Fenômeno natural ou sinal de sorte? Saiba por que há tantas joaninhas no Litoral


Por Maisy Pires

As joaninhas, com seu colorido inconfundível e fama de trazer sorte, estão aparecendo em janelas, quintais e até dentro das casas. Mas, afinal, o que explica esse verdadeiro “boom” desses pequenos insetos no Litoral do Paraná?

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Segundo especialistas, o aumento da presença das joaninhas está diretamente relacionado à chegada da primavera. A elevação das temperaturas, o aumento da umidade e o crescimento da vegetação criam o cenário ideal para a reprodução desses insetos — e, principalmente, para o surgimento de seu alimento preferido: os pulgões.

“O período da primavera é o momento de maior atividade das joaninhas”, explica o biólogo Caio Fernandes, especialista em gestão ambiental. “Com o clima mais quente e as plantas crescendo, há mais pulgões disponíveis. As joaninhas emergem do período de dormência e começam a se alimentar e se reproduzir intensamente.”

Durante o inverno, esses pequenos besouros entram em um estado de dormência conhecido como diapausa, uma espécie de hibernação. Já nos meses quentes, despertam e voltam à ativa, impulsionadas pela luz solar e pela abundância de alimento.

Aliadas do equilíbrio ecológico

Apesar da surpresa causada pela presença em massa, as joaninhas são grandes aliadas do meio ambiente. Elas atuam como controladoras naturais de pragas, alimentando-se de pulgões e outros insetos que atacam hortas e plantações.

“Uma única joaninha pode consumir milhares de pulgões ao longo da vida”, destaca Fernandes. “São verdadeiras agentes de controle biológico, fundamentais para manter o equilíbrio dos ecossistemas”, ressalta.

Além disso, elas não representam qualquer risco para os seres humanos. Não picam, não mordem e não transmitem doenças. Sua presença, pelo contrário, é considerada um indicador de um ambiente saudável e equilibrado.

Possível influência de espécie exótica

Em algumas regiões do Paraná, pesquisadores têm observado também a presença da joaninha asiática (Harmonia axyridis) — uma espécie introduzida no Brasil há alguns anos para controle de pragas agrícolas. Mais resistente e adaptável, ela costuma se agrupar em grandes números no final do inverno e início da primavera, o que pode explicar a sensação de “invasão” em determinadas áreas do Litoral.

Embora a espécie exótica possa competir com as nativas, Caio afirma que o fenômeno é natural e passageiro, sem causar riscos diretos à população.

Símbolo de sorte e renovação

Além de seu papel ambiental, as joaninhas carregam um forte simbolismo cultural. Em várias tradições europeias, eram conhecidas como “besouros de Nossa Senhora” — e seu nome em inglês, ladybug, vem justamente da expressão Our Lady’s bug (“inseto de Nossa Senhora”).

O vermelho de suas asas representaria o manto da Virgem Maria, e sua aparição era interpretada como sinal de boas colheitas e proteção divina. Com o tempo, passaram a ser vistas como mensageiras de sorte e prosperidade. Há quem acredite que, se uma joaninha pousar em alguém, um desejo está prestes a se realizar — e que espantá-la ou matá-la traria má sorte.

Mais sinal de vida do que coincidência

O biólogo Caio Fernandes destaca que a “invasão” de joaninhas na primavera é um fenômeno natural, um sinal de que a vida está pulsando e que a natureza está em seu ciclo ativo, sem representar perigo para a saúde humana.

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