Funcionários da obra da Maternidade de Paranaguá afirmam ter sido demitidos após denunciarem atraso nos salários


Por Thais Skodowski com reportagem do Diogo Monteiro

Após denunciarem atrasos salariais ao sindicato que representa a categoria, 16 trabalhadores que atuavam na reforma e ampliação da Maternidade Maria de Lourdes, anexa ao Hospital Regional do Litoral (HRL), em Paranaguá, foram demitidos, mas afirmam que ainda não receberam os valores rescisórios e procuraram o JB Litoral para expor o assunto.

Foto 3
Operários da reforma da Maternidade Maria de Lourdes foram demitidos após denunciarem atrasos salariais. Diogo Monteiro/JB Litoral

“Havia salários em atraso, então os trabalhadores acionaram o sindicato, que interveio junto ao proprietário da empresa. Ele quitou os pagamentos pendentes, mas, duas semanas depois, comunicou a demissão de todos, prometendo efetuar as rescisões. No entanto, até agora, nada foi pago”, relata o advogado Manuel Valdemar Barbosa Filho, representante do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção, do Mobiliário e Montagens Industriais de Paranaguá e Litoral.

Além do não pagamento da rescisão, o sindicato aponta uma série de outras irregularidades. Segundo o advogado, os funcionários não estavam devidamente registrados e exerciam suas funções sem os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) exigidos por lei.

“Até o momento, a empresa não apresentou a ficha de registro dos trabalhadores, nem os comprovantes de treinamentos obrigatórios das normas NR-18 e NR-35, já que muitos atuavam em altura. Também não houve entrega de EPIs adequados, como uniformes e botas, nem o fornecimento de vale-compras, café da manhã previsto em convenção coletiva ou os holerites”, detalha Barbosa.

A entidade de classe também cobrou da empresa a comprovação dos recolhimentos ao INSS e ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Diante da gravidade da situação, a denúncia foi encaminhada ao Ministério Público do Trabalho.

Atrasos começaram em 2024

Daniel Alves dos Santos, encanador contratado para a obra no ano passado, afirma que os problemas começaram neste ano. “No início, o pagamento era feito no quinto dia útil. Depois passou para o décimo. O pagamento referente ao dia 20 de maio nem aconteceu. Pouco depois, fomos informados de que estávamos todos demitidos”, contou.

Empresa responsável pela obra já recebeu mais de R$ 8 milhões em contrato com o governo do Estado. Diogo Monteiro/JB Litoral

Ele relata que os trabalhadores sequer receberam a via da rescisão contratual e não houve qualquer orientação por parte da empresa. “Não nos deram satisfação, não temos telefone de contato, nenhuma comunicação. E temos família, contas para pagar”, desabafa.

Ainda de acordo com Santos, cerca de 80% da obra já estava concluída. Atualmente, apenas um trabalhador, vindo de Curitiba, segue no canteiro, realizando serviços de acabamento.

Empresa tem outros contratos com o Governo

A responsável pela obra é a Matt Construtora de Obras, sediada em Curitiba, cujo representante legal é Valdirlei de Sousa Mangger. O contrato da empresa com a Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná (Funeas) para a maternidade teve valor inicial de R$ 6.690.136,30. Após aditivo, passou a R$ 8.032.565,19.

Além da maternidade, a Matt mantém outro contrato com a Funeas referente à ampliação e adequação do Ambulatório Médico de Especialidades (AME), também anexo ao Hospital Regional do Litoral, no valor de R$ 6.961.105,21.

A construtora também possui outros contratos com o governo estadual, como: a construção do Subgrupamento de Bombeiros de Pato Branco, no valor de R$ 6.499.000,00; a conclusão da obra do 7º Batalhão da Polícia Militar em Sertanópolis, no valor de R$ 6.748.000,00; e o projeto executivo da Unidade Administrativa do Instituto Água e Terra, em Curitiba, pelo montante de R$ 7.740.000,00.

O que diz a Sesa

O JB Litoral procurou a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), responsável pela Funeas, para comentar as irregularidades relatadas. Em nota, a pasta informou que segue fazendo os pagamentos normalmente para a empresa.

A Secretaria de Estado da Saúde e a Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná informam que os repasses à empresa responsável pela obra da maternidade do Hospital Regional do Litoral ocorrem regularmente, conforme previsto em contrato, sem atrasos por parte do Estado. A responsabilidade pelo pagamento de salários e obrigações trabalhistas é exclusiva da empresa contratada”, diz o documento.

A Sesa acrescentou que representantes da Funeas já se reuniram com a construtora para reforçar a necessidade de regularização da situação trabalhista. Segundo a nota, as providências cabíveis no âmbito contratual estão em andamento.

Por fim, a Secretaria informou que as demais obras sob responsabilidade da Matt no estado seguem conforme o cronograma, sem intercorrências registradas até o momento.

O JB Litoral também entrou em contato com a Matt Construtora. Em um primeiro momento, um representante afirmou que a empresa passava por “um problema” e, depois, se comprometeu a enviar uma nota oficial, o que não ocorreu até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto caso a empresa deseje se manifestar.

Sair da versão mobile