Mamografias disponíveis pelo SUS, para o Outubro Rosa, diminuíram em relação aos anos anteriores, esclarece CEDIL

por Redação JB Litoral
17/10/2019 16:47 (Última atualização: 24/02/2020)

Na última edição, o JB Litoral trouxe a notícia de que a Secretaria de Estado da Saúde (SESA) aumentou a oferta de exames de mamografia (de rastreamento e diagnóstico) às mulheres do Litoral, em atendimento ao aumento da demanda, devido à campanha Outubro Rosa. Este mês marca o movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama, com o objetivo de compartilhar informações e incentivar o diagnóstico e tratamento precoce da doença, proporcionando maior acesso aos exames e contribuindo para a redução da mortalidade.

No entanto, após a publicação da reportagem, a Gerente do CEDIL – Centro de Diagnóstico por Imagem do Litoral, localizado em Paranaguá, o único local que disponibiliza um aparelho de mamografia para atender aos sete munícipios da região, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), Lislaine Silveira Costa de Oliveira, procurou o veículo de comunicação para informar que os dados passados pela SESA não são verdadeiros. De acordo com ela, a procura pelo exame é muito superior às 334 mamografias ofertadas pela Secretaria de Saúde para os meses de outubro, novembro e dezembro. “Diferentemente do informado, a oferta não aumentou, pelo contrário, diminuiu, uma vez que em 2017 o Estado disponibilizou 452 exames em outubro e 619 em novembro, e em 2018, 586 em outubro e 805 em novembro”, explica Lislaine.
 

"Gerente

O CEDIL atende ao SUS há quase duas décadas nos serviços de mamografia, ecografia de mama e densitometria. Em dezembro de 2018, o contrato com o Governo do Estado foi renovado, limitando estes exames, que são prestados a todas as mulheres da região, ao valor de R$ 13.140,73. Segundo Lislaine, esta quantia permite que cerca de 240 mamografias sejam executadas ao mês, número inferior ao que anteriormente era ofertado. “Antes, a verba que tinha para este serviço era o dobro do valor, então não faltavam exames. Com o contrato, as mamografias disponibilizadas ao SUS foram diminuídas. Por exemplo, em junho de 2017 realizamos 373 exames, em agosto 424, em setembro 317, e foi aumentando. Já em 2018, em março foram realizadas 316 mamografias, abril 298, julho 328, agosto 378, e mais que o dobro durante o Outubro Rosa, que engloba os três últimos meses. Estes números são superiores ao ofertado hoje, e foram realizadas em época que ainda não era campanha contra o câncer de mama”, diz.

Diretor da 1ª RS diz que aumentou oferta
 

Procurado pela reportagem, na edição passada, o Diretor da 1ª Regional Estadual de Saúde de Paranaguá, que atende os sete municípios do Litoral, José Carlos Silva de Abreu, informou que a oferta de mamografias havia sido ampliada em 30% devido ao Outubro Rosa, chegando ao total de 334 exames para os três últimos meses do ano, sendo 281 de rastreamento e 53 de diagnóstico, para as 133.923 mulheres que residem na região, segundo o último censo divulgado pelo IBGE, em 2010. A SESA esclareceu, ainda, que a quantificação dos exames disponíveis para a campanha de 2019 foi baseada na produção de julho de 2018, quando o CEDIL realizou 328 mamografias. A Secretaria também informou que, somente nos anos de 2017 e 2018, foram realizadas 9.583 mamografias no Litoral do Paraná, ou seja, uma média de 400 exames mensais, número maior que o disponibilizado na campanha contra o câncer de mama deste ano.
 

"Diretor

“Entretanto, sempre é realizado aumento na cota, por ocasião do mês de outubro. A SESA, por meio da 1ª Regional de Saúde, está acompanhando o desenvolvimento das ações do Paraná Rosa, monitorando o acesso aos exames de mamografia. Assim, havendo necessidade de suplementação, será realizado”, explica a Assessoria de Comunicação da Secretaria Estadual de Saúde.

Apenas 07 mamografias para Guaraqueçaba

Além da diminuição no número de exames disponíveis, outra surpresa para a gerente do CEDIL foi a limitação de cotas por município. “Eles nunca dividiram as mamografias por município, é a primeira vez que isto acontece”, diz. Com o controle, foram liberadas, pelo Estado, somente 18 mamografias de rastreamento e 03 de diagnóstico para Antonina; 07 de rastreamento e 01 de diagnóstico para Guaraqueçaba; 35 de rastreamento e 07 de diagnóstico para Guaratuba; 33 de rastreamento e 06 de diagnóstico para Matinhos; 16 de rastreamento e 03 de diagnóstico para Morretes; 147 de rastreamento e 28 de diagnóstico para Paranaguá; e 25 de rastreamento e 05 de diagnóstico para Pontal do Paraná.

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Minha preocupação é o que fazer com as mulheres que chegarem até o Centro, com solicitação do exame, quando a cota disponível acabar. Como explicar para elas, que muitas vezes não têm condições de deslocamento, que chegam de caravana de Guaraqueçaba, das ilhas, sítios, Antonina, Morretes, por exemplo, que não temos mais exames? Estamos amarrados, porque o Chefe da Divisão de Atenção e Gestão em Saúde da 1ª RS deixou bem claro que se eu ultrapassar o valor permitido, não recebemos por exame. E com esta cota, as mamografias não dão nem para 10 dias de campanha”, esclarece Lislaine.

Diminuição é retrocesso, afirma CEDIL
 

Para tentar amenizar a situação, o CEDIL diminuiu o preço da mamografia de rastreamento durante o Outubro Rosa. O valor normal, para pacientes particulares, é de R$ 135, mas, as mulheres em situação de vulnerabilidade estão pagando R$ 80.

A campanha, a cada ano que passa, fica mais forte. Durante estes meses, a conscientização sobre o câncer de mama fica em evidência, os postos de saúde realizam ações, distribuem exames, entre outros. É feita tanta programação para educação a respeito da doença, incentivando o diagnóstico e tratamento precoce, qualidade de vida, e, de repente, limitando os exames desta forma, estas mulheres não têm acesso à mamografia, que é a mais indicada para conseguir um diagnóstico preciso deste tipo de câncer.

A gente fica preocupado, porque esta diminuição é um retrocesso”, afirma.

A doença tem se configurado como uma das grandes preocupações da saúde pública, em razão da elevação no número de casos novos a cada ano. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), para o Brasil, estimam-se 59.700 casos novos da doença em 2019, com um risco estimado de 56 ocorrências a cada 100 mil mulheres.

O SUS garante a toda brasileira o acesso gratuito à mamografia, que depende de indicação médica para ser realizada. O exame para rastreamento é feito em mulheres entre 50 e 69 anos, com intervalo de até dois anos. Para aquelas pertencentes a grupos populacionais com risco elevado de desenvolver câncer de mama, a recomendação é que o rastreamento seja feito anualmente, a partir dos 35 anos. Nas cidades do Litoral do Paraná, de acordo com o último censo divulgado pelo IBGE, em 2010, existem 28.755 mulheres acima de 50 anos. De 2014 a 2018, foram registrados 236 casos de câncer de mama na 1ª Regional de Saúde, que atende os municípios de Paranaguá, Pontal do Paraná, Matinhos, Morretes, Guaratuba, Guaraqueçaba e Antonina. Segundo o Instituto Peito Aberto, de 2013 até agosto deste ano, 76 mulheres, residentes em Paranaguá, já morreram devido à doença.

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