Relato de paciente mostra que câncer de mama não é sentença


Por Gabriela Perecin

Moradora de Paranaguá, Lorayne Miranda tem 34 anos e descobriu que estava com câncer de mama há um ano. Após o diagnóstico e tratamento de sua mãe e o histórico da doença também com uma tia, Lorayne notou a presença de um nódulo no seio, ao fazer o autoexame. No mês passado, ela fez sua última sessão de quimioterapia e contou ao JB Litoral como tem enfrentado o tratamento.

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Lorayne descobriu o câncer aos 33 anos após a mãe e a tia já terem o diagnóstico da doença. Foto: Gabriela Perecin/JB Litoral

A descoberta do câncer de mama aconteceu em setembro do ano passado. Depois de perceber a alteração da mama com o autoexame, ela fez uma ecografia, mas o médico que lhe atendeu não constatou nódulo, segundo Lorayne. Dois meses depois, ela sentiu um desconforto e procurou fazer a mamografia. Devido à idade, precisou de um encaminhamento médico para realizar o exame e, em seguida, a biópsia, que confirmou a presença de dois nódulos malignos no mesmo seio e linfonódulos debaixo da axila.

“Comecei meu tratamento dia 14 de abril deste ano, que foi a primeira sessão de quimioterapia. Foram seis meses de tratamento. O nódulo que tinha sete centímetros passou para quatro na primeira sessão. Já foi uma alegria saber que o tratamento estava dando certo”, contou Lorayne.

Cabeleireira, ela teve que lidar com a perda dos próprios cabelos e se reconhecer de novo no espelho. “A gente perde um pouco da identidade. Você vive um luto, porque você se olha no espelho e não se reconhece. Mas, o processo de quimioterapia, do tratamento, é mais doloroso do que a perda do cabelo”, disse. Lorayne é mãe de Pietra, de quatro anos, que tem dado forças para a mãe durante o tratamento.

Otimismo e esperança para vencer cada etapa

Foram oito sessões de quimioterapia e diversos efeitos colaterais. No entanto, as dificuldades foram superadas e Lorayne encara com mais otimismo e esperança a luta contra a doença, pois sabe que não foi só seu corpo que mudou, mas seu olhar sobre a vida.

“Eu tenho certeza de que esse processo que eu estou passando é um aprendizado na minha vida. A partir do momento que viramos mãe, esposa, que trabalhamos, acabamos nos deixando um pouco de lado. A prioridade é sempre os outros. Acredito que o intuito de eu ter passado por isso é o meu autocuidado”, afirmou Lorayne.

Informação salva vidas

O câncer de mama tem sido registrado cada vez mais em mulheres jovens, e a médica oncologista Andréa Arévalo, que atende na unidade do Hospital Erasto Gaertner, em Paranaguá, explicou ao JB Litoral sobre a predisposição para a doença.

O local atende mulheres como Lorayne e outras pessoas com diagnóstico de câncer para consultas com médicos, nutricionistas e psicólogos, além de sessões de quimioterapia.

Segundo a médica, a incidência do câncer aumentou nos últimos anos e o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres. Apesar de ainda ter menos pacientes abaixo dos 40 anos com a doença, proporcionalmente, esse número tem aumentado.

“Com certeza, isso tem a ver com o nosso estilo de vida. A mulher postergou a maternidade para depois dos 30 anos, e esse fator protetor da maternidade, do aleitamento materno, reduziu. A mulher está em um ambiente mais estressante, tem aumentado o consumo de álcool e tabaco, sedentarismo. Todos esses são fatores de risco para o câncer de mama”, explicou Andrea.

“A gente tem tido avanços importantíssimos dentro da oncologia, trazendo qualidade de vida para essas mulheres”, disse a médica oncologista Andréa Arévalo. Foto: Gabriela Perecin/JB Litoral

A médica também citou a alimentação inadequada como um fator que pode contribuir para o surgimento do câncer de mama em mulheres mais jovens. Segundo ela, porém, as mulheres estão mais conscientes sobre a importância da detecção precoce, e a campanha Outubro Rosa tem ajudado a ampliar a divulgação de informações e alcançar todas que precisam.

“A gente percebe que existe uma busca maior pelo oncologista nessa época. A intenção é fazer um exame de rastreio para detectar o tumor em um estágio que ele não é nem perceptível ao exame clínico e, após isso, fazer um tratamento com menos quimioterapia ou uma cirurgia menor. Há mais taxas de cura com o rastreio precoce”, informou a médica. Ela esclarece que a mamografia ajuda no diagnóstico precoce e aumenta as chances de cura.

Se a mulher tem predisposição ao câncer, com histórico da doença em outras mulheres na família, ela precisa adotar hábitos saudáveis, ter uma rotina com atividade física e procurar o mastologista a partir dos 20 anos”, completou a médica.

Diagnóstico e tratamento

A oncologista destaca, ainda, que o diagnóstico de câncer de mama não é sentença, pois cada vez mais os tratamentos têm apresentado resultados efetivos.

A gente tem tido avanços importantíssimos dentro da oncologia, trazendo qualidade de vida para essas mulheres, tempo de vida. Em alguns casos, a gente fica bem animado com as respostas aos tratamentos mais modernos. O medo do diagnóstico não pode ser maior do que a vontade de se tratar”, finalizou Andréa Arévalo.

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