Nesta sexta-feira, 1º de maio, a população do Litoral do Paraná se prepara para a inauguração da Ponte de Guaratuba (Ponte da Vitória), a ligação histórica entre o município e Matinhos. A solenidade oficial de entrega está marcada para começar às 16h, seguida de um show de drones, fogos de artifício e luzes.
A montagem da estrutura preparada para o evento estava sendo finalizada na quinta-feira (30), véspera do feriado nacional, com a visita técnica do governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), na estrutura.
A população poderá acompanhar a inauguração em pontos privilegiados na Prainha e em Caieiras. A estrutura será liberada para circulação de pedestres após o ato oficial para autoridades.
Liberação para pedestres e veículos
O acesso à Ponte de Guaratuba será liberado para ciclistas e pedestres a partir das 3h da madrugada deste sábado (2), devido a Maratona Internacional do Paraná (MIP), que acontece a partir das 6h.
O trânsito de veículos será liberado parcialmente às 11h30 de sábado, após a desmobilização do primeiro dia da prova, com a presença do governador Ratinho Junior. Os carros poderão utilizar a travessia até as 5h de domingo (3), quando a ponte será novamente fechada para a realização do segundo dia da Maratona.

A liberação definitiva do tráfego para pedestres, ciclistas e veículos está mantida para o domingo, às 10h, após o encerramento das provas, conforme programação oficial. O trânsito será organizado pelo Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), por agentes de trânsito do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR) e pelos organizadores da maratona.
Vale ressaltar que, até a liberação completa da ponte, a travessia por ferry boat na Baía de Guaratuba segue funcionando normalmente.
Monumento é revelado
O monumento que seria revelado durante a solenidade, conforme anunciado previamente pelo Governo do Estado, foi apresentado já na manhã de sexta. Trata-se de um painel artístico em concreto de 7 metros de largura por 4 metros de altura, formado por mais de 700 azulejos em cerâmica.
Localizado na cabeceira da ponte do lado de Guaratuba, o painel é assinado pelo artista curitibano Simon Taylor, que teve um dos seus desenhos feitos em nanquim e aquarela ampliados para o monumento, preservando traços leves e cores suaves.
“Eu já sabia que a ponte seria um divisor de águas, mas quando fui levar as cerâmicas que eu de fato percebi como ela vai trazer uma mudança muito grande na vida dessa região e até na vida econômica do Estado. A arte serve para valorizar e colocar numa escala a percepção das pessoas sobre a importância das coisas”, refletiu.
A execução do painel é do artista Lenzi Jr., responsável por dar forma definitiva ao projeto e garantir a durabilidade como monumento permanente. O processo para tirar a obra do papel levou cerca de um mês de trabalho minucioso, em que cada azulejo, depois de pintado, passava por um período de queima que levava sete horas.
Trabalhadores já comemoram entrega
A construção da Ponte de Guaratuba chegou a ter mais de mil trabalhadores atuando simultaneamente. Entre eles estavam pedreiros, carpinteiros, operadores de máquinas, armadores e soldadores, da própria cidade ou de outras partes do Brasil, na força-tarefa para entregar a obra dentro do cronograma.
Agora, no Dia do Trabalho, eles comemoram a entrega e relembram a trajetória da construção que vai mudar a cara do Litoral do Paraná. Entre eles está o morador em Guaratuba há 15 anos, Abrão de Oliveira, carpinteiro presente na obra desde o início, em abril de 2024.
“Muitas vezes eu passei perrengues aqui, indo para Paranaguá, encarando a fila da balsa. A ponte foi um bom projeto tirado do papel. Há muitos anos estávamos esperando por isso”, conta, orgulhoso por participar de um momento histórico para a cidade que o recebeu há mais de uma década.
Também há aqueles que deixaram suas casas para atuarem na obra. O encarregado de montagem, Alessandro Barreto, saiu de Itumbiara, em Goiás (cerca de 1,2 mil km), especialmente para trabalhar na Ponte de Guaratuba.
“Por incrível que pareça, essa é a minha primeira ponte. Eu trabalhei a minha vida inteira em usinas hidrelétricas, então essa foi a primeira oportunidade que tive de trabalhar em uma estrutura como essa. A diferença é que aqui eu trabalho dentro do mar. Trabalhar na terra a gente já está acostumado. No mar foi a primeira vez, então achei mais interessante”, destacou Alessandro.