A aproximação do inverno já não significa menos mosquitos como acontecia anos atrás. Mesmo com a queda das temperaturas, os insetos continuam presentes em muitas regiões do país e levantam uma dúvida cada vez mais comum: por que eles não desaparecem com o frio?
Em entrevista ao JB Litoral, o biólogo Caio Fernandes explica que a resposta está em uma combinação de fatores que envolve mudanças climáticas, alterações nos ambientes urbanos e a própria capacidade de adaptação dos mosquitos.

Capacidade de adaptação
Durante trabalhos realizados no combate à dengue, Caio Fernandes encontrou ovos do mosquito até mesmo em áreas de água salobra, uma mistura de água doce e salgada, comum em regiões de manguezal, locais que antigamente não eram considerados favoráveis para a reprodução da espécie.
“É um animal extremamente adaptado ao ambiente urbano. Hoje ele consegue ocupar espaços onde antes dificilmente seria encontrado.”
A resistência dos ovos também chama atenção. Eles podem permanecer por até dois anos sem contato com a água e voltar a se desenvolver quando encontram condições favoráveis.
Outro fator que ajuda a explicar a rápida proliferação é a capacidade reprodutiva da espécie. Apenas a fêmea se alimenta de sangue e uma única mosquito pode depositar entre mil e dois mil ovos ao longo de seu ciclo de vida.
Água acumulada continua sendo o principal problema
Muitas pessoas ainda associam os criadouros apenas a pneus ou caixas d’água abertas. Na prática, os mosquitos precisam de muito menos do que isso.
Uma tampa de plástico, uma calha entupida, a bandeja atrás da geladeira ou até um pequeno acúmulo de água em objetos esquecidos no quintal podem servir para a postura dos ovos.
“Se houver água acumulada, mesmo em pequena quantidade, o mosquito consegue se reproduzir”, explicou Caio.
O descarte irregular de resíduos e objetos em terrenos baldios continua sendo um dos principais fatores que favorecem a proliferação dos insetos.
Predadores naturais estão desaparecendo
Enquanto os mosquitos se adaptam cada vez mais ao ambiente urbano, alguns de seus principais predadores naturais vêm desaparecendo. Libélulas, sapos, pererecas, rãs e lagartixas ajudam a controlar naturalmente a população de insetos.
O destaque fica para as libélulas. Durante a fase larval, elas podem consumir centenas de larvas de mosquito. “As pessoas muitas vezes eliminam esses animais sem perceber que eles prestam um serviço importante para o equilíbrio ambiental.”
Principais predadores naturais dos mosquitos
- Libélulas;
- Lagartixas;
- Sapos;
- Rãs;
- Pererecas.
Além de ajudarem no controle dos mosquitos, esses animais contribuem para o equilíbrio ambiental. As lagartixas, por exemplo, também se alimentam de outros insetos encontrados dentro das residências.
Aranha-marrom exige atenção
A chegada do frio também traz outro alerta. Ao retirar roupas, cobertores e casacos que ficaram guardados durante meses, a recomendação é verificar as peças antes do uso.
A aranha-marrom costuma procurar locais escuros, secos e pouco movimentados para se esconder, incluindo armários, gavetas, sapatos e roupas armazenadas por longos períodos. “Muitas vezes a pessoa nem percebe a picada porque ela pode parecer algo simples, semelhante a uma picada de mosquito”, disse Caio durante a entrevista.
O problema é que os sintomas mais graves podem aparecer dias depois. Segundo o biólogo, o veneno da aranha-marrom pode provocar necrose na pele e complicações sérias, principalmente em crianças, idosos e pessoas com outras condições de saúde.
Por isso, a orientação é simples: sacudir roupas, cobertores, toalhas e calçados antes de utilizá-los.
Medidas simples podem reduzir os criadouros
Embora os mosquitos estejam cada vez mais adaptados ao ambiente urbano, algumas medidas simples continuam sendo fundamentais para evitar a proliferação.
Cuidados recomendados
- Verificar e limpar calhas regularmente;
- Evitar qualquer acúmulo de água em recipientes e objetos;
- Manter caixas d’água bem fechadas;
- Observar bandejas atrás da geladeira;
- Limpar ralos e sifões;
- Trocar frequentemente a água dos animais;
- Evitar o descarte irregular de móveis e resíduos em terrenos baldios.
“Não existe solução milagrosa. O que realmente funciona é eliminar os criadouros e manter os ambientes limpos”, completou.