
Pontal do Paraná segue executando a maior operação de limpeza e desassoreamento de canais já registrada no município. No início de abril, a Prefeitura firmou um novo contrato para a continuidade dos serviços, abrangendo 8.802 metros de extensão, praticamente toda a área dos canais urbanos, que somam 9,8 km no total.
A empresa contratada é a Joares Simões Hellman Ltda, de Campo Largo. Pelo serviço, receberá R$ 1.675.000,00, dos quais apenas R$ 83.750,00 serão pagos com recursos do município. O restante será custeado pelo Instituto Água e Terra (IAT), parceiro da Prefeitura na execução do projeto. A previsão é de que esta etapa seja concluída em até seis meses.
“O objetivo da limpeza dos canais é garantir o escoamento adequado das águas pluviais e, assim, evitar alagamentos e todos os transtornos que eles causam à população, como perda de bens, danos às residências e a necessidade de assistência emergencial pelo poder público. Trata-se de uma ação preventiva que o município deve realizar”, explica Jackson Cesar Bassfeld, secretário municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca.
Moradores de regiões próximas aos canais têm demonstrado apoio à iniciativa. O mecânico Fernando Estevão Pereira, que mantém uma oficina há três anos ao lado de um dos canais, afirma que a medida traz alívio.
“Para nós é uma maravilha. Quando chove, alaga demais. A água chega até a porta da última casa lá. Agora, com essa limpeza, melhora muito para todos”, conta.
Reforço com nova máquina
Neste ano, uma máquina anfíbia de grande porte foi incorporada ao trabalho de desassoreamento, somando-se a outras três máquinas com braços hidráulicos de até 18 metros.
A operação contempla os seguintes trechos:
- Canal Lagoa Amarela – Marissol/ Ipanema: da Av. Dep. Aníbal Khury até a Rua Caripunas (2.714 metros, 2,61 m² de área de dragagem, volume estimado de 7.078,61 m³);
- Canal Praia de Leste – Santa Terezinha/ Monções: da Av. Oswaldo Cruz até a Av. Ilha do Mel (4.524 metros, 3,65 m², 16.501,61 m³);
- Canal Santos Dumont – Canoas/ Santa Terezinha: da Av. das Magnólias até a Av. Oswaldo Cruz (1.125 metros, 3,24 m², 3.649,50 m³);
- Canal Guarapari – Santa Terezinha: da Rua Curitiba até a Rua Newton Souza e Silva (247 metros, 3,77 m², 931,70 m³);
- Canal Leblon – Ipanema: da Rua Imaculado Coração de Maria até a Av. Xingu (192 metros, 3,80 m², 729,67 m³).
Além disso, a nova máquina também será utilizada na recuperação do Rio Pery, projeto em desenvolvimento há um ano pela Secretaria Municipal, em parceria com o IAT. A iniciativa contará com investimento adicional de R$ 3,8 milhões, voltado à requalificação ambiental e à gestão hídrica da região.
Desafios operacionais
Segundo o secretário Jackson Cesar, um dos principais obstáculos enfrentados na execução do serviço são as ocupações irregulares nas margens dos canais.
“Muitas moradias foram construídas praticamente sobre os canais, o que impede o uso de máquinas convencionais nas margens. Por isso, foi necessário contratar equipamentos específicos que operem diretamente no leito dos cursos d’água”, explicou.
Avanços anteriores
Em 2024, a Prefeitura investiu R$ 2,7 milhões na limpeza e desassoreamento de canais, também em parceria com o IAT. Ao todo, mais de 37 km de canais foram limpos, o que melhorou consideravelmente o escoamento das águas pluviais e reduziu os alagamentos.
Outra frente de trabalho em andamento é a substituição das antigas manilhas por galerias de concreto armado com maior capacidade de vazão. O projeto, desenvolvido com o apoio do Governo do Estado, está orçado em R$ 3,4 milhões e prevê a instalação de 822 metros de galerias com dimensões de 1,5 m x 1,5 m, além de 30 passagens estratégicas. A expectativa é de que essa modernização dobre a capacidade de drenagem urbana, contribuindo para a prevenção de enchentes.
Identificação de ligações clandestinas de esgoto
O trabalho de desassoreamento também está auxiliando na identificação de ligações clandestinas de esgoto, que comprometem a balneabilidade das praias da região.
“Estamos conseguindo mapear e identificar onde existem ligações irregulares de esgoto nos canais pluviais, o que representa um risco à saúde pública e ao meio ambiente”, afirma o secretário.
A Sanepar tem notificado os proprietários de imóveis com irregularidades. Os responsáveis devem realizar as correções em até 90 dias e comunicar à companhia. O não cumprimento do prazo pode resultar em multas proporcionais ao consumo de água dos últimos 12 meses, dobradas em caso de reincidência. Dependendo da situação, também podem ser aplicadas sanções administrativas e judiciais.
“A rede de esgoto deve transportar os resíduos até a Estação de Tratamento. Quando há conexão irregular com galerias pluviais, o esgoto é lançado diretamente no meio ambiente, sem tratamento. Isso afeta a todos: moradores, turistas e a imagem da cidade. Por isso, a correção é essencial, e as penalidades existem para garantir o cumprimento da lei”, explica Marcos Muniz, gerente regional da Sanepar no Litoral.