A Prefeitura de Morretes apura possível vazamento de carga ferroviária na região do bairro Ponte Alta. Conforme publicou o JB Litoral, em primeira mão, na manhã desta segunda-feira (15), moradores da região denunciaram o aparecimento de açúcar espalhado ao longo da linha do trem, após ouvirem um estrondo.

Segundo a população, a partir do incidente, ocorrido há cerca de 10 dias, a região foi tomada por formigas; equipes da Rumo Logística (concessionária responsável pela operação ferroviária) teriam retirado apenas parte da carga, jogando pedras e cal por cima do restante; e começaram a aparecer vários peixes mortos em rios da região, pois o material em decomposição começou a escorrer pelo solo, até chegar aos rios.
De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, após fiscalização realizada no último domingo (14), foram identificados indícios de impacto ambiental relacionados ao possível vazamento de uma carga de açúcar bruto (VHP).
“Diante da situação, a empresa Rumo S.A. foi notificada para prestar esclarecimentos e adotar as providências cabíveis. A notificação foi formalizada por meio do Auto de Constatação Ambiental nº 001/2025. A ação teve início após denúncias de moradores, acompanhadas de fotos e vídeos que indicam mortalidade de peixes e possível contaminação de cursos d’água”, informou a Prefeitura ao JB Litoral, por meio de nota.
A notificação foi encaminhada à empresa nessa segunda-feira (15) e será utilizada para “a adoção das medidas administrativas e legais cabíveis, incluindo responsabilização ambiental, investigação técnica complementar e determinação de ações corretivas imediatas”, completou a nota.
O que foi constatado
Ainda segundo a Administração Municipal, a fiscalização constatou depósito de grande quantidade de açúcar bruto diretamente sobre o solo ao longo de aproximadamente 750 metros da faixa ferroviária; material em avançado estado de decomposição, indicando que o vazamento ocorreu há mais de 10 dias; indícios de tentativa de ocultação do dano, com soterramento parcial do material por brita e aplicação de cal virgem; risco de carreamento do resíduo para rios e nascentes, além de possível comprometimento do abastecimento de água utilizado por moradores da região; registros de mortalidade de peixes em tanques de criação a até 3 km do local, reforçando o potencial impacto sobre a fauna aquática; e ausência de comunicação prévia da empresa sobre o acidente ambiental.
Como medida preventiva, a Defesa Civil Municipal está realizando o fornecimento de água potável às famílias afetadas que estão temporariamente sem acesso à água própria para consumo.
Informações atualizadas na manhã desta terça-feira (16) dão conta de que a contaminação dos rios está aumentando. Os afetados até o momento são: Bom Jardim, Caninana, Ponte Alta, Macaquinho e há indícios de que os danos tenham chegado também à região da Raia Velha.
O que diz a Rumo
Procurada pela reportagem, a concessionária se posicionou na noite de segunda-feira (15). Segundo a Rumo Logística, foi realizada uma reunião técnica com a Prefeitura para avaliação da situação e equipes operacionais atuam na contenção e na remoção do produto.
“Técnicos ambientais da empresa estão conduzindo análises, monitoramentos e executando os procedimentos corretivos previstos, em conformidade com o Plano de Ação de Emergência (PAE) aplicável ao produto. Todas as medidas necessárias estão sendo adotadas para a mitigação de eventuais impactos e as causas serão devidamente apuradas. A empresa permanece à disposição dos órgãos competentes”, disse a nota enviada pela assessoria de imprensa da Rumo.
Estado acompanha o caso
O JB Litoral também procurou o Instituto Água e Terra (IAT), órgão ambiental do Governo do Estado. Segundo a assessoria de comunicação, técnicos do IAT vistoriaram o local nessa segunda-feira (15). “Agora, será elaborado um parecer técnico sobre as causas do acidente. Caso seja confirmado crime ambiental, os responsáveis serão penalizados de acordo com a legislação vigente, nas esferas administrativa, civil e criminal”, informou a nota.