O mestre de jiu-jitsu Eduardo Simão, de 45 anos, vai representar Paranaguá no Mundial Master, que será realizado no dia 19 de agosto, em Las Vegas, nos Estados Unidos.
Além de competir em alto nível, Eduardo é responsável por um projeto social que transforma vidas por meio do esporte. O GF TEAM atende cerca de 40 crianças e adolescentes dos bairros Vila Marinho e Jardim Iguaçu.
Com quase quatro anos de atuação, a iniciativa oferece aulas gratuitas de jiu-jitsu para jovens entre 5 e 17 anos. O objetivo é afastá-los da vulnerabilidade social e promover valores como disciplina, respeito e superação por meio da prática esportiva.

Recentemente, a equipe participou da Copa Paraná de Jiu-Jitsu, uma das principais competições do estado, e alcançou um feito expressivo: todos os atletas retornaram com medalhas entre ouros e pratas. “Dei uma segurada nas competições neste ano para focar mais no aprendizado. Os resultados mostram que valeu a pena”, comemorou Eduardo.
Além da Copa Paraná, os alunos já se preparam para o Campeonato Paranaense e o Curitiba Open, eventos oficiais da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu. Alguns atletas já estão federados, o que permite disputar torneios de nível nacional e até internacional.
Durante os treinos, Eduardo reforça o papel transformador do esporte. “Hoje, campeonatos no exterior pagam até 100 mil dólares. Mostrar para uma criança que ela pode trilhar uma carreira no jiu-jitsu é abrir portas para um futuro digno. Mas, para isso, precisamos do apoio das empresas locais”, destacou o mestre, fazendo um apelo por patrocínios para viabilizar inscrições e transporte dos atletas.
Prata da casa
Entre os talentos revelados pelo projeto estão Cleiton Pires dos Santos Filho, de 16 anos, e Ana Lívia Veiga, de 15, ambos faixas azuis e com diversas medalhas no currículo. “O jiu-jitsu mudou minha vida. Aprendi a controlar a raiva, amadureci e cresci como pessoa”, contou Cleiton, que compete na categoria até 65 kg.
“Entrei para o projeto e aprendi a me defender. Quando alguém tenta fazer algo comigo, eu me controlo. Aprendi que brigar na rua não vale a pena. Aqui, eles não ensinam só a lutar, mas a ser uma pessoa de caráter”, completou.
Ana Lívia também celebrou sua evolução dentro e fora dos tatames. “No começo, eu era tímida e não sabia nada. Mas fui aprendendo, competindo e vencendo. Minha última medalha foi especial, porque enfrentei meninas do meu peso e fiquei em primeiro lugar. Às vezes fico com raiva, mas aprendi a descontar no tatame, de forma positiva”, relatou a jovem atleta.
Com os bons resultados, o projeto GF TEAM busca ampliar suas ações e alcançar novos apoios. “Porque não é só o meu projeto, mas outros também precisam desse apoio. Precisamos de ajuda para levar os atletas às competições, pagar inscrições e cobrir os custos de transporte. Cada atleta corre atrás do próprio patrocínio”, finalizou Eduardo.