Prefeito de Pontal do Paraná se defende de acusações de morador da cidade em caso de desabamento de supermercado


Por Redação
Desabamento aconteceu no mesmo dia em que mercado foi aberto ao público, no balneário Canoas.
1/3 Desabamento aconteceu no dia seguido em que mercado foi aberto ao público, no balneário Canoas.
2/3 Equipes de socorro de todo o Litoral foram mobilizadas para o resgate aos feridos e buscas por mais vítimas no dia do desabamento
3/3 Polícia apura 3 homicídios culposos e 12 lesões corporais; lajes onde estavam 6 caixas d’água, com capacidade total de 75 mil litros desabaram no último dia 22. Foto: Reprodução

Quatro dias após o desabamento de parte da laje de um supermercado recém-inaugurado, no balneário Canoas, em Pontal do Paraná, que causou a morte de três funcionárias e deixou outras 12 pessoas feridas, a Câmara da cidade criou, na última terça-feira (26), uma Comissão Processante para analisar a denúncia de um morador de Pontal do Paraná contra o prefeito Rudisney Gimenes Filho (MDB), o Rudão Gimenes.

No documento, o denunciante Marcos de Oliveira Garcia alega que o chefe do Executivo Municipal teria cometido crime de responsabilidade ao participar da cerimônia de inauguração do Super Rede, um dia antes da tragédia. A Comissão Processante foi aprovada por seis votos a quatro e será integrada pelos vereadores Marco Rocha (Solidariedade), Marcelo da Saúde (PSB) e Paulo Parada (PDT), com prazo de até 90 dias para concluir seus trabalhos.

A defesa do prefeito


Na última quinta-feira (28), o prefeito Rudão Gimenes divulgou um vídeo em suas redes sociais em que reafirmou o que o município vem fazendo desde o momento do desabamento e se posicionou em relação à instauração da comissão, na Câmara de Vereadores.  “O alvará da empresa Super Rede estava em trâmite junto à Prefeitura, os documentos tinham sido apresentados. Quando foi anunciada a abertura, nossa fiscalização esteve presente e notificou a empresa para que apresentasse, em 10 dias, a complementação dos documentos e que, como uma atividade de médio risco, era possível que eles continuassem trabalhando até a sua regularização”, afirmou.

Uso político


O prefeito de Pontal do Paraná defendeu que a atuação dos parlamentares tem outros interesses que não os de contribuírem para a elucidação do caso. “O que me deixa chateado diante de toda essa dor e tragédia é que seis vereadores buscam para a Câmara Municipal a responsabilidade de uma situação que é das autoridades competentes, que é do CREA, da Polícia e não da Câmara de vereadores. Antecipam um julgamento, querem punir o prefeito, identificando já o crime e o culpado para poder, nesse momento político, manchar a nossa imagem, da nossa gestão que trabalha com muita seriedade, transparência e comprometimento”, disse Gimenes.

O prefeito finalizou o vídeo afirmando que a Administração Municipal irá responder o que for necessário à Comissão Processante.

A íntegra do processo foi lida pelo 1º secretário da Mesa Diretora Osni Ceará (PV). Foto: Reprodução

Antes da Comissão


Na segunda-feira (25), primeiro dia útil após o desabamento, a Prefeitura de Pontal do Paraná já havia emitido uma nota em que afirmava que o Município seguia cumprindo as etapas de fiscalização do estabelecimento em Canoas, onde ocorreu a tragédia.

Com relação à autorização de funcionamento, a empresa protocolizou pedido de alvará no dia 09/11/2023. O departamento competente solicitou toda documentação e, após tramitações internas, e por ter sido divulgada a abertura do empreendimento para a sexta-feira (22/03), a fiscalização do município compareceu ao local em 21/03/2024, concedendo o prazo legal de 10 dias para que fossem providenciados documentos faltantes”, dizia a nota.

O texto também esclarecia que, pela legislação, o empreendimento é tido como de médio risco, o que permite a concessão de prazos para providenciar a documentação. “Somente em caso de não atendimento, é que o Município poderia autuar a empresa, ressaltando que é de responsabilidade do contribuinte apresentar a documentação exigida”, ressaltava o posicionamento.

Investigações


As investigações sobre o desabamento seguem sendo realizadas dentro de inquérito conduzido pela Polícia Civil do Paraná, que apuram três homicídios culposos e 12 lesões corporais.

Na última quinta-feira (28), integrantes da Polícia Científica voltaram ao supermercado para recolher amostras que ajudem a perícia a identificar se a execução das obras seguiu o projeto de engenharia e o que pode ter levado ao desabamento das lajes onde estavam as 6 caixas d’água, com capacidade total de 75 mil litros. O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (CREA) também acompanha as investigações.

O denunciante


O morador de Pontal do Paraná, Marcos de Oliveira Garcia, é autor da denúncia que motivou a abertura da Comissão Processante, na Câmara Municipal. Segundo os dados lidos durante a sessão da última terça, Marcos é morador do balneário Canoas, mesmo bairro onde ocorreu o desabamento.

De acordo com informações obtidas pelo JB Litoral, ele já foi preso por porte ilegal de munições e arma de fogo com numeração raspada, utilizada para ameaçar, à época, um adolescente de 15 anos. Crimes pelos quais respondeu a processo judicial e foi condenado a três anos de reclusão, mas com direito a cumprir a pena em liberdade.

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