Porto de Paranaguá

Comitiva da África Austral apresenta rota atrativa de negócios ao porto de Paranaguá

Porto de Walvis Bay, na Namíbia, está de frente para o porto de Paranaguá, sendo a menor rota entre a região africana e o Brasil
Por Luiza Rampelotti
15/07/2022 16:15 |
Atualizado em 16:18

Na quarta-feira (6), uma comitiva do Walvis Bay Corridor Group (WBCG), uma parceria público-privada (PPP) à frente da promoção e desenvolvimento dos portos de Walvis Bay, na Namíbia (África Austral), esteve em Paranaguá. Na ocasião, o CEO, Mbahupu Hippy Tjivikua, e o representante de negócios do grupo no Brasil, Ricardo Latkami, estiveram na redação do JB Litoral falando sobre a busca pelo estreitamento das relações entre o Paraná e a África Austral.

Latkami explica que o Walvis Bay Corridor Group é uma organização múltipla do governo da Namíbia e que congrega instituições governamentais, privadas, como operadores e agentes de cargas, e associações sem fins lucrativos. “Somos parecidos com a empresa pública Portos do Paraná, pois somos do governo e promovemos o porto da Namíbia”, diz.

A visita ao Brasil, especificamente ao Paraná, tem o objetivo de promover a Namíbia como a entrada mais importante dos produtos produzidos no Estado para a África Austral (cerca de 12 países, com mais de 350 milhões de habitantes). “O porto de Walvis Bay está de frente para o porto de Paranaguá. Ou seja, o lugar mais industrializado e mais próximo dessa região da África, que tem 350 milhões de habitantes, é o Paraná”, comenta Ricardo.

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Ricardo e Mbahupu estiveram na redação do JB Litoral falando sobre a expectativa de negócios com os portos paranaenses. Foto: JB Litoral


Possível rota atrativa para negócios


A intenção é mostrar para os produtores rurais ou empresários que possuam fábricas de qualquer tipo de produto, e que queiram explorar um novo comércio naquela região, que é possível realizar a exportação dos itens. O representante de negócios destaca que a ideia é interconectar produtores e exportadores ao comércio da África Austral. 

Na terça-feira (5), Mbahupu e Ricardo estiveram no Palácio Iguaçu com o secretário estadual de Agricultural, Norberto Ortigara e, na quarta-feira (6), fizeram uma visita ao porto de Paranaguá. Segundo eles, a busca é por um acordo de cooperação com o Estado.

Somos o melhor e mais inteligente ponto de entrada para a África Austral. Nossos corredores são conhecidos por serem rotas de negócio muito atrativas e estamos nos tornando a mais preferida rota de comércio”, diz o CEO Mbahupu.

Em sua visão, chegou o tempo de a África Austral aumentar as relações comerciais com o Brasil. “O Brasil é bem industrializado e desenvolvido, então podemos importar muitas coisas do país, de produtos agrícolas a equipamentos. Também gostaríamos de promover o suporte técnico para o Brasil, e cooperar na produção agrícola local”, comenta.

Benefícios da parceria


Com essa relação, o porto de Walvis Bay ganharia com a diminuição do custo médio dos produtos, uma vez que ao importar itens do Brasil, poderia exportar outras mercadorias para o país e vice-versa. “Países ligados à Namíbia e que não têm acesso ao mar são produtores de cobre, que para a indústria eletrônica e automobilística do Paraná é maravilhoso. Também temos o sal mineral, que é um alimento para gado muitíssimo importante e de altíssima qualidade, servindo muito bem para o gado premium, que é criado aqui. Além disso, temos o peixe reiki, pescado no Oceano Atlântico e a Corrente de Benguela faz com que a qualidade seja muito boa. A ideia seria que esse produto fosse registrado pelo Paraná para consumo humano e importado direto. Isto é, temos vários produtos para exportar para cá, indo com contêineres refrigerados de frango, porco e carne, e voltando com peixe, sal mineral, cobre etc. Com isso, o frete médio cairia pela metade, impactando no valor final dos produtos”, explica Mbahupu.

Ele destaca que o importante, no momento, é criar conhecimento para que as empresas paranaenses tenham acesso a esse mercado diretamente. Além disso, também informa que, recentemente, Walvis Bay deu início à importação de açúcar pelo porto de Paranaguá e pretende diversificar sobre tudo aquilo que está sendo importado para a África Austral.

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De acordo com a empresa pública Portos do Paraná, saindo pelo porto de Paranaguá, o frango é o principal produto de exportação com destino ao país africano. No primeiro semestre de 2022, foram quase 8 mil toneladas do produto exportado para a Namíbia; em 2021, durante todo o ano, 12,1 mil toneladas.

Visita ao porto de Paranaguá


Após a entrevista ao JB Litoral, Mbahupu Hippy Tjivikua e Ricardo Latkami se reuniram com a equipe da Diretoria de Desenvolvimento Empresarial da Portos do Paraná. Na pauta, estava a estrutura e as operações do porto e, ainda, uma visita ao cais para compreensão da eficiência e produtividade da atividade portuária no Paraná.

O que percebemos é que o grupo quer ter os portos paranaenses como exemplo a ser seguido para desenvolver os portos africanos. Além disso, eles buscam conexões que visam criar novas oportunidades de negócios – estabelecendo um elo entre os dois países – Brasil (pelo Paraná) e Namíbia”, comenta o diretor empresarial André Pioli.

Segundo ele, a empresa pública está sempre aberta e disposta à colaboração. “Esperamos que essa visita de cortesia abra portas para o desenvolvimento do Estado e seus produtores. E que possamos seguir cooperando para a melhoria da logística mundial”, conclui.

Porto de Walvis Bay

O porto de Walvis Bay é o maior porto comercial da Namíbia, recebendo, aproximadamente, 3 mil escalas de navio por ano e movimentando cerca de 5 milhões de toneladas de carga, de acordo com a empresa estatal Namport (Namibian Ports Authority).

Além disso, a empresa afirma que o porto atende a importação, exportação e transbordo de contêineres, bem como a granel de diversas commodities. A Namport atende às indústrias de petróleo, sal, mineração e pesca, sendo que o sal a granel e ensacado são exportados pelo Walvis Bay.

O porto passou por um plano de expansão de 40 hectares, tornando sua capacidade máxima de recebimento de 1 milhão de contêineres. Ele ainda está em conformidade com o código International Ship and Port Facility Security (ISPS).