Moradores do Litoral do Paraná participaram, nesta quarta-feira (02), da 2ª Oficina de Coleta, Higienização e Despolpa de Juçara, fruto nativo da Mata Atlântica semelhante ao açaí amazônico. A iniciativa da Portos do Paraná busca estimular uma nova fonte de renda para comunidades locais, predominantemente formadas por pescadores, além de contribuir para a preservação da palmeira juçara, espécie ameaçada de extinção.
“Com o conhecimento sobre a despolpa dos frutos, podemos incentivar uma mudança cultural, promovendo geração de renda e estimulando o plantio das sementes”, destacou João Paulo Santana, diretor de Meio Ambiente da Portos do Paraná.

A oficina faz parte do Programa de Educação Ambiental (PEA) da Autoridade Portuária e surgiu a partir do interesse da própria comunidade. “No Sul do Brasil, o aproveitamento desse fruto ainda não é uma prática comum, diferentemente do que ocorre no Norte. Com essa oficina, buscamos incentivar essa nova alternativa”, explicou Pedro Pisacco Pereira Cordeiro, coordenador de Sustentabilidade da Portos do Paraná. “A pequena semente roxa produz um açaí de excelente qualidade.”
O Instituto Juçara de Agroecologia conduziu as atividades teóricas e práticas, detalhando o processo de coleta. “No Litoral, a frutificação da juçara ocorre entre março e maio. Nesse período, os cachos amadurecem e podem ser colhidos”, explicou Rafael Serafim da Luz, vice-presidente do instituto.
Embora se assemelhe ao açaí amazônico, o “açaí juçara” é extraído da palmeira Euterpe edulis, nativa da Mata Atlântica. Rico em antocianina, um potente antioxidante responsável por sua coloração roxa intensa, o fruto também se destaca pelo alto teor de ferro e cálcio, sendo um excelente complemento alimentar. Além do fruto, a palmeira é valorizada pela produção do palmito juçara.
Resgate cultural e oportunidade de renda
A merendeira Adi Fátima Lourenço, que possui palmeiras juçara em seu quintal, participou da oficina e viu na capacitação uma oportunidade para diversificar a alimentação e a renda. “Sempre tivemos a palmeira em casa, mas nunca soubemos aproveitar os frutos. Com essa oficina, aprendemos a fazer sucos, bolos e pães, criando um diferencial que pode gerar renda”, comentou.
O processo de despolpa envolve a seleção dos frutos maduros e saudáveis, seguidos por higienização com solução sanitária para eliminar bactérias. Depois do enxágue, os frutos passam pela despolpadeira, que separa as sementes e cascas, resultando em um líquido encorpado e pronto para consumo.
Capacitação e sustentabilidade
Desde 2019, o Programa de Educação Ambiental da Portos do Paraná já ofereceu diversas oficinas e cursos profissionalizantes gratuitos para comunidades litorâneas, promovendo educação ambiental, organização comunitária e práticas sustentáveis.
Além da oficina de despolpa da juçara, o programa também oferece cursos como comunicação e atendimento, introdução à maquiagem para jovens (em parceria com o Senac) e capacitações voltadas para mulheres das comunidades de Piaçaguera e Valadares, como corte e costura.