande, porque teremos o serviço na zona Sul, meio que blindando e filtrando o movimento que viria para UPA central. Além da unidade Rodrigo Gomes para atender a população de mais de 38 mil moradores da Ilha dos Valadares”, acrescentou Fangueiro.

De acordo com ele, o município já possui recursos garantidos e trabalha na definição e regularização do terreno para dar andamento. “Temos um terreno muito legal em vista na região Sul da cidade. Será uma área grande, o projeto vem pronto pela Sesa, então, é muito rápido executar a obra”, afirmou Fangueiro.

Entre as novidades está também a criação de um Centro de Reabilitação, voltado para fisioterapia e recuperação de pacientes pós-cirúrgicos ou com limitações motoras.

A fisioterapia é apontada como uma das áreas com maior demanda reprimida na rede municipal. O novo centro deve ampliar a capacidade de atendimento e melhorar a eficiência dos serviços.

Saúde mental

A saúde mental é uma das áreas que mais demandam atendimento em Paranaguá. Para enfrentar o problema, a Secretaria de Saúde anunciou a realização de um Processo Seletivo Simplificado (PSS) para a contratação de novos psiquiatras ainda este ano. Além disso, o município pretende adotar o credenciamento de profissionais para ampliar a rede de atendimento.

A gestão também trabalha na estruturação do CAPS Infantojuvenil (CAPS IJ), que está em construção ao lado da Unidade de Saúde “Ezequiel Luiz Dias do Nascimento”, no bairro Leblon, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal.

A expectativa, de acordo com o secretário, é que com o reforço na equipe multiprofissional – que inclui psicólogos, terapeutas ocupacionais e outros especialistas – o município consiga reduzir a fila de espera e ampliar o acesso ao atendimento em saúde mental.

“Vamos fazer um PSS de psiquiatra, porque o psiquiatra é o pilar dessa estrutura.  A minha intenção é deixar um psiquiatra quase que exclusivo para atender crianças que são vítimas de violência, além da Secretaria de Inclusão, e outros para atender o CAPS e o CAPS IJ”, declarou Fangueiro.

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