Programa recebe recicláveis em troca de alimentos e itens de higiene pessoal, em Paranaguá


Por Daniela Sevieri

Com a constante oscilação nos preços dos alimentos, ficou difícil garantir uma dispensa completa. Puxado por alguns itens, a exemplo do café, os custos com alimentação impactam diretamente no orçamento das famílias. Atualmente, um pacote de 500 gramas de café, por exemplo, não sai por menos de R$ 27,00 nas redes varejistas.

Mas, no programa Troca Solidária, o mesmo pacote de 500 gramas saiu por R$ 7,00, em julho. Segundo o Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), não foi o único alimento com preço convidativo. Um quilo de arroz saiu por R$ 2,50, mesmo preço do litro de leite. Já o óleo de cozinha fica R$ 3,50.

Foto 6 – TROCA SOLIDÁRIA
As comunidades pesqueiras são atendidas de barco. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

O projeto existe há 11 anos. Ele recebe materiais recicláveis dos interessados, faz a pesagem e, no lugar da venda, permite que o participante troque o valor correspondente por produtos com preços abaixo dos praticados no mercado.

A dona de casa Sandra Mara dos Santos participou do projeto pela segunda vez. Ela conta que trabalhou na Festa da Tainha e aproveitou o evento para juntar reciclável para a troca. Para ela, a economia faz toda a diferença no orçamento da casa.

Ajuda bastante e não fica entulho no quintal. É um bem que se faz tanto ao meio ambiente quanto às pessoas”, relata.

Sandra participou pela segunda vez: ela juntou reciclável todo o mês para garantir mais economia. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Como participar

Para participar, basta comparecer a um posto de troca com materiais recicláveis. O reciclado se torna moeda de troca. Então, os participantes chegam com garrafas pet, por exemplo, e podem trocar por um pacote de arroz.

A presidente da Associação de Recicláveis Nova Esperança, Silvia Paszko Zuzi, é quem recebe todo o material. Ela comenta que o projeto acontece tanto na Ilha de Valadares quanto nas Ilhas Pesqueiras, e chegam a recolher em torno de duas toneladas por mês.

Silvia é a presidente da Associação, ela explica que 1 kg de pet equivale a 25 garrafas, ou 75 latinhas. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

“Tem ajudado bastante a população com os alimentos, que têm um preço mais baixo que no supermercado”, confirma.

A dirigente ainda explica como funcionam as trocas. “Os participantes separam as garrafas pet ou embalagens de produtos de limpeza, que são outros tipos de plástico, papelão e vidro. Cada reciclável tem um valor. Então, nós mostramos qual valor será pago em cada embalagem e, no final da pesagem, gera um valor, que ele pode trocar pelo alimento”, detalha Silvia. Segundo a presidente, cerca de 75 latinhas correspondem a 1 kg de material — o mesmo ocorre com 25 garrafas. Já 7 kg de garrafas pet podem ser trocados por 500 gramas de café, e 3,5 kg valem 1 kg de arroz, feijão ou açúcar.

Atualmente, 150 famílias são beneficiadas com o Troca Solidária. Ao todo, são nove pontos de coleta ativos. Na ação realizada na última quarta-feira (30), foram três pontos na Ilha do Valadares: Itiberê, Ponto CRAS – Campo do Canarinho e Campo do Sete de Setembro.

Para o secretário regional da Ilha dos Valadares, Marcelo Dias, o projeto também auxilia o meio ambiente.

O secretário da Ilha dos Valadares, Marcelo Dias, está satisfeito com o projeto que leva comida à mesa e protege o meio ambiente. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Aquele material que ia ser descartado de forma incorreta, que poderia ir amanhã para uma rua, tampar um buraco e, em chuvas fortes, gerar uma inundação, está se transformando em alimento”, pontuou.

1/2 A equipe da Associação pronta para atender os participantes. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral
2/2 Bicicleta antiga, geladeira, cadeira de praia, tudo trocado por alimentos ou itens de higiene. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Desde o início do programa, 900 participantes foram beneficiados e em torno de 570 toneladas de materiais recicláveis tiveram a destinação correta.

De acordo com a TCP, o valor de troca nas próximas edições do evento deve aumentar devido à desvalorização dos materiais recicláveis.

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