Prédio histórico em Paranaguá vai virar hub de inovação com investimento de R$ 4,5 milhões


Por Gabriela Perecin

Com inauguração marcada para a próxima quinta-feira (14), Paranaguá terá um hub de inovação por meio de uma parceria entre a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), Universidade Estadual do Paraná (Unespar) e Prefeitura. Os investimentos passam de R$ 4 milhões aplicados para equipar a Casa Dacheux.

casa dauchex – foto prefeitura de Paranaguá
– Hub de inovação será instalado na histórica Casa da família Dacheux, que faz parte do patrimônio cultural parnanguara. Foto: Prefeitura de Paranaguá

O JB Litoral buscou saber do que se trata um hub de inovação e de que forma pode contribuir com o desenvolvimento de ideias e apresentação de soluções para problemas da região.

A Casa Dacheux, edificação do século XIX, foi o local escolhido para a criação compartilhada de produtos de Ciência, Tecnologia e Inovação e cultura caiçara, já que foi cedido à Unespar pela Administração Municipal há cerca de um ano.

“Desde então, houve uma série de ações para otimizar o ambiente de forma a integrar ensino, pesquisa e extensão ao empreendedorismo e à cultura local. A expectativa da Unespar é consolidar o Hub de Inovação Casa Dacheux como um polo de inovação e desenvolvimento sustentável, ampliando oportunidades e incentivando a criação de novos negócios na região”, divulgou a Unespar.

O que é um hub de inovação?

O chefe da seção de Inovação e Empreendedorismo do Instituto Federal do Paraná (IFPR), campus Paranaguá, Leandro Angelo Pereira, disse que a IFPR fará o uso compartilhado do ambiente na Casa Dacheux. Segundo ele, um hub é uma espécie de “ponto de encontro”, onde instituições de diferentes formatos se encontram para buscar soluções de problemas comuns.

IFPR Campus Paranaguá tem incubadora de negócios e sala coworking há mais de um ano com ampla participação da comunidade acadêmica. Foto: Giovanna Zela das Neves/IFPR Paranaguá

Essas instituições podem ser universidades, governo, empresas, sociedade civil organizada, entre outras. “Para resolver esses problemas, cada uma entra com seu conhecimento, ou forma de apoio, e ocorre o desenvolvimento de tecnologia que, quando aplicadas, geram a inovação”, explicou Leandro.

Os hubs podem ser estruturados por território ou área de atuação ou, ainda, os dois simultaneamente. “A Casa deve funcionar com foco no Litoral do Paraná em algumas questões prioritárias definidas pelas instituições que fazem parte do hub”, disse.

Como deve funcionar o espaço?

A Unespar destacou que a Casa Dacheux contará com ambientes de coworking, laboratório de informática, além de outros projetos e cursos voltados ao desenvolvimento de negócios de impacto para micro e pequenas empresas, além de comunidades pesqueiras.

Para criar identidade local, o hub também será equipado com uma cozinha experimental para aprimoramento de produtos da pesca artesanal. A ideia é ofertar formações no espaço para o fortalecimento da pesca artesanal sustentável, da culinária caiçara e aproveitamento integral do pescado. Assim como orientações sobre empreendedorismo e educação financeira, do associativismo e cooperativismo.

Outros projetos da Unespar integrarão o local, unindo universidade, comunidade externa e setor produtivo.

Também integram o Hub de Inovação ações que nasceram na universidade como a vitrine da marca coletiva “Somos Mata Atlântica”, que promoverá produtos regionais; iniciativas como o podcast “Elas Inspiram”; e os projetos “Quinta dos Manguezais” e “DATS”, reforçando a conexão entre cultura, ciência e inovação.

Investimentos

De acordo com o que foi divulgado pela Unespar, os valores investidos são divididos entre Fundo Paraná (R$ 3,3 milhões) e editais de órgãos de financiamento, como Fundo Brasileiro para a Biodiversidade – Funbio (R$ 850 mil), programa Coalizão pelo Impacto (R$ 200 mil) e Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial (R$ 185 mil).

Sendo assim, o espaço já tem R$ 4,535 milhões em recursos garantidos antes mesmo das atividades começarem. “Esses valores foram destinados a aquisição de móveis e equipamentos dos projetos Espaço Maker, Olhar empreendedor, Espaço para Formações do Hub de Inovação, entre outros”, explicou a Unespar.

O Fundo Paraná, de onde vem a maior parte dos recursos para o hub de inovação em Paranaguá, como informado pelo Governo do Estado, faz parte da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e se trata de uma fonte de recursos criada para apoiar financeiramente o desenvolvimento científico e tecnológico do Estado.

Essa forma de financiamento segue o que consta no art. 205 da Constituição Estadual: “o Estado destinará, anualmente, uma parcela de sua receita tributária, não inferior a dois por cento, para o fomento da pesquisa científica e tecnológica”.

Em outubro do ano passado, o Governo do Estado divulgou que o investimento, através do Fundo Paraná, seria de R$ 450 mil. O JB Litoral entrou em contato com a Seti para entender o que justificou o acréscimo. A Secretaria informou que o investimento se deve às adequações que serão feitas no espaço em diferentes fases do projeto.

“Os recursos do Fundo Paraná serão utilizados para reforma e readequação do espaço para a implantação do laboratório experimental de gastronomia. Parte dos recursos serão utilizados para equipamentos e custeio de bolsas”, disse a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Espaço de coworking ainda não saiu do papel

O Governo do Paraná anunciou, em 2024, o investimento de R$ 1,5 milhão para a criação de um espaço coworking no Porto de Paranaguá. A ideia era criar um local para promover capacitações e o desenvolvimento de habilidades em áreas como robótica, eletrônica e programação, beneficiando jovens e trabalhadores da região.

No entanto, como apurado pelo JB Litoral, a execução do projeto foi transferida da Portos do Paraná para a Prefeitura de Paranaguá, em maio de 2025. Desta forma, ficaria a cargo da Administração Municipal dar prosseguimento aos trâmites para a implantação do espaço coworking.

O JB Litoral procurou a Prefeitura de Paranaguá, mas não teve retorno até o fechamento desta reportagem.

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