Aos 142 anos, Estação Ferroviária de Alexandra está prestes a se tornar palco de atividades culturais e educacionais


Por Gabriela Perecin

Um protocolo de intenções, assinado no último dia 30 de julho, entre a Rumo Malha Sul S.A. e a Prefeitura de Paranaguá promete ser o início da nova história da Estação Ferroviária de Alexandra.  Na prática, o documento permite que a Secretaria de Cultura e Patrimônio Histórico (Secultur) inicie o processo de revitalização do espaço que, atualmente, está sem uso.

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A estação está vinculada à história da centenária Estrada de Ferro Paranaguá-Curitiba. Foto: Moysés Zanardo

A ideia é que a estação seja um local para atividades culturais e educacionais, a exemplo do que já acontece com a Estação Ferroviária na área central da cidade. E para quem está com saudades ou nunca viu o vai e vem de passageiros no espaço, a Secultur também tem planos de tornar o local ponto de parada do trem de turismo.

Passo a passo para que o espaço seja administrado pela Prefeitura

A estação está sob concessão da Rumo Malha Sul S.A., empresa que assumiu a gestão da malha ferroviária em 2015. De acordo com a Prefeitura de Paranaguá, a cessão deve ser oficializada em, aproximadamente, 40 dias (a contar da data do anúncio). A cessão será provisória, enquanto tramita o processo para a transferência definitiva do imóvel ao Município, junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

O prefeito de Paranaguá, Adriano Ramos (Republicanos), ressaltou a importância histórica do local e o potencial de fazer da Estação um ponto turístico, tal qual existe em Curitiba.

“Queremos transformar Alexandra em uma Santa Felicidade do Litoral”, disse o prefeito de Paranaguá, Adriano Ramos. Foto: Moysés Zanardo

Representa um tempo em que os trilhos uniram sonhos e destinos, aproximaram comunidades e impulsionaram o desenvolvimento da nossa região. Cuidar desse patrimônio faz parte do nosso Plano de Governo e é um marco para nossa gestão. Queremos transformar Alexandra em uma Santa Felicidade do Litoral”, afirmou o prefeito, em alusão ao bairro da capital paranaense que foi fundado por imigrantes italianos. O bairro Alexandra, em Paranaguá, foi a primeira colônia italiana do Paraná.

A Rumo também se mostrou disposta a conceder o espaço e a colaborar com o processo.

Estamos engajados e à disposição para colaborar com a Prefeitura. Se o imóvel não está sendo usado na operação ferroviária, a melhor destinação é para a população. Esse movimento simboliza uma parceria importante, que valoriza a memória ferroviária e dá nova utilidade pública ao espaço“, disse Mônica Braga Cortes, especialista em Relações Governamentais da Rumo.

Em entrevista ao JB Litoral, o secretário municipal de Cultura e Patrimônio Histórico (Secultur), Ivan Lapolli, afirmou que a Administração Municipal tem interesse no imóvel pela importância histórica e arquitetônica.

O secretário municipal de Cultura e Patrimônio Histórico (Secultur), Ivan Lapolli, detalhou o projeto. Foto: Moysés Zanardo

A estação, quando cedida, será um espaço multiuso de Cultura, Serviços e Educação. O interesse vai também aos anseios turísticos no futuro. A gente já consegue, também, com essa cessão, nos habilitar junto ao DNIT para que a estação fique para o Município. Ela mantém quase 100% de originalidade”, lembrou Ivan.

Ele ainda destaca a intenção de retomar as viagens de trem no ramal Morretes-Alexandra para potencializar o turismo na região.

Primeiro eu tenho que ter a estação para depois fazer um projeto de desenvolvimento para aquela comunidade, para que possa ter atrativo turístico. O primeiro atrativo já é uma estação quase que original, de época”, disse o secretário.

Projetos previstos para outros prédios históricos

De acordo com informações da Secultur, a Prefeitura tem 63 imóveis no Centro Histórico e área de proteção, entre praças, escolas, trapiches e mercados, que estão sob os cuidados da Secretaria. Entre eles estão: a Estação Ferroviária, Casa Cecy, Casa Elfrida Lobo, Teatro Rachel Costa, Palacete Gebran (administração), Monsenhor Celso, Brasílio Itiberê, Palácio Visconde de Nácar, Casa Dacheaux (Unespar) e Mercado do Artesanato.

Lapolli antecipou o que está previsto para alguns desses espaços. Segundo ele, há um projeto pela Caixa Econômica para o Mercado do Artesanato pré-aprovado pelo IPHAN. Já para o Palácio Visconde de Nácar, o secretário explicou que existe a necessidade urgente pelas autoridades municipais e estaduais de contribuir com a revitalização. Além da intenção de firmar uma parceria público-privada para a restauração do prédio histórico que abrigou a Prefeitura e a Câmara de Vereadores de Paranaguá.

Para o Teatro Rachel Costa tem uma verba direcionada pelo Governo do Estado. O projeto de atualização já foi feito pela equipe técnica do Teatro Guaíra de Curitiba. Estamos esperando uma visita técnica do corpo de arquitetura e engenharia do Guaíra para finalizar o projeto”, detalhou Ivan Lapolli.

O teatro foi interditado em janeiro deste ano pela Prefeitura de Paranaguá, com a alegação de que o local não possui condições de receber eventos ou espetáculos devido a diversos problemas estruturais. “Há goteiras em várias alas do prédio, incluindo as salas de acesso, o auditório, coxias e áreas destinadas a guardar figurinos e materiais de iluminação”, informou, à época, a gestão.

Histórica e “placa preta”

Se fosse um veículo, certamente a Estação de Alexandra estaria apta a receber a placa de cor preta, concedida aos automóveis que mantêm as suas características originais de fábrica. Isso porque, de acordo com a coordenação do Patrimônio Cultural da Secretaria da Cultura do Paraná, a estação está vinculada à história da centenária Estrada de Ferro Paranaguá-Curitiba.

A estação em 2015. Foto RFFSA

Construída entre os anos de 1880-1885, a estrada de ferro em seu traçado original teve projetadas apenas cinco estações, entre elas a de Alexandra, proporcionando, naquele momento, atender à primeira colônia de imigrantes italianos no Paraná, localizada a 15 km de Paranaguá. Segundo o escritor Edilberto Trevisan, a estação já atendia trens e serviço em 1882, e se constitui no único exemplar do século 19 que permaneceu intacto desde a sua construção. O tombamento do prédio foi realizado em 25 de março de 2008.

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