O Terminal Urbano e o Terminal Rodoviário de Paranaguá enfrentam problemas de infraestrutura que afetam diariamente milhares de passageiros. Banheiros em condições precárias, falta de manutenção e de segurança estão entre as principais reclamações da população.

O cenário chama ainda mais atenção porque o município dispõe de recursos específicos, provenientes da tarifa do transporte, destinados à manutenção dessas estruturas. O assunto voltou ao centro do debate recentemente durante discussões na Câmara de Vereadores. Afinal, existem projetos para reformar os dois terminais?
O vereador em Paranaguá, Marcelo Correa da Costa, o Péke Bocudo (Republicanos), afirmou ao JB Litoral que as cobranças por melhorias na rodoviária surgiram após diversas reclamações de usuários sobre a falta de segurança no local. Segundo ele, seu gabinete recebeu denúncias de assaltos e de outras situações que estariam colocando em risco quem utiliza diariamente o espaço.
O parlamentar afirmou que realizou uma vistoria para constatar os problemas e encaminhou um requerimento à Prefeitura solicitando a presença de segurança 24 horas por dia.
“A gente sabe que falta estrutura para os profissionais trabalharem aqui, mas o básico, a ronda, tem que ter o tempo todo para coibir esses vagabundos. Não pode assaltar as pessoas de bem nem fazer mal para quem precisa trabalhar e se locomover para outros municípios”, declarou Péke.
Apesar da expectativa para as reformas, o parlamentar disse esperar que a intervenção saia efetivamente do papel. “Nós estamos esperançosos que não seja só mais uma falácia e que logo esse terminal venha ter mais comodidade para os usuários. Mas, enquanto isso não acontecer, nós exigimos que tenha segurança, porque da forma que está não pode ficar”, concluiu.
Projeto da revitalização da Rodoviária está parado há 7 meses
Conforme consulta nos processos em tramitação realizada pelo JB Litoral no portal da Prefeitura de Paranaguá, nesta semana, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos solicitou a abertura de licitação, no modelo pregão eletrônico, no dia 5 de dezembro de 2025, para a revitalização do Terminal Rodoviário.
Os serviços têm investimento estimado em R$ 996.095,80. A Secretaria sugere a contratação de uma empresa especializada para executar a obra, que terá prazo de oito meses.
O projeto será financiado com recursos do Fundo Municipal de Transporte Coletivo, provenientes da tarifa cobrada junto com as passagens, e prevê uma ampla requalificação da estrutura, incluindo pintura, recuperação de portas, substituição de luminárias, instalação de novos fechamentos em vidro, melhorias na sinalização e intervenções para modernizar o espaço.
Além disso, o projeto prevê a instalação de catracas eletrônicas e cercamento do terminal com grades de ferro e portões, assim como é realizado na rodoferroviária de Curitiba.
Processo do Terminal Urbano está sem movimentação desde abril
Já as melhorias para o Terminal Urbano Daniel Bini, local de embarque e desembarque de linhas de ônibus do programa Tarifa Zero (nome recentemente alterado pela atual gestão para Transporte para Todos), estão mais longe de acontecer. A última movimentação ocorreu em abril deste ano com encaminhamento do processo para a pregoeira do município.
Como consultado pelo JB Litoral no portal da Prefeitura, a solicitação de abertura da licitação foi realizada pela Secretaria de Serviços Urbanos em 28 de novembro de 2025. De acordo com documentos encontrados, a intervenção tem valor estimado em R$ 291.610,97 e prazo de execução de seis meses após a emissão da ordem de serviço.
Segundo a justificativa técnica, a obra foi considerada de alta prioridade por buscar melhorar a acessibilidade dos usuários do transporte coletivo e atender a uma determinação do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR). O documento cita o Acórdão nº 3875/2024, que determinou ao município a adoção de medidas para adequar o terminal às normas de acessibilidade, incluindo a implantação de dispositivos de sinalização visual e tátil.
O projeto será custeado com recursos do Fundo Municipal de Transporte Coletivo (Funtecom). O local recebe, aproximadamente, 17 mil pessoas diariamente, de acordo com a Administração Municipal.
Ex-secretária detalha projetos
O JB Litoral conversou com a economista e ex-secretária municipal de Serviços Urbanos, Christianara Rosa, que detalhou os processos em tramitação para a requalificação dos espaços e o valor disponível para as intervenções.
“As tarifas arrecadadas com as taxas de embarque, só podem ser gastas no terminal. Em 2024, não foi gasto nada. Então, acumulou todo aquele valor. Em 2025, também foi gasto muito pouco pela Secretaria, porque a gente tinha a ideia de fazer a reforma. Por isso que a gente deixou o dinheiro acumulado, para ter um montante maior”, explicou.
Christianara informou que o fundo do Terminal Rodoviário conta com cerca de R$ 2 milhões, resultado da arrecadação do ano corrente somada ao superávit dos anos anteriores. Já o Terminal Urbano possui em torno de R$ 400 mil. Ela acrescentou que, após consulta à Procuradoria e à Controladoria-Geral do Município, foi constatado que os recursos arrecadados com as taxas também podem ser utilizados em ambos os terminais.
Em relação ao andamento dos processos, Christianara disse que o projeto da Rodoviária já havia recebido autorização do prefeito e parecer favorável da Procuradoria-Geral do Município (Progem), seguindo para as providências necessárias à licitação. Já quanto ao Terminal Urbano, o projeto foi encaminhado à Comissão Permanente de Licitação (CPL).
Segundo ela, é necessário contratar empresas para ambas as intervenções porque o município não tem mão de obra suficiente para realizar os serviços.
Fundo de Transporte Coletivo Municipal existe desde 1996
A Lei Municipal nº 1.989, de 26 de dezembro de 1996, é a principal norma que organiza o sistema de transporte coletivo de passageiros de Paranaguá. Ela estabelece as regras para o planejamento, operação e fiscalização do transporte urbano e cria o Fundo de Transporte Coletivo Municipal (FUNTECOM), destinado a financiar melhorias no sistema.
Até obra sair do papel, patrulhamento noturno será intensificado
O secretário municipal de Segurança, Francisco Leudomar Nóbrega dos Santos,afirmou ao JB Litoral que a Prefeitura reforçou o policiamento no local, mas reconheceu que os problemas estão diretamente ligados às condições da estrutura. Segundo ele, desde o ano passado houve avanços, como a implantação da Muralha Digital.
“Nós sabemos que não é só a Muralha que resolve. A gente sabe que tem andarilhos, pessoas em situação de rua, e quem sofre é a população”, declarou.
De acordo com ele, a Secretaria já realizava o revezamento de viaturas no local e, após cobranças feitas na Câmara, decidiu ampliar a presença das equipes. “A partir de agora, na nossa troca de escala, haverá o plantão à noite também e reforço das viaturas para a gente melhorar o espaço, até que sejam ampliadas as obras aqui”, afirmou.
O secretário também destacou que a reforma prevista deve contribuir para melhorar as condições de trabalho dos agentes de segurança e que a solução para os problemas do espaço depende da atuação conjunta de diferentes áreas da Administração Municipal.
“Eu já trabalhei muito tempo aqui na rodoviária e sei as condições que tem aqui. É horrível. Até para a própria população utilizar, imagina para um profissional ficar 12 horas em um local desse. Eu acredito que, com a reforma, a gente vai ampliar cada vez mais a segurança”, destacou.