Corex dá pontapé inicial para cravar novos recordes com o escoamento da próxima safra

por Redação JB Litoral
15/12/2020 17:29 (Última atualização: 15/12/2020)

As ações de manutenção e melhorias do Porto de Paranaguá priorizam ganho de eficiência

Por Magaléa Mazziotti

Planejamento logístico impacta no valor de todos os produtos pagos pelos consumidores. No Brasil, com seus gargalos conhecidos, como a alta dependência do transporte rodoviário para o escoamento de cargas (acima de 80%), o preço final das mercadorias sofre, em média, um acréscimo de 30%. Sendo assim, qualquer medida, com o objetivo de melhorar isso, afeta diretamente o bolso de cada um, inclusive a “parada” de manutenção e melhoria de eficiência do Corex (Corredor de Exportação do Porto de Paranaguá), que inicia nesta semana.

O trabalho envolve a Portos do Paraná em parceria com a Aocep (Associação dos Operadores Portuários do Corex) e a Atexp (Associação dos Terminais do Corredor de Exportação de Paranaguá) visando atender a demanda da safra brasileira que começa a ser colhida em janeiro de 2021. A diretoria de Engenharia e Manutenção da Portos do Paraná ressalta que a manutenção, ao longo deste mês, se dará com paradas alternadas de modo a não paralisar o Corex totalmente. Na faixa, a manutenção dos equipamentos será iniciada pelo berço 212, por um período de 10 dias, após, o berço 214, por 25 dias, e o berço 213, por 34 dias. Segundo a diretoria, “as paradas programadas para manutenção dos equipamentos são fundamentais, pois asseguram as metas de volume de produtos embarcados, performance eletromecânica de equipamentos, custos operacionais e produtividade”.

Bastidores da manutenção

Confira o que está programado para esta “parada” de manutenção do Corex, quais contratos e quem são as empresas contratadas.

 1) Pelo contrato de nº 130/2020, a empresa Fôrma e Fórma Indústria Metalúrgica LTDA irá executar as seguintes ações:

– Serão realizados serviços de lubrificação de mancais, motores, redutores, articulações e cabos de aço;

– Manutenção mecânica envolvendo substituição de cavaletes, roletes, borracha para raspadores e aparas, correias transportadoras, tratamento anticorrosivo em guarda-corpo, substituição de cabos de aço, revisão mecânica em mancais, revestimento em tambor;

– Alinhamento a laser de conjunto motorizado;

– Substituição de moto redutor eletroímã e mancal nos equipamentos do setor leste do Corex, que é composto por seis linhas de carregamento e seis shiploaders em três berços de atracação: o 212, o 213 e o 214;

– Também será realizada a manutenção preventiva das rodas do tripper e manutenção preventiva nos freios hidráulicos e freios eletromagnéticos;

– Serão substituídos 19 dutos de descarga do Corex e a manutenção de outros 16 dutos dos transportadores de correia, denominados de “TC1” e “TC2” (linhas 1 e 2), afim de otimizar o escoamento dos produtos transportados pela linha de expedição, garantindo maior eficiência do sistema.

2) Pelo contrato nº131/2020, a empresa Gaesan Engenharia e Consultoria Técnica realizará a manutenção preventiva e corretiva de subestações de energia.  Também terá que instalar tapetes isolantes nas subestações do Corex, no setor leste, composto por seis linhas de carregamento e seis shiploaders em três berços de atracação: 212, 213 e 214.

3) A Atexp responde pela reforma do shiploader 4, que inicia nesta segunda-feira (dia 7) e segue até domingo (dia 13). Será uma reforma geral do conjunto de translação e recuperação estrutural com adequação à NR12.

Sem afetar o escoamento da safra

Em nota, a Atexp explicou que o foco principal será a recuperação do shiploader 4 e dutos de descarga das linhas 1 e 2, referentes ao berço 213, o chamado “superberço”. Já a Aocep, também por nota, assegurou que o objetivo é que a manutenção seja feita dentro de um prazo que não afete a operação e que deixe tudo preparado para o escoamento da próxima safra. “Assim como o produtor rural brasileiro, da porteira para dentro, se supera a cada nova safra com ganhos de produtividade e eficiência, o Porto de Paranaguá também se dedicou a acabar com um passado recente de filas e encarecimento dos custos, por conta de atrasos nos embarques e desembarques das mercadorias. Esses ganhos de eficiência tentam amenizar o custo Brasil que ainda é muito elevado em função das perdas na ligação entre os locais de produção e o escoamento”, aponta o doutorando em estratégia, mestre em internacionalização e coordenador do curso de Comércio Exterior da Universidade Positivo, João Alfredo Lopes Nyegray.

Para ele, o planejamento logístico impacta sobremaneira no valor final dos produtos pagos pelo consumidor. “Embora a definição do valor das mercadorias seja determinada entre exportadores e importadores, nessa busca por se reinventar todo o dia, o Porto de Paranaguá contribui para os negócios ao fazer bem a sua parte. Já existem planos, em Paranaguá, para se construir berços que vão permitir a ancoragem de mais navios ao mesmo tempo. Assim como as sucessivas dragagens visando o aumento do calado, para permitir que navios maiores parem ali, também ajudam nos negócios e todos se beneficiam”, afirma.

Mais da metade da safra brasileira de 2021 já está vendida

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A inédita importação de soja, pelo Porto de Paranaguá, traduz o bom momento para a exportação

A produção brasileira de grãos, na safra que começará a ser colhida em janeiro, deve atingir 268,94 milhões de toneladas, o que representa 11,9 milhões de toneladas, ou 4,6% a mais, do que a temporada anterior. Com isso, o Brasil caminha para bater novo recorde na produção, segundo levantamento da Conab. As vendas da próxima safra de soja do Brasil ultrapassaram, em outubro, 50% da produção, com 65,65 milhões de toneladas comercializadas, considerando a intenção de plantio para a nova temporada. Segundo a consultoria Datagro, as vendas da safra que será colhida em 2022 também começaram a ser registradas no país, e já avançam para 20% de comercialização.

Do total produzido neste ano, pelo Corex, segundo a assessoria de imprensa da Portos do Paraná, de janeiro a novembro, foram exportadas 19,46 milhões de toneladas de grãos de soja (em grão e farelo), milho e trigo.

Eficiência é antídoto do agro frente aos problemas internos e à pandemia

O foco na eficiência da operação portuária e no campo só confirma o maior clichê sobre a força do agronegócio brasileiro de que é o “Brasil que dá certo”. Isso, na avaliação do mercado, blinda o país e, principalmente, as relações comerciais com os países compradores, como a China. “Brasil, EUA e Argentina produzem, juntos, 80% da soja consumida no mundo. Então, não é uma fala despreparada do filho do presidente que fecha o mercado por conta da liderança que nosso país ocupa no que envolve a missão de alimentar o mundo. Isso não se restringe à soja, já que também somos uma potência na produção de proteína animal”, explica Niegray.

Ele também considera que essa condição, somada à tecnologia embarcada na produção agrícola, blindou o país e a principal força motriz da balança comercial brasileira de serem afetados pela pandemia. “Essas máquinas agrícolas fantásticas, que fazem plantio e colheita praticamente sozinhas, com muita tecnologia, conseguiram manter e seguirão com a operação em segurança, sem aglomerações e garantindo alimentos e receita para o nosso país”.

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Também não há o que se preocupar com a notícia da primeira operação de importação de soja no Porto de Paranaguá com o navio Discoverer, trazendo 30,5 mil toneladas do produto, o maior volume comprado pelo Brasil dos EUA, para abastecer o mercado interno brasileiro. “O Brasil é um gigante na produção de soja, mas o preço do produto no mercado internacional, aliado às vantagens cambiais, fez com que praticamente toda a produção deste ano fosse vendida ao exterior. Com isso, foi necessário importar o grão para atender a demanda interna”, explicou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia. Segundo especialistas de comercialização agrícola, em abril, será a vez dos EUA importarem soja, já que também esvaziaram seus estoques.

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