O novo sistema de controle de acesso à Ilha do Mel, principal aposta do Governo do Paraná para modernizar a gestão da unidade de conservação e controlar o fluxo de visitantes, ainda não começou a funcionar. Apesar disso, o contrato de R$ 9.962.574,81 firmado pelo Instituto Água e Terra (IAT) com o Consórcio Ilha do Mel, em dezembro de 2025, já acumula mais de R$ 5,3 milhões em pagamentos registrados no Portal da Transparência do Estado até julho de 2026.

No último dia 22, representantes da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística (SEIL), do Instituto Água e Terra (IAT) e das prefeituras de Pontal do Paraná e Paranaguá participaram de uma reunião para conhecer a tecnologia que será utilizada no controle de acesso de moradores e turistas à ilha. Durante o encontro, a empresa responsável pelo contrato apresentou o andamento das adequações nos terminais e o funcionamento do sistema, que contará com bilhetagem eletrônica, validação por QR Code e monitoramento por câmeras.
Os equipamentos serão instalados nos terminais de embarque de Pontal do Sul e Paranaguá, além dos trapiches de Encantadas e Nova Brasília, permitindo o monitoramento, em tempo real, da entrada e da saída de visitantes.
A apresentação, no entanto, ocorre meses após a previsão inicialmente divulgada pelo próprio Governo do Estado para o início da implantação do controle de acesso.
Previsão era iniciar neste ano
Em março deste ano, o JB Litoral revelou que o Instituto Água e Terra havia decidido adiar a cobrança da futura taxa de permanência na Ilha do Mel após audiências públicas com as comunidades tradicionais. Na ocasião, o órgão informou que o controle de acesso começaria no segundo semestre de 2026, porém sem cobrança dos visitantes, que ficaria condicionada à conclusão das obras de saneamento.
À época, o IAT informou que o sistema seria implantado pelo Consórcio Ilha do Mel e utilizaria reconhecimento facial para controlar o fluxo de visitantes, ampliar a segurança, fortalecer a preservação ambiental e aprimorar a gestão da unidade de conservação.
Entretanto, quatro meses após as audiências públicas, o sistema ainda não entrou em funcionamento. A principal novidade anunciada foi a apresentação da tecnologia aos municípios que participam da gestão dos terminais aquaviários.
Contrato de quase R$ 10 milhões
O documento para a prestação de serviço foi homologado em 19 de dezembro de 2025, após a conclusão da Concorrência Eletrônica nº 109/2025, promovida pelo IAT.
O objeto prevê o fornecimento, a implantação, a operação, a manutenção e o suporte técnico de uma solução integrada de software e hardware destinada ao controle de acesso e à gestão da visitação da Ilha do Mel durante cinco anos (60 meses). Pelo cronograma contratual, a vigência segue até 18 de dezembro de 2030.
O Portal da Transparência estabelece uma previsão de pagamento em 60 parcelas mensais de R$ 166.042,91, iniciadas em janeiro deste ano e com previsão de continuidade até o fim da vigência do contrato.
No entanto, além dessa previsão mensal, a execução financeira do contrato já registra movimentações superiores.
Dados consultados pelo JB Litoral mostram que somente em 2026 já foram registrados mais de R$ 5,3 milhões (R$ 5.324.282,46) em movimentações financeiras relacionadas ao contrato. Entre elas, estão liquidações e pagamentos realizados entre abril e julho, incluindo registros individuais de R$ 1.169.725,78, R$ 572.512,62, R$ 245.362,56, R$ 155.399,34, além de outros lançamentos de igual e menor valor que, juntos, alcançam os R$ 5,3 milhões.
Os pagamentos aparecem vinculados tanto ao Consórcio Ilha do Mel quanto à empresa líder do grupo, a Imply Rental Locação de Equipamentos e Serviços Ltda., responsável pela representação do consórcio durante a contratação.
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Sem aumento de valor
Embora o contrato tenha recebido um termo aditivo em março deste ano, o documento não alterou o valor acordado nem o objeto da licitação.
O aditivo apenas regularizou a qualificação da empresa responsável, após a constituição formal do Consórcio Ilha do Mel, com CNPJ próprio, e adequou a cláusula de vigência aos limites previstos na nova Lei de Licitações, mantendo inalteradas as condições econômicas, o cronograma e a forma de execução dos serviços.
Novo modelo de gestão
O sistema integra o Marco Regulatório da Ilha do Mel, sancionado pelo governador Ratinho Junior (PSD) em 2025. A legislação estabelece um novo modelo de gestão da unidade de conservação, com previsão de limite de visitantes, controle eletrônico de acesso e futura cobrança de taxa de permanência para turistas.
Segundo o Governo do Estado, o sistema permitirá acompanhar em tempo real a ocupação da ilha. Atualmente, a capacidade operacional considerada é de aproximadamente cinco mil visitantes por dia. Com a implantação do novo modelo de controle, o limite técnico poderá chegar a até 11 mil visitantes diários.
A cobrança da taxa continua condicionada à conclusão das obras de esgotamento sanitário da Ilha do Mel, previstas pelo Governo do Estado para 2027.
O JB Litoral encaminhou questionamentos ao Instituto Água e Terra solicitando esclarecimentos sobre o percentual de execução do contrato, a previsão de início da operação do sistema e a composição das movimentações financeiras superiores a R$ 5 milhões registradas no Portal da Transparência. Até o fechamento desta edição, porém, o órgão ainda não havia se manifestado.
O que se pode afirmar, segundo o contrato disponível no Portal da Transparência do Estado, é que o documento prevê três formas distintas de remuneração, mas apenas uma delas representa desembolso direto do Estado.
Confira na tabela: