Litoral conta com um urologista e deslocamento dificulta cuidado

por Cleverson Teixeira
28/11/2020 23:11 (Última atualização: 29/11/2020)

Dr. Broska atua há, aproximadamente, três anos no HRL

No mês mundial de combate ao câncer de próstata, o Novembro Azul, criado na Austrália e no Brasil pela Sociedade Brasileira de Urologia, em parceria com o Instituto Lado a Lado pela Vida, em 2008, o JB Litoral fez um levantamento de quantas cidades do litoral paranaense possuem um especialista da área. Dos sete municípios, apenas Paranaguá conta com um médico urologista no Sistema Único de Saúde (SUS). Antonina, Morretes, Guaraqueçaba, Matinhos, Pontal do Paraná e Guaratuba não possui nenhum profissional do ramo.

De acordo com o médico urologista do Hospital Regional do Litoral (HRL), o Dr. César Broska, além de a resistência na busca por atendimento estar ligada a questões culturais e de preconceito, a ausência dessa especialidade também contribui para a falta de interesse nos cuidados com a saúde, já que, muitas vezes, os homens precisam ser encaminhados a outros municípios.

“O homem procura menos o médico do que a mulher. Ele acaba cuidando menos da saúde. Isso gera um impacto na expectativa de vida dele. Esse preconceito e essa resistência de ir ao urologista tem a ver com o desconhecimento sobre o exame de toque retal”, afirma Broska.

No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o de próstata é o segundo mais frequente, ficando atrás somente do câncer de pele não-melanoma. Somente este ano, conforme a entidade, a doença pode atingir 65,8 mil homens. Desse índice, a estimativa no Paraná é de 3.560 casos.

Geralmente, eles acabam procurando o médico apenas quando se sentem muito incomodados com determinados sintomas. E muitas doenças, assim como o câncer de próstata, só vão dar sinais em uma fase tardia, que é quando não tem muitas opções de tratamento. Os homens têm que saber que o câncer de próstata não vai dar sintoma no início, ou seja, é uma doença silenciosa. Então é importante a prevenção, é importante eles irem ao médico, mesmo que não estejam sentindo nada, pois, quando diagnosticado precocemente, ele tem boas chances de cura e de controle”, complementa.

O especialista diz, ainda, que o exame de rastreio, para averiguar se tem ou não a anomalia, é indicado para homens de 50 anos de idade. Já para os negros e pacientes com caso de câncer de próstata na família, a avaliação deve ser realizada a partir dos 45 anos, pois eles possuem uma tendência de desenvolver a doença um pouco antes e de forma mais agressiva.

Exame de sangue ou retal?

Conforme Broska, muitas pessoas acham que devem optar pelo exame de sangue ou pelo toque retal. Segundo ele, as duas formas são complementares e ambas devem ser realizadas. “Tem algumas situações que só o exame de sangue estará alterado e outras situações que somente o toque irá mostrar alguma alteração. Portanto, o ideal é que sejam feitos juntos para aumentar a sensibilidade da avaliação”, explica.

A próstata é uma glândula exclusiva do homem, localizada abaixo da bexiga e em frente do reto (parte final do intestino), que tem como função a produção de elementos do esperma. O urologista reforça que os dois tipos de exame podem sugerir, mas não fazem o diagnóstico do câncer de próstata, já que outras patologias, que acometem o órgão, podem alterar esses exames. “Quando um dos exames mostra alteração, é necessário se submeter a uma biópsia da próstata para a confirmação da doença”, finaliza.

HRL promove palestra sobre saúde do homem

Criado em abril de 2020, o Núcleo de Educação Permanente em Saúde (NEPS), desde o início do mês, vem promovendo ações para conscientizar o público masculino a desenvolver o hábito de cuidar da saúde. Segundo o coordenador do projeto, o enfermeiro Giscar Luciano Lopes, que trabalha na unidade médica há mais de 10 anos, essa iniciativa é ofertada aos funcionários do HRL. Ele explica que todas as recomendações sanitárias são levadas em conta durante as apresentações.

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Palestra desenvolvida no mês do homem pela Regional

“Neste ano, trabalhamos muito acima da prevenção da saúde dos nossos colaboradores. Fizemos campanhas preventivas e, neste mês, focamos na saúde do homem por meio de palestras. Os eventos são presenciais, respeitando sempre o distanciamento dentro da sala de reuniões, o uso da máscara e álcool em gel”, afirma.

O NEPS foi desenvolvido por conta das demandas relativas à Covid-19. A proposta, conforme o coordenador, é melhorar a formação e desenvolvimento dos profissionais, utilizando a metodologia problematizadora. Dentro dos objetivos estão, também, a reflexão do modelo de atenção à saúde e das práticas assistenciais desenvolvidas dentro do hospital. “Fazemos projetos interdisciplinares levando em conta o interesse dos profissionais envolvidos e baseando-se nas necessidades levantadas dentro da Instituição. Estimulando sempre o pensamento crítico para mudança cultural”, pontua.

Campanha nas Secretarias Municipais de Saúde

A Secretaria de Saúde de Paranaguá informou que, por conta da pandemia, campanhas presenciais não estão ocorrendo, mas a população está sendo orientada pelos profissionais das unidades básicas de saúde. Se houver a necessidade de realizar um exame, o agendamento é feito no mesmo local. Os interessados devem procurar o posto médico mais próximo de sua residência, em horário comercial, que vai das 8h às 17h.

Já a prefeitura de Matinhos afirmou que os atendimentos são fornecidos em todos os postos de saúde da região, também em horário comercial. Os pacientes, depois de feita a avaliação, caso precisem de um exame mais detalhado, serão encaminhados a Curitiba, já que o município não conta com um urologista.

Pontal do Paraná, de acordo com o órgão municipal, não está desenvolvendo nenhum tipo de campanha. As Secretarias de Saúde de Antonina, Morretes e Guaratuba não retornaram ao pedido de informação. A prefeitura de Guaraqueçaba não atendeu as ligações.

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