Projeto Costurando Sonhos chega ao segundo ano com mais uniformes e economia aos cofres públicos


Por Diogo Monteiro e Flávia Barros

O “time” conta com mais de 60 profissionais treinados, a maioria composta por mulheres. Todos passaram por cursos profissionalizantes de costura industrial em 2023 e, atualmente, prestam serviço à Prefeitura de Pontal do Paraná como microempreendedores individuais (MEIs), na missão de confeccionar as 40 mil peças de uniformes escolares. As peças estão sendo entregues aos cerca de 4 mil alunos da rede municipal de ensino.

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Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Da capacitação à realização

Os MEIs integram o projeto Costurando Sonhos. A oferta dos cursos de capacitação e a formalização dos moradores da cidade como microempreendedores individuais contou com o apoio da Sala do Empreendedor e do Escritório de Compras, ambos mantidos pelo Município.

A iniciativa, além de gerar renda e trazer dignidade às dezenas de famílias, também gera economia aos cofres públicos. Para se ter uma ideia, em 2023, antes de o projeto ser colocado em prática, a aquisição de uniformes escolares foi feita por meio do modelo convencional, com a contratação de uma empresa sediada em Joinville (SC), que ganhou a licitação. O valor total dessa compra foi de R$ 1,5 milhão, com toda a produção sendo feita no Estado vizinho, com a aquisição de 32 mil peças.

Em 2024, primeiro ano do Costurando Sonhos, o Município investiu R$ 712.358 mil para a compra de tecidos, R$ 627 mil para o pagamento da mão de obra das costureiras e mais R$ 100 mil para o processo de corte e serigrafia, executado por outros seis MEIs locais. O valor total, mesmo com a produção de 8 mil peças a mais, ficou abaixo do ano anterior, R$ 1,439 milhão.


Economia de 10% por kit

Neste ano, para as mesmas 40 mil peças, a Prefeitura de Pontal do Paraná conseguiu manter o investimento próximo ao patamar de 2024: os tecidos custaram R$ 688 mil; R$ 685 mil custearam o trabalho das 27 costureiras locais e os mesmos R$ 100 mil do ano anterior foram para o corte e serigrafia das peças, totalizando R$ 1,473 milhão, uma economia de 10% por kit.

Segundo a Administração Municipal, o novo modelo de aquisição de uniformes escolares também trouxe outros benefícios, tais como:

Com a palavra, as mestras da costura

Ionara Lima, natural de Fazenda Rio Grande, reside há três anos em Pontal do Paraná. O convite para conhecer o projeto fez com que ela se redescobrisse profissionalmente e, hoje, sinta orgulho de sua trajetória confeccionando os uniformes escolares da cidade.

Ionara Lima utiliza o espaço em casa para produzir os uniformes escolares. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Eu já costurava. Fiz dois tapetes para mostrarem meu trabalho e, a partir disso, recebi o convite para iniciar as vendas na loja do Provopar [Programa do Voluntariado Paranaense]. Antes, dividia meu tempo entre as diárias e a costura. Hoje, me dedico exclusivamente à confecção”, relatou Ionara, em conversa com o JB Litoral.

Mesmo trabalhando em casa, ela atende à demanda dos uniformes e ainda consegue uma renda extra. Mas os planos não param por aí.

Meu sonho é comprar uma máquina industrial. Com o dinheiro que estou ganhando, já comecei a fazer algumas melhorias no meu ateliê, e espero em breve produzir um volume maior de peças”, comentou.

Célia Cidral também escolheu Pontal do Paraná para chamar de lar, há quatro anos. Ao procurar informações no Provopar, recebeu o convite para integrar a iniciativa.

Eu não tinha máquina em casa e, hoje, consigo costurar com custo zero, usando os equipamentos disponibilizados pelo projeto. Graças a esse trabalho, consegui concluir a reforma da minha casa. É um projeto maravilhoso e que não pode acabar”, contou a costureira.

Célia utiliza as instalações da Provopar para costurar. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Giro local

Na sede do Provopar, Célia e outras 25 mulheres se revezam para manter a produção dos uniformes escolares. São calças, bermudas, camisetas e agasalhos, tudo feito pelas profissionais que integram o projeto Costurando Sonhos.

O projeto começou quando usávamos retalhos para ensinar as mulheres. A partir da necessidade de confeccionar coletes, surgiu a ideia de produzir os uniformes. Capacitamos as costureiras e, em 2024, foram entregues 45 mil peças aos nossos estudantes”, explicou Francisca Moura, coordenadora do projeto.

Cada participante recebe, em média, 400 uniformes para confeccionar. O pagamento é feito por produção: ao final do lote, o valor é depositado.

Francisca Moura, coordenadora do projeto Costurando Sonhos, fala como o projeto funciona. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Para formalizar o trabalho, todas as mulheres, que antes costuravam de forma autônoma, se tornaram MEIs. Elas recebem os lotes e são remuneradas de forma justa. Isso devolveu a cada uma delas a dignidade”, reforçou Francisca.

A iniciativa já gerou uma economia de quase 400 mil reais aos cofres públicos. Os kits completos beneficiam diversas famílias, inclusive os filhos das próprias costureiras.

Como cada peça é produzida de forma artesanal, a secretária municipal de Educação, Cintia Mendes, ressalta o cuidado envolvido em cada detalhe.

Cada investimento em educação é um passo firme rumo a um futuro melhor. Estamos garantindo que nossas crianças tenham acesso aos materiais e ao vestuário escolar de maneira digna, ao mesmo tempo em que valorizamos a mão de obra local. O projeto gera oportunidades reais de trabalho e renda e fortalece a nossa economia”, destacou a secretária.

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