As tratativas entre o Governo do Paraná e o Instituto Superior do Litoral do Paraná (Isulpar) para a realocação dos alunos do Instituto Estadual de Educação Dr. Caetano Munhoz da Rocha Neto seguem sem definição.
O possível aluguel da estrutura ainda esbarra em questões contratuais, estruturais e financeiras, enquanto parte dos estudantes já iniciou o retorno gradativo às aulas presenciais em outros espaços.

O incêndio que atingiu o prédio histórico da instituição no último sábado (4) obrigou a reorganização emergencial das atividades. Desde quarta-feira (8), cerca de 100 alunos das turmas de formação de docentes voltaram às aulas presenciais nas dependências da Universidade Estadual do Paraná, local já utilizado anteriormente por esses estudantes.
Nesta quinta-feira (9), outras seis turmas de formandos, somando aproximadamente 270 alunos, também retomam as atividades presenciais no local, com prioridade para estudantes em fase de conclusão e preparação para vestibulares e o Enem.
Enquanto isso, a utilização da estrutura do Isulpar ainda depende da formalização de um acordo. O JB Litoral conversou com o diretor de graduação da instituição, Bruno Gasparini. Segundo ele, há interesse em colaborar.
“Antes de tudo, é importante destacar que se trata de um ato de solidariedade e de comprometimento com uma instituição de ensino coirmã. Receber esses estudantes seria um privilégio para nós”, afirmou Bruno ao JB Litoral.
Porém, ele destacou que o processo exige garantias legais e compensação financeira. “A cessão não será gratuita. É necessário prever os custos e garantir segurança jurídica, especialmente porque o ressarcimento ocorre posteriormente”, afirmou.
Além das questões contratuais, uma vistoria técnica do Governo do Estado ainda precisa ser realizada para validar a estrutura.
Adaptações internas
Paralelamente, a instituição já iniciou adaptações internas. De acordo com a diretora do Ensino Médio do Isulpar, Scheila Zukovski, a reorganização inclui mudanças na rotina dos próprios alunos da casa.
“Nós já realocamos nossas turmas para outro bloco e estamos organizando protocolos de horários e circulação para evitar conflitos entre os estudantes”, explicou ao JB Litoral.
Segundo ela, a possibilidade de compartilhamento do espaço também gerou diferentes reações entre as famílias.
“Alguns pais compreenderam e se sensibilizaram com a situação. Outros demonstraram preocupação com questões como segurança e bem-estar dos alunos durante esse período”, afirmou.
A direção também estuda a separação de horários de entrada e intervalo, além do uso isolado dos blocos, como forma de manter a organização caso o acordo seja firmado.
O que diz a Secretaria de Estado da Educação
Em matéria publicada pelo Governo do Estado, na tarde desta quarta-feira (8), a Secretaria de Estado da Educação do Paraná informou que as negociações seguem em andamento e que outras alternativas estão sendo avaliadas.
“A Seed-PR e o Isulpar ainda estão em tratativas para adequações estruturais necessárias para o acolhimento dos estudantes. A Secretaria mantém diálogo com outras instituições”, diz o comunicado.
O JB Litoral questionou o Estado sobre quais seriam essas outras instituições, mas, segundo o órgão, a informação ainda não foi divulgada.
O secretário da pasta, Roni Miranda, afirmou que o foco é garantir a retomada segura das atividades. “Estamos empenhados em garantir que os estudantes retomem as atividades com segurança e continuidade”, declarou.
Atendimento emergencial
Para os estudantes que ainda não retornaram ao presencial, não haverá aulas remotas. De forma temporária, estão sendo adotadas atividades pedagógicas emergenciais, com conteúdos via aplicativos no Ensino Médio e planos de estudo no Ensino Fundamental.
A alimentação, neste primeiro momento, também ocorre de forma adaptada, com a oferta de lanche seco até a normalização da estrutura.
Perícia e restauro
O prédio histórico atingido pelo incêndio segue isolado. A Polícia Científica do Paraná realiza a investigação das causas, com apoio do Corpo de Bombeiros do Paraná.
Após a conclusão do laudo, o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional será responsável por avaliar a estrutura e definir os próximos passos para o restauro do imóvel.