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Litoral tem 5 casos diários de furto de cabos de energia; maioria acontece em Paranaguá

Por Luiza Rampelotti
20/07/2022 11:01 |
Atualizado em 3 semanas atrás

A prática de furto de cabos de energia é um crime que está aumentando no Litoral, principalmente em Paranaguá. A ação criminosa interrompe de forma inesperada o fornecimento de energia na região afetada, causando prejuízo e outros transtornos.

De acordo com a Companhia Paranaense de Energia (Copel), a equipe de Paranaguá, que atua na cidade e, também, em Antonina, Morretes e Guaraqueçaba, tem registrado, aproximadamente, cinco casos diários de furto de cabos de energia. São furtos de rede aérea de baixa tensão (120 volts a 220 volts), média tensão (13,8 mil volts), ramais de ligação (cabos que conectam o poste de energia aos imóveis dos moradores) e condutores da entrada de serviço de energia elétrica dos moradores.

Do início do ano até o momento, já foram registradas 950 ocorrências desse tipo de furto nos quatro municípios. “Levando em consideração todos os municípios do Litoral, os furtos registrados pela equipe de manutenção da Copel totalizam 11 km de cabos furtados. O prejuízo total é de R$ 5,12 milhões”, diz a empresa.

Além disso, a Companhia afirma que tem percebido um aumento nos casos e, para evitar a prática, informa que tem trabalhado juntamente com as autoridades competentes, fornecendo informações e todo o apoio necessário às investigações. “A Copel também tem substituído cabos de cobre – que possuem maior valor e por isso são o principal alvo dos furtos – por cabos de alumínio, com o objetivo de inibir a reincidência do furto nos mesmos locais”, explica.

A razão principal dos furtos se dá porque o cobre é um metal nobre e excelente condutor de energia elétrica. Dessa forma, os criminosos fazem o furto para extrair esse material e revendê-lo. Eles queimam a fiação e extraem o cobre.

Ação de fiscalização

Segundo o secretário municipal de Segurança de Paranaguá, João Carlos Silva, a Guarda Civil Municipal (GCM) vem intensificando as rondas no período noturno para coibir os casos, bem como através do monitoramento nos pontos onde estão instaladas câmeras. Ele conta que, na quarta-feira (13), aconteceu uma reunião na Câmara Municipal junto aos vereadores e órgãos de segurança para tratar sobre a Ação Integrada de Fiscalização Urbana (AIFU) nos estabelecimentos de recicláveis da cidade.

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Polícia Militar de Paranaguá participou da Ação Integrada de Fiscalização Urbana em busca de recuperar os cabos furtados e apreender os receptadores. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

No mesmo dia, a AIFU foi iniciada em conjunto com o 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM), Batalhão de Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, GCM, Copel e as empresas convidadas OI e Ferrovia. A operação foi concluída no dia seguinte (14).

Como resultado da ação, a Polícia Militar afirma que foi realizada a fiscalização de 7 pontos de comércios de recicláveis e materiais metálicos; 9 autuações administrativas foram lavradas; 5 prisões em flagrante por receptação foram efetuadas; 1 prisão em flagrante por tráfico de drogas; 27 pessoas abordadas; R$ 863 em espécie foram apreendidos; 364 kg de cabos de cobre da Copel foram recuperados; 444 metros de cabos de alumínio recuperados; 224,7 kg de fio de contêiner apreendidos; 8 veículos foram abordados e 7 autos de infração de trânsito lavrados.

Pedimos também a colaboração da população para que denuncie esse tipo de crime, que causa transtorno na vida dos munícipes, bem como é produto de troca para alimentar o tráfico de drogas. A denúncia poderá ser feita através do 153 da GCM, 190 da PM e também pelo WhatsApp da instituição no (41) 9 9262-9790”, informa João Carlos.

O JB Litoral entrou em contato com o 9º BPM e com a 1ª Subdivisão Policial de Paranaguá questionando a respeito do número de ocorrências registradas apenas na cidade. No entanto, até a conclusão desta reportagem, não houve respostas.

Penas mais duras para o crime

Em junho, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados Federais aprovou o Projeto de Lei 5846/2016, do deputado federal pelo Paraná, Sandro Alex (PSD), que estabelece penas mais duras para o roubo ou furto de fios de telecomunicações e energia elétrica. A proposta ainda deve ser analisada pelo Plenário.

Segundo as regras aprovadas pela comissão, o furto de fios e cabos será considerado qualificado, com pena de reclusão de 3 a 8 anos. Já a pena de roubo, de 4 a 10 anos de reclusão, será aumentada de 1/3 até a metade.

O projeto diz que se o furto ou roubo dos fios levar à interrupção do serviço telegráfico, radiotelegráfico ou telefônico, a pena será de reclusão de dois a quatro anos e multa. A pena será dobrada se o crime for cometido durante uma calamidade pública. Atualmente, a pena é de detenção de um a três anos e multa.

O crime de receptação de fios e cabos roubados ou furtados, atualmente não previsto no Código Penal Brasileiro, terá pena de reclusão de quatro a oito anos e multa. A punição vale para quem transportar, conduzir, ocultar, fornecer, empregar, ceder, ainda que gratuitamente, ter em depósito ou expor à venda.

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Durante a AIFU, cinco prisões em flagrante por receptação foram efetuadas. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral