A temporada do pinhão começa mais tarde neste ano no Paraná. Liberada a partir desta quarta-feira (15), a safra chega com novas regras e fiscalização reforçada em todo o Estado. A colheita, transporte, comercialização e armazenamento do pinhão estão autorizados conforme determinação do Instituto Água e Terra (IAT). A medida vale tanto para o consumo humano quanto para uso em sementeiras.

Até o ano passado, a atividade era permitida já a partir de 1º de abril. Agora, o adiamento busca garantir a exploração sustentável da semente, proteger o ciclo reprodutivo da araucária e equilibrar a geração de renda com a preservação ambiental.
De acordo com o chefe da Divisão de Licenciamento de Fauna e Flora do IAT, José Wilson de Carvalho, a mudança também tem impacto direto na saúde dos consumidores.
“Já observamos casos de pessoas coletando pinhas que ainda estão verdes, com casca esbranquiçada e alto teor de umidade. Essa prática é proibida, já que nesse estado elas são impróprias para o consumo, podendo favorecer a presença de fungos”, explica. “Indicamos sempre à população a compra de pinhas que já estão com um aspecto mais marrom-avermelhado, aquelas que caem naturalmente das árvores”.
A nova regra está prevista na Instrução Normativa nº 03/2026, que passa a ser o principal instrumento de controle da atividade no Estado. A norma substitui regras anteriores e alinha a legislação estadual às diretrizes federais, reforçando a proteção da araucária, espécie símbolo do Paraná e integrante do bioma Mata Atlântica.
Quem descumprir a norma está sujeito a multa de R$ 300 a cada 50 quilos apreendidos, ou fração equivalente, além de responder por crime ambiental. A fiscalização será realizada por agentes do IAT, com apoio do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA), ao longo de toda a temporada.
Denúncias podem ser feitas à Ouvidoria do IAT, pelos telefones (41) 3213-3466, (41) 3213-3873 e 0800-643-0304, além do contato da Polícia Ambiental pelo número (41) 3299-1350.
Impacto econômico
Além da importância ambiental, o pinhão também representa uma fonte relevante de renda para milhares de famílias paranaenses. Em 2024, a cadeia produtiva movimentou cerca de R$ 25,7 milhões, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral).
Entre os municípios com maior participação na produção estão Pinhão, Inácio Martins, Turvo, Guarapuava e Prudentópolis, que concentram boa parte da atividade no Estado.