Com sensação térmica que chega a ultrapassar os 50°C em algumas cidades como Antonina e Guaraqueçaba durante o verão, estudar em escolas sem ar-condicionado é uma missão difícil para os alunos do Litoral. Mas essa realidade já começou a mudar com a reforma que possibilitou a instalação de climatização em algumas unidades.

De acordo com o procurador-geral de justiça, Francisco Zanicotti, essa foi uma reivindicação que chegou ao Ministério Público.
“Conversei previamente com o secretário de Educação, Roni Miranda, e conseguimos com ele um acordo. Levamos a demanda de ter reforma nas escolas e ar-condicionado para todos os alunos do ensino público estadual. Até o final do ano, pela promessa da Secretaria Estadual da Educação, serão quase 90% das salas de aula com ar-condicionado para os alunos”, detalhou o procurador.
Reforma completa
Mas não será só o ar-condicionado a ser implantado nas escolas, algumas delas passaram por reformas completas. Foi o caso da Escola Indígena Guavirá Poty, no balneário Shangri-lá, em Pontal do Paraná. A unidade atende 19 alunos, todos da comunidade Guarani B’Myá, com turmas que vão desde Educação Infantil ao 9º ano do Ensino Fundamental.
No local, as antigas salas de madeira foram substituídas por estruturas sustentáveis. A cozinha e o refeitório também foram reformados, houve a instalação de ar-condicionado e a escola recebeu uma Infoteca (biblioteca digital com tablets e computadores).
Na última quarta-feira (30), o secretário estadual de Educação, Roni Miranda, visitou a escola e falou sobre a requalificação do espaço.
“Isso gera uma melhor qualidade de educação e melhora a frequência escolar. Aqui no Litoral, a frequência sempre foi abaixo de 80%. Agora, está acima de 85%. Melhoramos a aprendizagem, criando um ambiente proporcional e os professores ficam mais à vontade para trabalhar”, defendeu.
Ainda em Pontal do Paraná, o secretário visitou as obras do novo Colégio Estadual Reneé Carvalho de Amorim. Com área de mais de 8 mil metros quadrados, a previsão de entrega é para julho de 2026. A escola terá 18 salas de aula, laboratórios e espaços administrativos, dobrando a capacidade de atendimento da atual unidade.
Roni Miranda também esteve no Colégio Estadual Hélio Antônio de Souza e no Maria Helena Teixeira Luciano, que passaram por uma reforma.
“A gente fala muito de investimento na infraestrutura do Litoral, nas rodovias, na praia, infraestrutura urbana, mas esse mesmo montante de investimento tem acontecido nos locais de ensino. É difícil você ir em uma escola da região e não ver alguma obra acontecendo. E quando o secretário vem visitar uma escola indígena, ele reconhece a importância da comunidade tradicional do Litoral”, ressaltou o chefe do Núcleo Regional de Educação de Paranaguá, Paulo Penteado.
Turno integral
Outra novidade anunciada pelo secretário Roni Miranda foi a possibilidade de expandir o número de escolas em tempo integral, em que, além do currículo obrigatório, os estudantes terão aulas de empreendedorismo, de educação financeira e robótica, por exemplo.
“O tempo integral é um grande investimento na vida do estudante. Temos pesquisas que comprovam que cada estudante que cursa o ensino em tempo integral tem um ganho financeiro de 15% a mais no salário. A formação em tempo integral é uma formação mais completa, que não se restringe somente a Matemática, Língua Portuguesa e História”, declarou Miranda.
Atualmente, o Litoral conta com cinco escolas que integram o Programa Paraná Integral (PPI): PPI José Bonifácio, em Paranaguá; PPI Paulo Freire, em Pontal do Paraná; CEC Cubatão, em Guaratuba; e duas em Antonina, PPI Rocha Pombo e CEC Hiram Rolim.
Os estudantes matriculados nas escolas em tempo integral também receberão uniformes. Serão 10 peças. “Gera uma segurança maior para o estudante no trânsito de casa para a escola e da escola para casa. Toda a comunidade sabe que esse estudante pertence àquela comunidade escolar”, finalizou o secretário.