Comerciantes esbarram na burocracia e sobra dinheiro em linhas de crédito

por Redação JB Litoral
24/12/2020 09:43 (Última atualização: 24/12/2020)

Pandemia fez com que o governo federal e instituições financeiras aprovassem medidas para a liberação de empréstimos. Foto: Geraldo Bubniak/AEN

Por Marinna Protasiewytch 

Em julho, por conta da pandemia do novo coronavírus, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil começaram a ofertar linhas de créditos emergenciais para atender os pequenos empreendedores. Chamada de linha de crédito do Programa de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) tem taxa de juros anual calculada pela Selic, na época do lançamento em 3%, mais 1,25% sobre o valor concedido. Além dessa opção, dezenas de outras surgiram, como a linha disponibilizada pela Fomento Paraná em parceria com o BNDES. 

No entanto, o que era para facilitar a vida do empresário acabou demonstrando que não haveria facilidade alguma para passar pela burocracia. Por isso, sobraram verbas liberadas, como os cerca de R$ 9 bilhões do Programa Emergencial de Acesso ao Crédito (PEAC) Maquininhas, que contava com a facilidade da carência de seis meses e prazo de 30 meses para a quitação, além de juros de 6% ao ano. 

Amberson Silva, consultor do SEBRAE, explica que tem ocorrido uma intensificação do atendimento para orientar os empresários. “Aquelas empresas que precisam de financiamento, nós buscamos entender o fluxo de caixa e a questão financeira, para que essa empresa possa tomar a decisão de buscar o crédito ou não. Algumas vezes, a melhor solução acaba sendo uma renegociação com um banco ou até com um fornecedor”, detalha o consultor. 

Burocracia barra o interesse 

“Nós temos uma solicitação, já de longa a data, para a Fomento Paraná diminuir a burocracia e facilitar o acesso ao crédito. A questão documental exigida é tão grande que acaba inviabilizando, nós sabemos a realidade do empresário hoje e, principalmente em época de crise, obviamente que ele não está com todos os seus tributos pagos, justamente por isso que ele está indo buscar o crédito”, explica Adriano Menine, presidente da Associação Comercial de Matinhos (ACIMA).  

Entre as requisições do sistema financeiro, que levaram os pequenos empresários a desistirem de tentar o crédito, estão a incompatibilidade com a renda e com a condição de microempreendedor individual (MEI), além de endividamento e CPF negativado. 

Empresária do ramo alimentício, Barbara Krenk viu a sua renda cair drasticamente durante a pandemia. Com uma loja movimentada pelo turismo, a empresária percebeu o local esvaziar e as contas continuarem chegando, o acesso ao crédito chegou via instituição financeira privada, que contribuiu para a liberação rápida do dinheiro, além de contar com juros abaixo dos oferecidos pela Fomento Paraná.  

“Conhecemos o PRONAMPE por recomendação do gerente da minha conta jurídica. Após análise, decidi dar continuidade no pedido, devido à facilidade e à taxa de juros ser muito inferior do que as outras opções que tinha na época. Não tive nenhum problema e o crédito solicitado estava disponível no mesmo segundo em que assinei o contrato. Sem dúvidas, foi algo que me trouxe um certo alívio no início da pandemia no Brasil. Lembro que o fomento tinha algo em torno de 16% ao ano, meses de burocracia e cobrança de algumas taxas extras para a liberação do crédito, contou Bárbara Krenk. 

A empresária ainda fez questão de destacar que o contrato fechado contou com “menos de 4% de juros ao ano, zero burocracia e todo o trâmite entre entrada do pedido e assinatura do contrato levou 48 horas”. 

Para o Pronampe, foram liberados R$ 32,8 bilhões em todo o Brasil, segundo o Ministério da Economia. Já a Fomento Paraná anunciou que até o fim de outubro mais de R$ 555 milhões foram concedidos por meio de créditos pela instituição. “O volume de operações é tão grande que, pela primeira vez, em 21 anos de história, a instituição consumiu totalmente os limites de crédito estipulados pelo BNDES para repasse de recursos”, destacou o diretor-presidente da instituição, Heraldo Neves.  

Segundo um levantamento da própria Fomento Paraná, Paranaguá está entre as principais cidades que fecharam contratos para a linha de crédito. Ao todo foram 220 negociações firmadas e R$ 3.492.690,84 no município litorâneo. Curitiba esteve em primeiro lugar, com 3.070 contratos fechados, movimentando mais de R$ 63 milhões.

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