Paranaguá tem, atualmente, 300 pessoas vivendo nas ruas da cidade. O número representa 0,20% da população (145.829), acima do índice nacional, que é de 0,16%. Em fevereiro de 2022, o JB Litoral traçou um panorama da população em situação de rua. Na época, eram 150 pessoas sem moradia em um mês considerado de “alta” dos números, que sempre crescem durante o verão, segundo a Prefeitura.
Agora, mesmo durante o inverno, com as baixas temperaturas registradas nas últimas semanas, esse número dobrou em Paranaguá. A reportagem conversou com a secretária municipal da Família, Cidadania e Desenvolvimento Social, Carolina de Miranda.

Ela explicou quais serviços são disponibilizados para essas pessoas e que metade dessa população é parnanguara. “Nós temos o serviço do Centro Pop, que atende com uma equipe técnica. Esse serviço funciona de segunda a sexta-feira. E nós temos, hoje, enquanto perfil de cadastrados no nosso município, aproximadamente 300 pessoas. Destas, 150 são de Paranaguá, 140 são oriundas de outras cidades e 10 são estrangeiras. Desse número, 198 recebem o Bolsa Família. Então, nós temos esse perfil de sujeitos e de beneficiários que estão nesta situação”, detalhou Carolina.
Centro de atendimento, abrigo não
Segundo dados do Governo Federal, em 2022, havia 246 Centros POP em funcionamento no país, distribuídos por 218 municípios (menos de 7% do total de municípios com pessoas em situação de rua no país e 69% do total de municípios com mais de 100.000 habitantes). Um deles está em Paranaguá.
Os centros de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) oferecem serviços como refeições, espaços para higiene pessoal, apoio na emissão de documentos e outras atividades essenciais. Em Paranaguá, Carolina de Miranda ressalta que o atendimento segue a legislação.
“Pela legislação que tipifica o serviço, ele deve ser ofertado de segunda a sexta-feira. Então, ele funciona das 7h às 17h, e lá existe alguns serviços com uma equipe composta por assistente social e psicólogo, que fazem o atendimento psicossocial dos usuários. Esse atendimento tem como objetivo a construção de um plano de atendimento individual, com buscas a traçar metas e objetivos para os usuários que ali estão”.
Além disso, há o serviço de abordagem social, realizado por uma equipe composta por uma assistente social, duas educadoras e um servidor, que abordam as pessoas nas ruas com o objetivo de conhecê-las e entender os motivos que as levaram a essa condição. “Na abordagem, eles ofertam os serviços que existem dentro do Centro POP e o recâmbio. O recâmbio é uma modalidade que é ofertada tanto pela abordagem social quanto pela equipe técnica que está dentro do centro POP, e consiste na oferta de transporte para a população em situação de rua para retornar à cidade de origem”, ressalta a secretária.
Como nos Centros POP não há a possibilidade de pernoitar e os serviços se encerram às 17h, eles são equipamentos diferentes dos abrigos existentes nas grandes cidades.
Atividades e encaminhamento
No Centro POP também são feitas oficinas de artesanato, produção de produtos de sabonetes, produtos de limpeza e a oferta de alimentação. Ou seja, café da manhã, almoço, café da tarde e a janta. Todos esses serviços são ofertados de segunda a sexta-feira.
Ainda de acordo com a secretária de Família, Cidadania e Desenvolvimento Social, também existe a equipe de saúde no local. “Ela é composta por uma técnica de enfermagem e um médico que faz a consulta uma vez por semana. Aos finais de semana, as pessoas em situação de rua podem retirar as suas refeições diretamente no restaurante popular. Então eles estão assegurados de alimentação de segunda a segunda”, destaca Carolina.
Para aqueles que sofrem com dependência química, é ofertada uma vaga social para os que desejam um internamento. “Entramos em contato com as comunidades terapêuticas de todo o estado e pleiteamos a vaga social. Quando a vaga é conquistada, direcionamos a pessoa. Do início do ano até o momento, encaminhamos para tratamento e fizemos o recâmbio de aproximadamente 130 a 140 pessoas”, apontou Miranda.
Colaboração da População
A secretária também reforçou que a Secretaria da Família está promovendo todo o aparato social voltado a esse público e pediu a colaboração da população de Paranaguá, para que se posicione ao receber pedidos nas abordagens de rua.
“Oferta-se quatro refeições diárias para eles: café da manhã, almoço, café da tarde e jantar. Também fazemos a inclusão nos benefícios sociais, com oferta de internamento através das vagas sociais. Então, a população entendendo que essa pessoa nesta situação está sendo assistida, é importante que, ao ser abordada, a direcione para o serviço com a certeza de que lá no Centro POP ela vai ter a segurança necessária para sua a sobrevivência”, orientou Carolina de Miranda.
Assunto no Palácio Carijó
Conhecido por fazer transmissões em suas redes sociais, o vereador Marcelo Péke (Republicanos) afirma que vai levar o assunto para ser discutido na Câmara Municipal de Paranaguá. “Acredito seja interessante que outras secretarias também entrem nesse trabalho para evitar que essas pessoas fiquem na rua e, até mesmo, cometendo alguns crimes como a gente já sabe que acontece aqui”, disse o parlamentar, ao JB Litoral.
Marcelo Péke também acredita que a população tem um papel importante para ajudar a lidar com a situação.“Porque aqui eles [moradores em situação de rua] têm alimento, a maioria recebe benefícios em dinheiro que vem por parte do Governo Federal e a esmola, que acaba sustentando vícios. Então, temos que informar à população o que, de fato, está acontecendo, para ver se conseguimos diminuir essa situação na nossa cidade. Além de mais políticas públicas para mudar essa realidade”, concluiu Péke.