Viação Rocio quita parcelas de dezembro, mas outras reivindicações fazem greve persistir


Por Cleverson Teixeira

Motoristas da Viação Rocio, empresa responsável pelo transporte coletivo de Paranaguá, estão há mais de 20 dias mantendo a paralisação, que foi iniciada no dia 14 de janeiro. A categoria reivindica pagamento dos salários, além de manutenção nos veículos e uniformes apropriados para o trabalho. A empresa conta com 155 funcionários e, desses, 97 são profissionais do volante. No dia 4 de fevereiro, o advogado da Rocio conversou com os trabalhadores, para entrarem em um acordo para a quitação salarial do último mês de 2020.

Segundo o presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários e Anexos de Paranaguá (Sindicap), Josiel Veiga, a Viação Rocio fez os pagamentos ainda na tarde do dia 5. “Foram depositadas, ontem (5), as duas parcelas que faltavam do nosso pagamento de dezembro e os 25% que eles falaram que não iam pagar, mas pagaram”, afirmou.

Mesmo com o recebimento desses valores, a greve continua. Ainda conforme Josiel, outras situações precisam ser resolvidas para que os ônibus voltem a circular pela maior cidade do litoral paranaense. “Agora, a luta é pelo nosso salário de janeiro, para recebermos em fevereiro, porque não nos pagaram. Queremos, também, o vale-alimentação e as horas extras que ficaram pendentes. Tem funcionário que tem até 200 horas para receber”, complementou.

Segundo os motoristas, a Viação Rocio alega passar por problemas financeiros, ocasionados pela queda de passageiros durante a pandemia. Outro motivo, de acordo com Josiel, seria o fato de a prefeitura ter suspendido a compra do cartão-transporte, que são destinados aos servidores do órgão municipal. “A empresa diz que o prefeito parou de comprar os vales-transportes dela. Eles adquiriam e entregavam para os servidores esses vales. Eu não sei qual é o motivo, mas não há mais essa compra. A Rocio fala que o dinheiro do vale-transporte era para ajudar no salário dos trabalhadores. Então, agora, com toda essa questão, ela pede uma ajuda do poder público”, concluiu o presidente do Sindicap.

Levantamento de custos

Na manhã de sexta-feira (5), foi realizada uma reunião, na sede do Poder Executivo, em Paranaguá, para apurar os custos necessários que a Viação Rocio tem durante a sua operação na cidade. O levantamento foi feito pela Comissão de Estudos, Avaliação, Auditoria e Verificação da situação econômica do serviço de Transporte Público e Urbano do município, onde estiveram presentes, o prefeito Marcelo Roque (Podemos), vereadores e secretários municipais.

Na pauta, foram comparados os valores apresentados pela empresa e os números detectados pela Comissão Técnica da prefeitura. Durante a análise de custo de operação, foi exposta uma diferença de R$ 543 mil entre o valor repassado pela Rocio, que é de R$ 1,5 milhão, e o calculado pela prefeitura, o qual chegou a R$ 957 mil.

As avaliações, segundo a Superintendência de apuração do órgão, foram feitas com base nas planilhas e nas normas do edital de concessão. Em acordo com a Viação Rocio, a prefeitura fez a contagem levando em consideração os custos de operação, administrativos e das folhas salariais.

Viação Rocio pede subsídio de mais de 775 mil

Conforme a prefeitura, a empresa de ônibus solicitou um subsídio, que é um auxílio fornecido pelos governos federal, estadual e municipal, para ajudar pessoas ou organizações que passam por dificuldades financeiras. Ainda segundo a administração municipal, devido aos estudos realizados pela Comissão do Executivo, o valor pretendido passa de R$ 775 mil. 

“Foram dados os números, chegamos no montante de R$ 226 mil. Se tiver uma arrecadação maior, o repasse vai ser menor. Cerca de R$ 930 mil é o custo da operação. Eles estavam arrecadando em torno de R$ 230 e R$ 250 mil. Então, é por meio dessa diferença que a prefeitura vai fazer o subsídio. Vamos mandar um projeto de lei para a Câmara, autorizando cobrir esses custos. Isso se a empresa entender que são esses números. Todos os dados apontados pelos nossos técnicos mostram que os valores são esses. Vamos notificar a empresa com relação a isso. Caso ela aceite, levamos para a Câmara”, disse o prefeito Marcelo Roque à imprensa, na tarde de sexta-feira (5).  

O prefeito aproveitou para destacar que o subsídio não está relacionado ao aumento de tarifa. Conforme Roque, essa questão está judicializada. “Deixamos de lado as tarifas. Entendemos que o aumento não é devido. Isso está na justiça. Mas também entendemos que o país passa um momento difícil na pandemia. E, durante o ano de 2020, houve, sim, a queda de passageiros e isso atrapalhou também a própria empresa”, finalizou.

O que diz a Viação Rocio

O JB Litoral entrou em contato com a Viação Rocio, para saber se a empresa aceitou os valores apresentados pela Prefeitura Municipal de Paranaguá. Até o fechamento desta edição, o Departamento de Jornalismo não conseguiu contato com a direção do estabelecimento de transporte público.

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