Junto à família, ex-professor de Paranaguá recomeça a vida nos EUA

por Redação JB Litoral
14/01/2020 19:56 (Última atualização: 02/03/2020)

Morar nos Estados Unidos é um sonho para muitos brasileiros. De acordo com uma pesquisa publicada no livro “Brasileiros nos EUA: Meio Século Refazendo a América”, as principais causas são: buscar uma vida melhor (55%), intenção de recomeçar a vida (12%), busca de salário melhor (11%) e busca de emprego (10%).

Dados do Itamaraty estimam que existam 1,6 milhão de brasileiros em cidades americanas. Calcula-se que a maioria, sobretudo de jovens, entrou no país de forma ilegal ou não voltou ao Brasil após o fim do prazo previsto no visto de turista. Não é o caso de Edison Lima Neto, natural de Recife, que já morou em Paranaguá, e que, em agosto do ano passado, foi naturalizado como cidadão americano.

Mas, antes de ir viver definitivamente no país, de forma legal, em 2014, ele já morou de maneira ilegal nos Estados Unidos dos anos de 1999 a 2003. Inclusive, neste meio tempo, teve um filho, que, apesar de ter pai e mãe brasileiros, já nasceu como cidadão americano, na cidade de Pensacola, na Florida.

Com toda a família (mãe, pai, padrasto e irmãos) morando nos EUA, Edison decidiu não arriscar ser deportado e perder a guarda do filho, após a maior fiscalização, pela polícia americana, de pessoas vivendo ilegalmente no país, iniciada depois do atentado terrorista de 11 de setembro de 2001. Em 05 de outubro de 2004, ele veio morar em Paranaguá, trabalhando como tradutor de navios para uma empresa terceirizada da Petrobrás. O inglês, aprendido de maneira autodidata durante os quatro anos anteriores, foi o diferencial para conquistar a vaga. Mas, além disto, ele é formado em matemática, pela Universidade Federal de Pernambuco.

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Empresário em Paranaguá

Em maio de 2005, Edison percebeu a carência de uma escola de inglês que ensinasse, de fato, a comunicação e conversação ideal para viver no exterior, e fundou a English Class One, em Paranaguá, que formou mais de 400 alunos. A escola foi eleita, em 2013, como a melhor do ano, pelo Troféu Imprensa de Paranaguá, pela qualidade de ensino e sistema de intercâmbio que levou diversos alunos para outros países, promovendo especialização e melhor capacitação.

Apesar de seu sonho de retornar aos Estados Unidos, para viver perto da família, Edison estava conquistando, no Brasil, estabilidade e credibilidade. Em 2009, foi professor de matemática e inglês do Colégio Isulpar, e de matemática da faculdade com o mesmo nome, no curso de Sistemas da Informação, onde permaneceu por dois anos.

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Sem esperar, em dezembro de 2014, mais de dez anos depois de voltar para o Brasil, ele recebeu seu Green Card, ou seja, o visto permanente de imigração concedido pelas autoridades dos Estados Unidos. “Foram longos anos de espera, e eu nem imaginava que seria concedido, pois quando voltei ao Brasil, a imigração descobriu que vivi de maneira ilegal nos EUA por quatro anos. Os dez anos de espera para o Green Card foi como um castigo pelo tempo que fiquei lá”, explica Edison.

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A volta para os EUA

Mesmo com a família e profissão estabelecida em Paranaguá, Edison não teve nenhuma dúvida de que o melhor seria voltar para os Estados Unidos, junto com sua esposa e filho. “No mesmo mês quando obtive o Green Card, retornei para os EUA. Vim morar no Sul do Alabama, na cidade praiana de Gulf Shores, aonde os ricos vêm passar as férias de verão”, conta.

Atualmente, ele é microempresário do ramo da limpeza. Em 2018, Edison e sua esposa, a parnanguara Joelma Nascimento Lima, fundaram a Lima Cleaning Service LLC, que realiza a limpeza de condomínios de alto padrão. “Eu nem sonhava que um dia iria limpar privadas, mas hoje temos mais de 90 clientes e, em fevereiro, abriremos nosso primeiro ponto comercial, contratando mais seis funcionários”, diz. 

A empresa começou com apenas um cliente e, hoje, é referência no setor dentro da cidade. “A mão de obra aqui é escassa, as pessoas não querem pegar no pesado. Por isso, minha empresa deu tão certo. As pessoas que querem vir para cá, precisam entender que este atual Governo está barrando muita gente que quer tentar a vida aqui, então está bem mais difícil para ter oportunidade. E, ainda, têm que saber que falar inglês é fundamental e que não é demérito trabalhar com limpeza, por exemplo, isso dá muito dinheiro aqui”, revela Edison.

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