Jovens têm se tornado alvo da Covid-19: “O jovem não é indestrutível, por mais que ele pense assim”

Novo perfil de casos graves do novo coronavírus, jovens entre 20 e 39 anos têm se arriscado em meio à pandemia

por Redação
08/03/2021 06:03 (Última atualização: 08/03/2021)

Mais jovens têm se infectado com a Covid-19 e desenvolvido sintomas mais graves. Foto/Rafael Pinheiro/JB Litoral

Por Marinna Protasiewytch

Acima da média estadual, Paranaguá tem registrado cada vez mais óbitos por conta da Covid-19. Mas o que mais preocupa é que o perfil de quem fica internado e não resiste à doença tem mudado aos poucos. Segundo o relatório divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SESA) o número de pessoas contaminadas sem fator de risco associado, ou seja, idosos e doentes crônicos, subiu de 10.596, em 3 de fevereiro, para 11.984, em 3 de março.

“A capacidade de infectar e de se multiplicar desse vírus causa uma resposta inflamatória intensa. O que tem acontecido é que mesmo pessoas que estão em uma condição de saúde melhor, por conta da infecção, acabam tendo complicações mais graves do que nós tínhamos e em uma velocidade muito maior. Fazendo com que o organismo esteja despreparado, levando a doença a se tornar mais grave e levando inclusive ao óbito”, explicou Marlus Volney Morais, presidente do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (SIMEPAR).

Jovens estão se tornando maioria

O movimento de mudança do perfil daqueles que sofrem com sintomas mais severos do novo coronavírus está sendo atrelado, principalmente, à falta de cuidado dos jovens que têm se exposto mais à doença.

“O que a gente tem percebido é que justamente estes pacientes mais jovens e hígidos acabam tendo uma complicação maior por questão relacionada à velocidade que o vírus agride o organismo. A média de idade caiu [ficando entre 20 a 49 anos] porque efetivamente os mais jovens passaram a se contaminar e ter uma exposição muito maior”, destacou o especialista.

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A causa dessa virada nos números tem sido atribuída à irresponsabilidade dos mais novos que têm causado aglomerações, promovido festas clandestinas e recusado o uso de máscaras como prevenção. “A maior causa, certamente é a falta do uso de máscara e de distanciamento. O jovem não é indestrutível, por mais que ele pense assim”, ressaltou o médico.

Ainda assim, Marlus Volney Morais ressalta que as mortes têm ocorrido dentro do grupo de risco e que todos devem continuar seguindo as medidas de proteção à saúde sugeridas pelo Ministério da Saúde. “Apesar de os jovens estarem se contaminado mais, não deixa de haver comprometimento dos idosos e dos pacientes que têm comorbidades associadas”, pontuou.

festas, clandestinas
Festas clandestinas no litoral vêm sendo fechadas pela Polícia Militar, a maioria dos presentes são jovens

Variantes da Covid-19

O vírus que causa o novo coronavírus tem se multiplicado e mudado de forma. Essa mutação resultou, até agora, em três variantes que circulam no Paraná: a P.1, que é a brasileira de Manaus, a B.1.1.7, do Reino Unido, e a B.1.351, da África do Sul. Essas novas cepas do vírus são motivo de preocupação dos cientistas, já que produzem mudanças na forma de contaminação, em geral alcançando um número maior de pessoas e causando sintomas mais graves.

“As variantes são muitas, elas vão surgindo em vários locais do mundo. O vírus de uma forma geral muda, quando eles se multiplicam eles podem sofrer algumas alterações. Essas modificações, que ele sofre, têm relação com essa multiplicação acelerada que vai ocorrendo dentro das nossas células. No Paraná, estamos com três grandes mutações que estão causando esse número de casos maior. Porque têm uma capacidade de contaminação maior e também causam mais danos, mais carga de doença”, concluiu o presidente do SIMEPAR.

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