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Escola de Paranaguá prepara jovens e adultos com deficiência para o mercado de trabalho

Por Luiza Rampelotti
29/07/2022 13:24 |
Atualizado em 2 semanas atrás

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade da Educação Básica que oferece a oportunidade da retomada dos estudos para aqueles que, por algum motivo, não concluíram a trajetória escolar. Com um tempo de duração menor, a EJA permite que o estudante obtenha o quanto antes qualificação para conseguir oportunidades no mercado de trabalho.

No entanto, existem situações em que os alunos têm dificuldade de aprendizagem e não conseguem avançar nos estudos. Pensando nessas pessoas, a Escola Municipal Edite Lobo, polo da EJA em Paranaguá, criou o projeto Educação para o Trabalho.

Na Escola Edite Lobo, estudam jovens e adultos com laudo leve de necessidades especiais. A diretora Edimar Pereira Neves explica como funciona a instituição e o projeto.

O Educação para o Trabalho nasceu em 2007 pensando nos alunos que têm dificuldade no aprendizado. Naquela época, eles ficavam ociosos no contraturno escolar, e muitos já estavam acima da idade das séries regulares e, como possuíam a dificuldade, acabavam ficando retidos numa mesma turma que, ao longo dos anos, recebia novos alunos com idade menor”, conta.

Muitos desses estudantes já eram adultos, pais de família e, devido à necessidade especial, não conseguiam, por exemplo, passar em uma entrevista de emprego. Para buscar alterar essa realidade, os professores começaram a dar aulas, no contraturno, de atividades manuais, como artesanato, culinária etc.

Na época, tínhamos uma sala em desuso e começamos a atender esses alunos com outras atividades e não só com o reforço escolar. Então eles passaram a ficar na escola durante o dia todo e, à tarde, a trabalhar nas atividades manuais”, comenta Edimar.

Escola de Paranaguá prepara jovens e adultos com deficiência para o mercado de trabalho, JB Litoral - Notícias de Paranaguá, Guaratuba, Morretes, Guaraqueçaba e litoral do Paraná
Atualmente, 12 alunos participam do projeto, mas a intenção é ampliar o programa. Felipe Luiz Alves/JB Litoral


10 alunos já estão trabalhando


Ela conta, com orgulho, que o projeto foi ganhando uma proporção maior e, com o tempo, os professores passaram a buscar parcerias com as empresas de Paranaguá visando inserir esses alunos no mercado de trabalho. Atualmente, 10 estudantes já estão trabalhando.

Segundo a diretora, todas às quintas-feiras, os professores vão até as firmas da cidade em busca de oportunidades de estágio remunerado para os alunos. “Temos a felicidade de contar com a parceria da Pernambucanas, Havan, Viação Rocio e Bavaresco, empresas parceiras que estão abrindo espaço para nossos estudantes”, diz.

Além disso, Edimar destaca que, a partir da atual gestão municipal, a secretaria de Educação passou a apoiar de maneira mais eficaz o projeto. Agora, o objetivo é abrir novas vagas no Educação para o Trabalho, que hoje só consegue atender 12 alunos no período da tarde.

Os estudantes fazem tapete manual, pintura de pano de prato, culinária, ajudam nas atividades diárias da escola, plantando, organizando o pátio, fazendo a decoração. Além disso, trabalhamos com a autonomia, independência e responsabilidade, então eles precisam assinar seus nomes na hora de entrada e saída, como se fosse bater um ponto, como é obrigatório no mercado de trabalho. Tudo isso traz bons resultados, como a melhora da autonomia, autoestima e diminuição da ansiedade. Quando eles conseguem o estágio, então, é uma felicidade que só”, conta a diretora.

Meu sonho é trabalhar”, diz aluna


O aluno João Vitor Salvador Ferreira, de 20 anos, com deficiência intelectual, já conseguiu a primeira entrevista de emprego e, agora, aguarda a proposta da empresa. Ansioso para o resultado da entrevista, o jovem fala que seu sonho é “ser independente”.

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João Vitor já teve a primeira experiência em uma entrevista de emprego, agora, aguarda ansioso o resultado. Felipe Luiz Alves/JB Litoral

Já aprendi a fazer tapete, pintar pano de prato. Fiz a entrevista de emprego e fiquei tão feliz, porque quero trabalhar para ser independente da minha mãe e do meu pai”, diz.

Outra aluna é Gabriele dos Santos Lima, de 15 anos, diagnosticada com defasagem de aprendizagem. Ela conta que o projeto tem a ajudado na preparação para o mercado de trabalho.

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“Meu sonho é trabalhar”, diz Gabriele dos Santos Lima. Felipe Luiz Alves/JB Litoral

As professoras ensinam bastante, ajudam, orientam no que é para fazer. Gosto bastante da cozinha experimental. Tudo isso nos ajuda com foco no mercado de trabalho. Meu sonho é trabalhar”, finaliza.

Confira o vídeo;