O ano letivo começa com a restrição do uso de celulares nas escolas públicas e privadas do país. A determinação é da Lei Federal 15.100, sancionada no início de janeiro deste ano, e que procura limitar o uso de dispositivos eletrônicos portáteis nas escolas públicas e privadas, tanto nas salas de aula quanto no recreio e intervalos, mas permite o uso pedagógico, ou seja, quando autorizado pelos professores.

A nova medida tem como meta proteger as crianças e adolescentes dos impactos negativos das telas na saúde mental, física e psíquica, segundo o Ministério da Educação (MEC) e já foi adotada em outros países, como França, Espanha e Dinamarca.
Proibição ou restrição?
De acordo com o chefe do Núcleo Regional de Educação de Paranaguá, Paulo Penteado, a nova diretriz não se trata de uma proibição, mas sim de uma restrição, algo que já vinha sendo aplicado em diversas escolas do Litoral.
“Muita gente tem falado em proibição, mas não é isso. Houve uma restrição no uso dos aparelhos celulares, algo que já era adotado internamente em várias escolas há bastante tempo, inclusive aqui no Litoral. Além disso, já existia uma lei estadual no Paraná que dizia a mesma coisa que agora o governo federal instituiu em nível nacional”, explicou.
Quais serão os benefícios?
Para Paulo Penteado, a restrição foi uma decisão acertada, pois contribui diretamente para o aprendizado dos estudantes.
Segundo ele, a principal vantagem é a concentração dos alunos nas aulas, já que o celular deixava muitos estudantes dispersos, acessando redes sociais ou assistindo a vídeos alheios ao conteúdo escolar. “Com essa restrição, o aluno passa a prestar mais atenção na aula, o que melhora significativamente o processo de ensino-aprendizagem”, afirmou.
Além disso, a medida também ajuda a reduzir práticas prejudiciais, como o cyberbullying, que muitas vezes ocorre dentro da própria escola por meio de fotos e mensagens compartilhadas entre os alunos.
Quando o celular pode ser usado?
Embora a restrição tenha sido imposta, Paulo Penteado ressalta que o celular não é um vilão e pode ser uma ferramenta útil quando usado corretamente. “Não somos contra o uso dos celulares, mas sim contra o uso indevido. O celular tem muitas funcionalidades importantes, podendo substituir calculadoras, dicionários e até computadores para pesquisas rápidas e traduções”, destacou.
Menos indisciplina e mais socialização
Outro impacto positivo observado nas escolas do Litoral foi a maior interação entre os alunos, principalmente durante os intervalos. Segundo relatos de professores e diretores, estudantes que antes ficavam isolados no celular agora estão participando mais de brincadeiras e conversas com os colegas.
“Recebemos relatos de escolas como o Colégio 29 de Abril e o Colégio Hélio, que notaram um retorno das brincadeiras tradicionais, como amarelinha e jogos coletivos. Isso reduziu a indisciplina e fortaleceu a socialização entre os alunos”, afirmou o chefe do Núcleo.