A temporada de captura do caranguejo-uçá começou nesta segunda-feira (1º) no Litoral do Paraná. E você já parou para pensar por que a coleta do caranguejo só é liberada agora, enquanto o siri pode ser capturado o ano inteiro?
O JB Litoral foi atrás da resposta. Conversamos com o biólogo Caio Fernandes para entender essa diferença que, segundo ele, tem tudo a ver com a biologia de cada espécie e com o equilíbrio dos manguezais.

Segundo Caio, o siri é liberado o ano todo porque não tem “uma” época crítica. “Os siris do gênero Callinectes, comuns em Paranaguá, Antonina, Pontal e Guaraqueçaba, têm reprodução contínua. Isso significa que não existe um período específico em que ficam extremamente vulneráveis”.
Ele explica ainda que a legislação federal permite a pesca o ano inteiro, desde que o pescador siga regras como tamanho mínimo, técnicas autorizadas (como o uso de covos) e limites de captura.
Na prática, o siri acaba sendo um alívio no bolso do pescador artesanal, garantindo renda mesmo quando outras espécies entram em período de proteção.
Caranguejo-uçá: a “andada” exige proteção
O caranguejo-uçá (Ucides cordatus), por outro lado, vive um ciclo bem diferente.
Entre dezembro e março acontece a famosa andada, quando os caranguejos saem de suas tocas para se reproduzir e liberar ovos. É um momento essencial para a manutenção da espécie e, também, o período em que ficam mais fáceis de capturar.
Para evitar a exploração excessiva, o Governo Federal estabelece o período de defeso, proibindo captura, transporte e comercialização. No Litoral do Paraná, o calendário costuma seguir este padrão:
- Defeso (proibido): março a novembro
- Permitido: dezembro a meados de março
(as datas podem mudar conforme portarias anuais)
Durante o defeso, restaurantes, pescadores e comércios precisam comprovar a origem do caranguejo. A fiscalização é feita pelo Instituto Água e Terra (IAT).
A lógica por trás das regras
O biólogo destaca que enquanto o siri mantém populações estáveis mesmo com pesca contínua, o caranguejo-uçá precisa de uma pausa anual para garantir sua reprodução. “A proteção é fundamental para a saúde dos manguezais, ecossistema que sustenta a pesca artesanal e a biodiversidade do Litoral do Paraná”, ressalta Caio.
No fim, entender essa diferença evita multas, ajuda a conservar o ambiente e garante que essas duas espécies tão tradicionais continuem presentes na mesa dos paranaenses.