Prefeitura de Matinhos leva suposta compra de câmeras “fantasmas” à Justiça; ex-prefeito, ex-secretário e servidores são investigados


Por Redação

O Município de Matinhos ajuizou uma Ação Civil de Improbidade Administrativa contra o ex-prefeito José Carlos do Espírito Santo (PSDB), conhecido como Zé da Ecler; o ex-secretário de Saúde e filho do ex-prefeito, Aldemir Zwetsch Junior; a ex-diretora da Guarda Municipal Elenice Fátima Lorencena; a guarda municipal Karin Charlise Pacheco; além de Ronald Felipe Wolochn e de sua empresa, IRIS BS SYSTEM EIRELI, por suposto dano ao erário relacionado ao contrato de monitoramento eletrônico firmado pela Administração Municipal.

Prefeitura diz que contrato prevê pagamento por câmeras que nunca existiram. Foto: Rafael Pinheiro/JB Litoral
Prefeitura diz que contrato prevê pagamento por câmeras que nunca existiram. Foto: Rafael Pinheiro/JB Litoral

De acordo com a petição inicial, o contrato administrativo nº 122/2021 previa a prestação de serviços de monitoramento por câmeras no âmbito municipal. Segundo a Prefeitura, o instrumento foi alvo de sucessivos termos aditivos, que ampliaram o quantitativo de equipamentos monitorados até alcançar 1.328 câmeras.

A ação sustenta que, na prática, o município tem aproximadamente 42 câmeras em funcionamento, o que teria gerado pagamento por serviços não prestados. O prejuízo apontado supera R$ 1,7 milhão. O valor da causa foi fixado em R$ 4 milhões.

O JB Litoral consultou o Portal da Transparência e constatou que, de 2022 a 2024, a empresa recebeu R$ 3.944.503,34 (Três milhões, novecentos e quarenta e quatro mil, quinhentos e três reais e trinta e quatro centavos), da Prefeitura de Matinhos.

Leia também: Matinhos inaugura sistema de monitoramento; câmeras têm leitura de placas veiculares e zoom de 32x

Pagamentos sem equipamentos disponíveis

A ação afirma, ainda, que houve alteração do contrato por meio de aditivos que ampliaram o número de câmeras, mas que esse acréscimo não foi constatado na estrutura existente no município. A Prefeitura sustenta que os pagamentos realizados teriam sido baseados em quantitativos superiores aos equipamentos efetivamente disponíveis.

No caso da guarda municipal Karin Charlise Pacheco, a Prefeitura requereu sua inclusão como ré no processo sob o argumento de que ela era responsável pela fiscalização do contrato e teria assinado requerimento de aumento do objeto contratual, tendo ciência da inexistência das câmeras indicadas.

Além dos agentes públicos, a ação atinge o empresário Ronald Felipe Wolochn e sua empresa, responsável pela execução do contrato.

Ex-prefeito Zé da Ecler e secretários são acusados de Improbidade Administrativa. Foto: Rafael Pinheiro/JB Litoral

Medidas judiciais já adotadas

No mesmo processo, o Município requereu a indisponibilidade de bens dos réus até o montante total indicado como dano. A juíza da Vara da Fazenda Pública da Comarca de Matinhos, Danielle Guimarães da Costa, deferiu parcialmente o pedido e determinou bloqueio patrimonial no valor de R$ 400 mil, correspondente a aproximadamente 10% do valor indicado como prejuízo. Também foi determinada a averbação da ação nos cartórios de registro de imóveis e a restrição de veículos.

Paralelamente, a empresa ligada ao contrato move uma ação de cobrança contra a Prefeitura de Matinhos, exigindo R$ 544.962,97 referentes ao mesmo contrato. A magistrada suspendeu o andamento dessa cobrança até decisão no processo principal, considerando que a validade do contrato é objeto da ação de improbidade.

Gestão anterior em xeque

Os principais citados ocuparam cargos estratégicos na gestão anterior. José Carlos do Espírito Santo comandou o Executivo Municipal de 2021 até 2024. Aldemir Zwetsch Junior é filho do ex-prefeito e foi secretário de Saúde durante a mesma administração.

Elenice Fátima Lorencena exercia a direção da Guarda Municipal no período do contrato investigado. A ação foi proposta já na gestão do atual prefeito Eduardo Dalmora (PL).

Aldemir Zwetsch Junior, secretário de Saúde e filho do ex-prefeito José Carlos do Espírito Santo, é réu em ação que apura supostas irregularidades em contrato de monitoramento em Matinhos. Foto: Prefeitura de Matinhos

Defesa

Procurada, a Prefeitura de Matinhos, por meio da Procuradoria-Geral do Município, informou que “o documento fala por si próprio” e que não irá se manifestar além do que consta na decisão judicial.

O ex-prefeito Zé da Ecler e o filho dele também foram procurados, mas não retornaram até a publicação desta reportagem. A equipe não conseguiu contato com os demais citados. O espaço segue aberto para manifestação dos envolvidos.

Sair da versão mobile