Pioneira em Acolhimento Familiar, experiência de Paranaguá é destaque em simpósio internacional


Por Flávia Barros

Acolher crianças cuja estrutura familiar não está saudável para proporcionar um desenvolvimento adequado e, ao mesmo tempo, trabalhar para que esses lares sejam reestruturados e os laços restaurados entre pais e filhos, de forma digna para todos. Esse é o objetivo do Serviço Família Acolhedora, da secretaria municipal de Assistência Social de Paranaguá (Semas). Técnicas da equipe participaram, de 20 a 23 de março, do 4º Seminário Internacional de Acolhimento Familiar, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Campinas (SP).

DESTAQUE

Foram 105 trabalhos acadêmicos inscritos, de todas as regiões do país e também de outras nações, como França, Espanha, Portugal e Estados Unidos. O projeto de Paranaguá se destacou entre eles, com o caso de acolhimento de um grupo de irmãos, em Família Acolhedora. Criado em 2018, o programa já acolheu 34 crianças, das quais 25 foram reinseridas em suas famílias de origem e nove adotadas. Atualmente, 15 crianças estão acolhidas por famílias cadastradas. Participaram do simpósio a secretária de Assistência Social, Ana Paula Falanga, a coordenadora do programa, Jucelma Lima e a psicóloga Lori Nunes Pereira.

Em conversa com o JB Litoral, nesta terça-feira (28), a coordenadora explicou que acolhimento familiar é preferencial ao acolhimento institucional (em que as crianças ficam em instituições e não com famílias).

É comprovado, cientificamente, que uma criança acolhida em família acolhedora tem um desenvolvimento muito perto do normal, se comparado a uma institucionalizada. Porque ela vai ter um atendimento individual, aprender o que é conviver em família, o tratamento igual os demais componentes desse sistema familiar, e isso gera confiança, segurança e carinho. Então, essa criança é trabalhada em sua totalidade e se sente inserida, incluída, isso é muito positivo às crianças“, disse Jucelma Lima.

Para nós, foi motivo de muito orgulho poder falar que temos o serviço de acolhimento familiar, que é possível graças ao apoio da gestão, poder dizer que somos pioneiros e que nos destacamos nesse serviço. Mas, apenas 5% das crianças acolhidas estão em acolhimento familiar, então precisamos ampliar essa oferta“, complementou Jucelma.

COMO FUNCIONA

Para ser uma família acolhedora é preciso ter residência fixa no município de Paranaguá por, no mínimo, cinco anos; não ter interesse em adotar e não ter antecedentes criminais. No processo de seleção dessas famílias voluntárias, são apresentados os documentos pessoais (RG e CPF) e comprovante de residência. Depois disso, as famílias participam de treinamentos.

A família acolhedora não adota, ela acolhe temporariamente as crianças enquanto elas estiverem em situação de vulnerabilidade social e com uma medida de proteção. Todas as crianças acolhidas têm uma medida de proteção e são encaminhadas para nós pela Vara da Infância e o Ministério Público. Temos a nossa Lei Municipal que que regulamenta o serviço, onde está bem claro que as famílias acolhedoras não podem querer adotar e nem estar na fila de adoção“, detalhou a coordenadora do serviço.

Então, o papel da família acolhedora é proteger as crianças no período em que elas precisam ficar afastadas de suas famílias de origem. O tempo de de acolhimento pode variar entre 30 dias e dois anos. Cada família acolhedora recebe um subsídio para que as necessidades das crianças sejam supridas.

A REINSERÇÃO

Jucelma Lima destacou, ainda, que enquanto a criança acolhida é protegida e cuidada dentro de um contexto familiar, a equipe técnica também atua para fazer com que os vínculos, os laços afetivos entre as crianças e suas famílias de origem, sejam restaurados. “Só assim podemos devolver essas crianças para suas famílias. Adoção é o último caso, é a última instância quando, realmente, todos os recursos foram esgotados. Nós nos sentimos muito exitosos porque de 34 crianças, 25 nós conseguimos reintegrar“, concluiu.

Equipe do programa Família Acolhedora foi recebida e parabenizada pelo prefeito Marcelo Roque. Foto: Prefeitura de Paranaguá

O prefeito Marcelo Roque recebeu a equipe essa semana, já de volta a Paranaguá, após o simpósio.
Nossa cidade foi muito elogiada pelo programa Família Acolhedora, sendo pioneira no Litoral e desenvolvendo um serviço de muito sucesso, inclusive maior que muitas metrópoles. Mais uma vez nosso município é referência nos serviços prestados à população“, disse o prefeito.

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