No dia 29 de julho deste ano, o empresário Luciano Hang esteve em Matinhos para tratar da instalação de uma megaloja na cidade. A possibilidade gerou expectativa na população, devido a geração de empregos e oportunidades que o empreendimento promove nos municípios. No entanto, o local visitado foi o Parque Municipal do Tabuleiro, uma unidade de conservação.

O Parque Municipal do Tabuleiro foi criado em 2006 para proteger o patrimônio natural da cidade e fica próximo à avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira, uma das principais vias de acesso ao balneário Caiobá.
A Prefeitura de Matinhos se manifestou sobre o caso e destaca que não existe qualquer compromisso firmado entre a Administração Municipal e a empresa Havan, tampouco tratativas para cessão de áreas públicas.
“O que foi comemorado pela Prefeitura em momentos recentes é a possibilidade de que Matinhos venha a conquistar novos empreendimentos capazes de gerar emprego e renda para a população. Em nenhum momento houve declaração do prefeito vinculando a instalação da empresa a áreas públicas ou ambientais específicas”, contestou a Prefeitura.
O Executivo reafirmou que não trocará áreas públicas por empreendimentos privados e que todas as decisões seguem os trâmites legais. “Sempre com respeito à legislação e ao interesse coletivo”, afirmou a Prefeitura de Matinhos.
Suspensão de Projeto de Lei
A Prefeitura de Matinhos recebeu a Recomendação Administrativa nº 01/2025, emitida pelo Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR), por meio do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo (GAEMA – Regional Litoral), relativa ao Parque Municipal do Tabuleiro.
O documento pede a suspensão imediata do Projeto de Lei Municipal nº 045/2025. O projeto de lei consolida as medidas e delimitações dos Parques Municipais de Matinhos e estabelece as diretrizes para a compensação ambiental da alteração de limites de unidade de conservação local. A lei em questão foi aprovada pela Câmara de Vereadores de Matinhos e sancionada pelo prefeito Eduardo Antonio Dalmora (PL). Entre as mudanças, está a redução da área do Parque do Tabuleiro, de 31.706,00 m2 para 9.496,65 m2.
A Prefeitura afirma que seguirá integralmente a recomendação do MPPR, determinando a suspensão por tempo indeterminado de qualquer iniciativa que implique a redução ou desafetação da área do Parque do Tabuleiro. “Reforçamos nosso compromisso com a preservação ambiental, a transparência e a participação popular em todas as decisões que envolvam o futuro da cidade”, afirmou o Executivo.
Matinhos no radar da varejista
Em nota ao JB Litoral, a Havan comunicou que o município está no radar da varejista, mas que não há nada confirmado. “Luciano visitou a cidade, onde há interesse em instalar uma megaloja Havan. Mas, não há nenhuma negociação em andamento no momento. Apenas o desejo, por isso, o município segue no radar de expansão da varejista”. A próxima loja a inaugurar no Paraná será na cidade de Maringá, ainda neste ano.
Em visita a megaloja da Havan, em Paranaguá, na terça-feira (30), o cofundador e proprietário da Havan, Luciano Hang, falou que passou novamente em frente ao terreno e enfatizou sua intenção de construir uma unidade em Matinhos. De acordo com ele, os órgãos ambientais travam o desenvolvimento do país.
“Há muito tempo nós queríamos fazer uma loja em Matinhos, estamos também com esse problema de ‘ecochato’ lá. O terreno tem 30 ou 40 mil metros quadrados e não deixam desmatar, você olha para trás é só mato e a população querendo um emprego bom. Às vezes as pessoas que passam em um concurso público, trabalham pouco, se aposentam cedo, ganham muito, estão se lixando para a população que quer emprego”, declarou Luciano.
Segundo o Instituto Água e Terra (IAT) não há pedido de licenciamento ambiental para a construção do empreendimento no local.
Impacto ambiental
O deputado estadual Goura (PDT) divulgou em suas redes sociais que denunciou na Assembleia Legislativa o impacto ambiental em 3,1 hectares de Mata Atlântica para dar lugar a uma loja da Havan. Ele cobrou providências por meio de ofícios ao MPF (Ministério Público Federal) e MPPR (Ministério Público do Paraná).
“Não sou contra o comércio ou a expansão da economia em Matinhos. Mas há outros locais disponíveis para a instalação da empresa. O que não podemos aceitar é a destruição de uma das últimas áreas verdes da cidade”, disse Goura.