
Com uma bagagem profissional na área de engenharia desde 1983 atuando em mais de oito estados e envolvido em instituições como a Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá (ACIAP), o empresário Reilly Algodoal, que foi Diretor da Indústria, Inspetor do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Paraná (CREA-PR), Diretor Administrativo da Associação dos Engenheiros Arquitetos e Agrônomos do Litoral do Paraná (AEAAL), Coordenador Regional de Paranaguá e Vice-presidente Executivo da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) e que ainda atua como perito da Receita Federal em Paranaguá, tendo, inclusive, presidido a Associação dos Assistentes Técnicos Aduaneiros do Litoral do Paraná por quatro gestões, preocupado com o futuro da cidade, tem defendido que a melhor solução para o desenvolvimento e crescimento do município é a imediata implantação do Distrito Industrial.
Com um trabalho social de décadas junto ao movimento escoteiro como Diretor Presidente do Grupo Escoteiro do Mar Ilha do Mel, por quatro gestões e também Provedor da Vanguarda Mecânica da Prefeitura de Paranaguá, entidade que distribuiu leite de soja as entidades assistenciais da cidade até 1992, no ano passado recebeu o título de Cidadão Honorário de Paranaguá, por serviços relevantes ao município. Também foi homenageado com a Medalha de Amigo da Marinha pelo Comando do 5º Distrito Naval.
Com profundo conhecimento sobre a questão do Distrito Industrial, nesta entrevista ao JB Litoral, ele mostra o que falhou no passado e dá o caminho das pedras para o Poder Público de como fazer agora e no futuro. Veja abaixo.
JB Litoral – O senhor atuou como Vice-presidente Executivo da FIEP por mais de 20 anos e, desde então, luta pelo Parque Industrial de Paranaguá. Como foi feito este diálogo naquela época e por que o Poder Público não avançou até hoje?
Reilly – Quando assumi o cargo, estava com muita garra e cheio de esperanças para ajudar a nossa região. Procurei o Engenheiro Hamilton Bonato, logo que assumiu a presidência do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), para iniciarmos tratativas objetivando a implantação de um Distrito Industrial na cidade. Naqueles dias, Itajaí iniciava o seu primeiro distrito industrial. Hamilton, pessoa de indiscutível capacidade profissional e ardoroso defensor do progresso do litoral, aceitou o desafio. Chegou a fazer um esboço do perímetro do Distrito Industrial de Paranaguá. Todavia, nossos esforços resultaram infrutíferos, pois o Presidente Collor, pressionado pela destruição quase que completa da Mata Atlântica no nordeste, promulgou uma lei proibindo o corte de toda a Mata Atlântica no Brasil.
O Paraná, que detinha quase que 90% da mata intocada, pagou o pato pelos excessos cometidos por outros Estados. Em consequência disto, tive a primeira baixa na minha coordenadoria, quando a Indústria de Papel São Marcos de Morretes encerrou suas atividades. Várias empresas de reflorestamento com palmitos ficaram impedidas de extraí-los. Foi proibido o corte da cobertura vegetal na região. Foi um verdadeiro caos para o desenvolvimento econômico sustentável.
JB Litoral – O senhor destaca que Itajaí iniciou na mesma época o primeiro Parque Industrial, algo que não avançou até hoje em Paranaguá, sendo que a cidade catarinense está em sua oitava área industrial. Por que lá avançou e em Paranaguá não?
Reilly – A lei que proibia o corte da Mata Atlântica foi injusta com nosso Estado e os políticos do Paraná não são como os de Santa Catarina. Os daqui se matam antes e continuam se matando depois das eleições. Os de lá não são diferentes antes das eleições, mas depois, eles têm o discernimento suficiente para se unirem em favor da sua região e do seu Estado. Esta diferença foi crucial e fez com que Itajaí conseguisse construir o seu oitavo Distrito Industrial e alavancasse o PIB de R$ 1,5 bilhões em 1999 para um PIB de R$ 18 bilhões em 2017. Ou seja, um crescimento de 1.234%.
Enquanto o progresso ia a todo o vapor em Itajaí, Paranaguá ficou caminhando a passo de caranguejo. Em 1999 o nosso PIB era quase o dobro do PIB de Itajaí, mas, hoje, não chega a um terço. Além disto, aconteceu uma sequência de erros. Podemos citar, como exemplo, o Jaime Lerner que deixou uma série de projetos e dinheiro para que se construísse o Cais Oeste no Porto de Paranaguá, aí veio o Requião, inimigo de Lerner, e não deu continuidade e o dinheiro da União, mais de R$ 700 milhões foi para os portos de Santa Catarina. Depois ele implicou com a soja transgênica da Monsanto, que correspondia a mais de 85% da soja produzida no Paraná e mandou a fila de caminhões para Santa Catarina. Engraçado que o Requião implicou com a soja transgênica, mas nunca com o milho transgênico produzido pela Embrapa. Não entendo isto até hoje. Enfim, para mim ele foi, na época, o melhor “governador” para o estado de Santa Catarina.
Depois ficaram se batendo com o aeroporto internacional de Pontal do Paraná e o dinheiro da União foi para o aeroporto internacional de Navegantes. Vi tanta briga e a gota d’água foi uma paranaense que ocupou o segundo maior cargo do país, de Chefe da Casa Civil e, por conta destas rixas pessoais, com os “Políticos UFC”, não trouxe praticamente nada ao Paraná. Não conseguiu incluir no PAC obras importantes para a nossa região, como o Porto de Antonina, o de Pontal do Paraná, a BR-101 (O Paraná é o único estado do litoral do Brasil por onde ela não passa), a Ponte de Guaratuba, a revitalização da orla marítima do Paraná e da Ilha do Mel, que está abandonada com esgoto cruzando as trilhas a céu abertos. Me desculpem o desabafo, mas quem paga o pato somos todos nós, que não sabemos votar e acabamos elegendo esta categoria de políticos, repito “Políticos UFC”.
JB Litoral – O senhor cita algumas áreas possíveis em Paranaguá para a construção do Parque Industrial. Quais são elas e qual a viabilidade financeira para investidores construírem seus empreendimentos nestes locais?
Reilly – Quando se pretende construir uma obra, a preocupação primeira é aproveitar ao máximo os recursos do local. Em Paranaguá temos uma área que fica entre a Rodovia BR-277 e uma estrada vicinal, que liga o Bairro do Imbocuí ao de Alexandra. Entre estas duas rodovias passam quatro linhas de energia elétrica de alta tensão e duas linhas férreas. Este quadrilátero, que vai do Morro da Pixirica até a rotatória e que vai para o Parque de Triagem, ladeado pela BR-277 e a estrada para Alexandra, é indubitavelmente a melhor área. Além disto, o modal mais barato para o transporte terrestre de grãos e fertilizantes é ainda o ferroviário e fazer um desvio custa muito caro, cerca de R$ 1,5 milhão por quilômetro e daí pergunto? Considerando este custo, querem colocar o Distrito Industrial aonde?
JB Litoral – Qual a opinião do senhor sobre o desenvolvimento local, com relação à sustentabilidade e necessidade de avanços industriais? Qual a sua opinião sobre o COLIT?
Reilly – É bom notar que sou escoteiro e, como tal, demonstro o maior respeito pelo meio ambiente. Acredito no crescimento sustentável, ou seja, no progresso preservando e fomentando melhores condições de vida. Com relação ao COLIT sou terminantemente contra. Nós, parnanguaras, sabemos como construir o futuro para nossos filhos. Não precisamos do COLIT, que nada decide e nos deixa parados no tempo.
JB Litoral – Quais os benefícios que o Parque Industrial traria para Paranaguá e a sociedade litorânea? O que o senhor acha que o Poder Público deve fazer para que este investimento avance e seja construído?
Reilly – Se tivéssemos já implantado o nosso Distrito Industrial e as obras de infraestrutura, certamente Paranaguá seria bem diferente do que é hoje. Muitas pessoas são contra o progresso, contra as indústrias, contra o desenvolvimento. Esquecem que nem todas as indústrias poluem e que existem inúmeros meios compensatórios. O Distrito Industrial de Paranaguá, em cinco quilômetros quadrados, poderá gerar mais de 6.000 empregos em nossa região, colocação para aqueles pais de família que amarguram muitas vezes na chuva, na fila do SINE. Colocação para os nossos filhos que estudam na esperança de conseguir um emprego, uma casa, um carro. O progresso tem um custo, mas ele também traz conforto, saúde, transporte de qualidade, supermercados, lojas, bancos, melhora o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH); traz impostos que, revertidos, podem transformar o nosso litoral, que já é bonito por natureza, em um lugar ainda melhor. Acredito que nós estamos dormindo. Por isto eu sempre repito: Acorda Paranaguá, Acorda Paraná.
JB Litoral – Distrito Industrial é a melhor solução para a cidade?
Reilly – Com certeza. Tenho participado das audiências públicas, onde sempre exponho meu ponto de vista sobre o tema enfocado. No final do ano passado teve uma audiência pública para a discussão a respeito da construção da estrada Praia de Leste – Pontal do Paraná. E como estava em viajem, resolvi gravar um vídeo e o postei no Facebook. Confesso que fiquei impressionado com a repercussão. Dias depois resolvi utilizar o mesmo veículo para falar sobre o Distrito Industrial. Novamente foi grande a repercussão, prova de que as pessoas estão querendo mudanças, a busca do novo, e isto passa pelo Distrito Industrial.