Escolha é da comunidade: mais seis colégios no Litoral poderão adotar modelo cívico-militar


Por Gabriela Perecin

Dos atuais 60 colégios da rede estadual no Litoral, oito já adotaram o modelo cívico-militar. Esse número pode aumentar para o ano letivo de 2026. A Secretaria de Estado da Educação (Seed) publicou, na última semana, a lista dos colégios que passarão por consulta pública, nos dias 17 e 18 de novembro, para saber se pais e responsáveis concordam com a mudança.

Civico Militar – Gabriel Rosa – Arquivo AEN
Governo do Estado aponta que modelo cívico-militar auxiliar na rotina e na organização escolar. Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

Na lista, estão inseridas seis escolas da região, entre elas três de Paranaguá: Colégio Estadual José Bonifácio, Colégio Estadual Vidal Vanhoni e Colégio Estadual Zilah dos Santos Batista. Os demais ficam em outros três municípios: Colégio Estadual Rocha Pombo (Antonina); Escola Estadual Anibal Khury (Guaratuba) e Colégio Estadual Maria Helena Luciano (Pontal do Paraná).

A seleção das escolas, de acordo com a Seed, foi feita a partir de critérios técnicos analisados pelo Departamento de Educação. A regulamentação completa das consultas, com formato e regras de votação, será publicada nos canais oficiais da Secretaria nas próximas semanas.

Procura é alta

O chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE), Paulo Severino Penteado, disse que os pais do Litoral têm procurado matricular seus filhos em colégios cívico-militares. “Nós não temos vagas para atender todos os pais que querem. A importância está em poder ofertar para os pais aquilo que eles têm procurado e, no momento, nós não conseguimos atender”, explicou Paulo ao JB Litoral.

Paulo ressalta o aumento das matrículas e a procura pelo colégio cívico-militar. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Poderá participar da consulta pública, na próxima semana, a comunidade escolar das unidades selecionadas: estudantes maiores de 18 anos ou o responsável pelo estudante menor de 18 anos, professores e funcionários da escola.

Os atuais colégios cívico-militares do Litoral estão em Paranaguá (3), Antonina (1), Matinhos (2), Guaratuba (1) e Pontal (1).

Mudanças trazidas pelo modelo

A comunidade escolar do Colégio Estadual Faria Sobrinho, no Centro de Paranaguá, decidiu pela mudança para o modelo cívico-militar em 2021. A diretora-geral, Liliana Kffuri, já atuava na instituição. Segundo ela, a principal alteração foi a ampliação da jornada.

Após consulta pública, comunidade escolar do Colégio Estadual Faria Sobrinho, decidiu pela mudança para o modelo cívico-militar em 2021. Foto: Divulgação

“A gente percebe que foram poucas as mudanças, porque a escola já tinha um padrão de qualidade que era muito bom. Ampliamos a jornada para seis aulas diárias, as aulas são das 12h50 às 18h20”, considerou a diretora.

Ela ressalta que a escola cívico-militar não é uma escola militar, e sim uma unidade que tem uma direção pedagógica e outra que fica sob a responsabilidade de militares, que cuidam da parte disciplinar. Ambas atuando em conjunto.

“Tiveram algumas regras específicas como manter o cabelo sempre preso. Não pode cabelos coloridos. Os meninos precisam ter o cabelo cortado geralmente no formato militar mesmo, bem curto. A escola não tem punições, está amparada no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) da mesma forma”, relatou Liliana.

A diretora-geral do Colégio Cívico-Militar Helena Viana Sundin (bairro Costeira), Caroline Alves de Oliveira, contou que a escola também aderiu ao modelo em 2021 e que fez toda a diferença. Até 2020, o colégio tinha poucos alunos, corria o risco de fechar, e hoje atende estudantes de outros bairros de Paranaguá.

O Colégio Cívico-Militar Helena Viana Sundin corria o risco de fechar e com a mudança para o modelo tem hoje mais de 500 alunos matriculados. Foto: Divulgação

“Os pais buscam pelo ensino de qualidade. Temos 520 alunos matriculados e lista de espera bem extensa para todas as turmas, porém não temos mais vaga devido ao nosso espaço físico. O Colégio Cívico Militar resgata o civismo, a ética, a disciplina e nós trabalhamos com os monitores militares que auxiliam a equipe pedagógica e diretiva”, disse Caroline.

A equipe do Colégio Estadual Cívico-Militar Didio Augusto de Camargo Viana afirmou que a mudança marcou o início de uma nova fase, não apenas estrutural, mas também de valores e de propósito.

Colégio Didio Augusto de Camargo Viana entrou em uma nova fase; equipe aponta fortalecimento dos valores e aumento do comprometimento dos alunos. Foto: Divulgação

“É visível o crescimento em todos os aspectos: a organização do ambiente escolar, o fortalecimento dos valores humanos e o aumento do comprometimento de alunos, professores e famílias. O clima escolar tornou-se mais harmonioso, o sentimento de pertencimento se intensificou, e a escola passou a ser vista como um espaço de oportunidades e orgulho para todos que dela fazem parte”, declarou o diretor-geral, Edson Damaceno da Silva.

Benefícios apontados pelo Governo do Estado

O modelo cívico-militar foi implantado pelo Governo do Estado em 2021 e combina a gestão civil com a presença de militares da reserva nas atividades administrativas e no apoio à rotina e organização escolar.

De acordo com o Governo do Estado, a mudança refletiu nas últimas notas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), referentes a 2023. As unidades de ensino deste modelo obtiveram índices de 5,43 nos anos finais do ensino fundamental e de 4,75 no ensino médio, superando a média estadual (5,3 no ensino fundamental II e de 4,63 no ensino médio). No comparativo com o Ideb de 2021, quando ainda funcionavam no modelo tradicional, 64% dos colégios cívico-militares elevaram a sua nota Ideb.

“Outro destaque é a participação dos estudantes no programa Ganhando o Mundo. Dos 2 mil jovens selecionados para intercâmbio neste ano, 417 estão matriculados em colégios cívico-militares, o equivalente a 20,6% do total”, comentou a Seed.

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