De bazar a ações comunitárias, instituições trabalharam o ano pelos necessitados

por Cleverson Teixeira
26/12/2020 09:40 (Última atualização: 26/12/2020)

Catequista cedeu a sua casa para a venda de roupas

Com a aproximação das festas de fim de ano, as ações sociais e filantrópicas costumam ser frequentes por conta do grande número de pessoas carentes espalhadas pelas regiões periféricas dos municípios. Os trabalhos costumam ser desde a doação de alimentos até a distribuição de brinquedos. No município de Guaratuba, por exemplo, existe um bazar beneficente da Igreja Matriz Nossa Senhora do Bom Sucesso, no qual trabalham quatro religiosas, tanto na coleta de doações quanto na comercialização dos produtos arrecadados.  

Uma das senhoras praticantes das ações, a professora aposentada da rede estadual de ensino, Vera Regina Lobo Leomil, de 72 anos, disse que, por conta da Covid-19, emprestou a sua residência para continuar o trabalho desempenhado pela comunidade católica. “Eu pedi permissão para fazer aqui em casa e o padre deixou. Vendemos roupas para ajudar as comunidades carentes no que elas precisarem”, contou dona Vera, a qual também é catequista há 20 anos.  

O bazar funciona com um preço único, em que as peças custam R$ 5. Este ano, com os valores arrecadados, a instituição conseguiu comprar três cadeiras de banho e de rodas e a mesma quantidade de andadores, além da aquisição de 120 panetones e 60 cestas básicas para distribuição neste período de fim de ano. Desse total, 30 cestas foram encaminhadas ao bairro Nereidas e 20 ao Coroados, Cubatão e Caieiras.  

  • bazar Vera em Guaratuba 18-12-2020
  • De bazar a ações comunitárias, instituições trabalharam o ano pelos necessitados 2
  • bazar Vera em Guaratuba 18-12-2020
  • bazar Vera em Guaratuba 18-12-2020
  • bazar Vera em Guaratuba 18-12-2020

A catequista ressaltou outros trabalhos realizados durante o ano todo. Em outubro, no Dia das Crianças, foram distribuídos 1.200 kits de bala e brinquedo para várias regiões. Com a quantia levantada, foi possível, também, pagar o tratamento de uma pessoa enferma. Segundo ela, todas as ações realizadas são baseadas na frase “fazer o bem sem olhar a quem”. 

“Conseguimos pagar uma ecografia e uma viagem para tratamento, de uma pessoa que está com câncer, patrocinamos tudo. Nós temos o compromisso com a igreja católica, mas atendemos maçonaria, espiritismo, não interessa o segmento”, completou.  

Além disso, com a chegada do Natal, mais 220 brinquedos foram conseguidos pela entidade e, também, encaminhados às pastorais da cidade de Guaratuba. Todas as arrecadações acontecem por meio de divulgação de conhecidos e membros da igreja católica. Desde agosto de 2019 ajudando a comunidade guaratubana, o bazar, instalado na Avenida José Bonifácio, 687 – Centro, funciona todas as terças e quintas-feiras, das 14h às 18h. Para obter mais informações sobre doações, basta ligar para o 41 – 9 9623-4649.  

Campanhas do Sesc Paranaguá beneficiam as comunidades 

De bazar a ações comunitárias, instituições trabalharam o ano pelos necessitados 3
Sesc de Paranaguá beneficia 15 instituições com brinquedos 

As três principais ações do Serviço Social do Comércio do Paraná (SESC) são as campanhas do Material Escolar, Agasalho e do Brinquedo. Este ano, a unidade de Paranaguá, em parceria com diversas instituições comerciais e empresas, como a Cattalini Terminais Marítimos, Rocha Terminais Portuários e Logística, Associação de Surf de Paranaguá (Aspar) e Câmara da Mulher, lançou uma meta de arrecadação de 1.300 brinquedos. Até a quarta-feira (16), dois dias antes da entrega dos presentes, 900 já haviam sido coletados. No total, 15 instituições foram beneficiadas com a ação.  

Conforme a técnica de atividade, nas áreas de saúde e ação social do Sesc de Paranaguá, Katiane Arndt, outra campanha que superou as expectativas no ano de 2020 foi a do agasalho. Ainda segundo ela, a arrecadação de alimentos foi muito forte na região. “A campanha do agasalho também ultrapassou, e muito, as arrecadações. O pessoal foi muito solidário com relação à situação da pandemia. Tivemos mais de 13 mil peças de roupas doadas só na unidade de Paranaguá, foi muito expressivo para nós. A campanha de arrecadação de alimentos, paralela as nossas atividades, também foi fantástica. A rede Bavaresco doou as quebras de hortifrutis e a gente encaminhou para diversas instituições”, relatou. Além dessas atividades, Katiane reforçou os outros trabalhos desempenhados pela entidade. No dia 4 de dezembro, foi realizado o Casamento Coletivo Virtual, por meio do programa Justiça nos Bairros. “Em parceria com o poder judiciário, temos o casamento comunitário e atendimentos jurídicos. Este ano, não podemos ter o atendimento devido à pandemia, mas fizemos a cerimônia pela internet, que foi a primeira da história realizada virtualmente”, pontuou.  

A próxima ação social a ser feita com a população carente é a arrecadação de materiais escolares. A campanha começa no dia 18 de janeiro e vai até 31 de março. A unidade de Paranaguá está recebendo o apoio dos cartórios, que serão os pontos de coleta. Quem define o local de destinação dos produtos arrecadados é a Regional do Sesc.  “Estamos esperando encerrar a do brinquedo para buscarmos novos parceiros.  O ano passado, três aldeias indígenas foram beneficiadas. Essas instituições recebem uma pequena verba e têm que dar conta de tudo, material escolar, de limpeza, lanche, uniformes, tanto que a maioria deles não tem uniforme. Eu acredito que este ano os materiais irão para o mesmo destino”, finalizou.  

CONTINUA DEPOIS DO ANÚNCIO

Sesc de Matinhos  


Além de trabalhar com as mesmas atividades sociais, desempenhadas pelo Sesc de Paranaguá, a unidade de Matinhos, por meio da assistente de gerente, Soraia de Cassia Luz Quintana, fez um balanço das doações destinadas às pessoas em situação de vulnerabilidade social. Segundo ela, a projeção de arrecadação de brinquedos para as crianças da região, este ano, foi de 1.500 e todos os presentes passam por um processo de seleção. 

“Quando arrecadamos esses brinquedos, muitos não vêm novos, vêm usados. Temos uma equipe que faz a triagem. Nós fazemos roupas para as bonecas, temos que pentear os cabelos, colocamos laços, fazemos os pacotes de presente e doamos para as instituições. Às vezes, precisamos lavar esse brinquedo e até mesmo consertar um carrinho, por exemplo”, disse.  
Sobre as demais ações realizadas em diversos períodos do ano, Quintana fez um balanço dos números de doações. Em 2020, foram mais de 17 mil roupas distribuídas para as instituições cadastradas no Sesc e mais de 300 produtos escolares fornecidos aos estudantes. “Na campanha do agasalho, foram distribuídas 17.307 peças, para 11 instituições sociais. Começou em maio e foi até agosto. Em janeiro deste ano foram entregues 316 itens de material escolar”, reforçou. 

Soraia destacou, ainda, outros serviços paralelos aos tradicionais, os quais envolvem a doação de comida, oficinas, dinâmicas e consultorias. “Temos o Mesa Brasil, em que é feita a doação de alimento. Tem os grupos dos idosos, de cantoria, sem custo nenhum para eles. Eles desenvolvem a prática socioeducativa, interação social, dinâmica de grupo, etc. Além disso, há, também, o Orientando o Futuro, projeto destinado aos alunos do 3º ano do ensino médio de escola pública, no qual são aplicados, em cerca de 25 adolescentes, um teste vocacional para a escolha da profissão”, concluiu.  

Rede Feminina de Combate ao Câncer  

De bazar a ações comunitárias, instituições trabalharam o ano pelos necessitados 4
Rede Feminina beneficia 65 pacientes com câncer (Foto: Folha do Litoral News) 

Outra instituição do litoral do Paraná, que presta serviços socias à comunidade, é a Rede Feminina de Combate ao Câncer (RFCC). Com 65 pacientes cadastrados, a entidade foi fundada em 05 de maio de 1966. Além da diretoria, a Rede conta com oito voluntárias, as quais ajudam em ações voltadas às mulheres, homens e crianças.  

Segundo a 1ª tesoureira da RFCC, Mirna Torinelli Côrrea, a qual retornou aos trabalhos em 2017, depois de ter sido secretária da instituição de 2001 a 2009, a chegada da Covid-19 atrapalhou as campanhas para a coleta de doações. “Este ano, totalmente atípico e surpreendente, não nos permitiu fazer nossas atividades para arrecadação. Por isso, contamos com o apoio de várias instituições, como: Rotary Club Paranaguá, TVCI, Casa da Amizade, Instituto Peito Aberto, Projeto Luz de Curitiba, Projeto Santa Ceia, Projeto Juntos Somos Mais Fortes (dos motociclistas), Universidade Aberta da Terceira Idade (UNATI), Justiça Arbitral e Colégio Positivo de Paranaguá”, afirmou.  

As parcerias firmadas com essas empresas ajudam a Rede Feminina de Combate ao Câncer a fornecer, aos portadores da doença, cestas básicas, suplementos alimentares, fraldas geriátricas, medicamentos e passagem para deslocamento médico. “Outra atribuição e compromisso é divulgar muito a prevenção da doença, com a distribuição de panfletos, principalmente no outubro Rosa, onde colocamos um estande na praça. Também preparamos palestras para ministrar nas empresas que solicitam”, complementou Torinelli.  

A entidade faz, ainda, campanhas pelas redes sociais. Em novembro deste ano, a sede recebeu 50 cestas básicas do Projeto luz, da capital do estado. No mesmo mês, a Rede recebeu doações de lenços, do Instituto Peito Aberto, além de R$ 570 da Unati e doações de produtos de higiene da farmácia Hiperfarma, de Pontal do Paraná. Já no mês de dezembro, o Santuário de Nossa Senhora do Rocio, o Sindicato da Estiva e dos Arrumadores, Sintraport e pessoas anônimas doaram ao grupo de combate ao câncer 20 cestas de alimentos e uma caixa de sabonetes. O grupo “Solidariedade Juntos Somos Mais Fortes” doou fraldas, panetones, alimentos e uma caneca para cada paciente cadastrado.

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments