Matinhos comemora taxa de 76% de pacientes recuperados da Covid-19

por Luiza Rampelotti
12/08/2020 18:42 (Última atualização: 12/08/2020)

Secretário de Saúde informa que 175 pacientes já estão curados do novo coronavírus na cidade. Foto/Rafael Pinheiro/JB Litoral

Apesar do momento difícil que o mundo inteiro enfrenta devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a população de Matinhos tem um motivo para comemorar: é que mais de 76% dos pacientes contaminados com a doença já estão recuperados. Até a sexta-feira (07), havia 229 casos confirmados e, desses, 175 já estavam curados. Os dados foram divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde.

Para o secretário da pasta, Claudir Lourenço, o número é positivo e resultado do trabalho de controle de disseminação do vírus realizado pelas equipes da secretaria de Saúde desde meados de março, quando a pandemia se instalou no Paraná.

Nosso primeiro caso confirmado foi em 30 de março e, naquele momento, aplicamos o distanciamento social ampliado, porque os serviços de saúde ainda não estavam organizados, houve o fechamento total do comércio e, então ficamos 50 dias sem nenhum caso. Eles começaram a aparecer em maio e, desde então, temos realizado várias medidas preventivas, como a publicação de decretos, a busca ativa pelos suspeitos e etc.”, comenta.

A coordenadora da Unidade de Vigilância em Saúde, Eduarda Cristina Poletto Gonçalves, explica como é realizado o atendimento do paciente com suspeita de coronavírus na cidade. “Primeiro, ele chega na Unidade Básica de Saúde ou na Unidade de Pronto Atendimento e, lá, é feita a avaliação médica e coletado o teste SOAB. Esse paciente é identificado e sua ficha de identificação chega até à Vigilância Epidemiológica dentro de 24 horas, onde é realizada a investigação de todo o histórico da pessoa – ligamos para saber onde ela trabalha, onde esteve nos últimos 14 dias, com quem teve contato e etc. Essas informações são repassadas à Unidade de Saúde por e-mail e, então, a equipe faz o acompanhamento desse paciente em sua residência ou via telefone”.

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A coordenadora da Vigilância em Saúde revela que um estudo constatou que a maioria dos contaminados se infectam dentro de suas próprias casas. Foto/Rafael Pinheiro/JB Litoral

Descumprir isolamento é crime

Segundo ela, todas as pessoas que tiveram contato com o paciente suspeito ou confirmado são isoladas por 14 dias, o que auxilia na redução da disseminação da doença. Porém, não são todos que cumprem as regras de isolamento domiciliar. “A maioria das pessoas cumpre o isolamento, mas temos tido vários problemas com algumas descumprindo – umas porque acham que é brincadeira ou pensam que é só uma gripezinha, outras por falta de sensibilização com o próximo e não pensar na coletividade”, conta.

Nesses casos, a Guarda Municipal e a Polícia Militar auxiliam no trabalho de fiscalização e, caso seja constatado o desrespeito à determinação, é aberto um Boletim de Ocorrência contra o infrator. “Essas pessoas vão responder criminalmente por desobediência às ordens de autoridades sanitárias e crime contra a saúde pública”, explica Eduarda.

Contaminações dentro de casa

Além disso, outro problema encontrado pela secretaria de Saúde é a realização, pelos moradores, de churrascos e festas familiares durante este período em que é recomendado o isolamento e distanciamento social. Um estudo realizado pela pasta constatou que, no município, a contaminação pelo vírus se dá, principalmente, a partir das residências.

A maioria dos contaminados se infectam dentro das próprias casas, porque fazem churrascos, festas, às vezes não em grandes proporções, mas com muita proximidade. Além disso, dentro das residências é onde as pessoas têm maior contato físico diariamente, pois não utilizam máscara”, informa a coordenadora da Vigilância em Saúde.

A enfermeira e diretora geral da UPA Praia Grande, Karla Isabelle Januário, que atua na linha de frente no combate ao coronavírus, pede para que a população respeite as determinações de isolamento e as medidas de higiene e prevenção. “Nós, que estamos na linha de frente, nunca passamos por uma situação como essa antes. Eu trabalho na área há 16 anos, passei pelo surto de H1N1, de meningite, e nunca nada foi igual ao que estamos vivendo agora. Por isso, precisamos ter uma segurança emocional muito grande para enfrentar esse momento. Porém, a gente precisa do apoio de toda a população, pois ainda não existe uma cura ou tratamento para essa doença”, diz.

Para ela, a pandemia está promovendo uma lição de vida que não será esquecida, principalmente, pelos profissionais de saúde. A enfermeira comenta que os profissionais têm criado um elo entre si e que a profissão nunca mais será a mesma.

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“Nós, que estamos na linha de frente, nunca passamos por uma situação como esta antes”, diz a enfermeira Karla

Atendimento na UPA Praia Grande

Karla destaca que o trabalho realizado na UPA Praia Grande é em conjunto com a Vigilância em Saúde e seguindo todos os protocolos do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde. “Tudo o que fazemos é muito fundamentado e, dentro disso, conseguimos montar um plano de contingência do vírus de uma forma específica e clara. Dentro da UPA montamos um fluxo de atendimento que facilita muito e faz com que haja a diminuição de contaminação”, afirma.

Ela explica que na porta de entrada da Unidade de Pronto Atendimento se encontra um técnico em enfermagem que realiza a pré-triagem do paciente, verificando os sinais vitais e os sintomas apresentados. Se houver sintomas de Covid-19, ele é encaminhado à Ala Covid, um espaço separado dos demais ambientes da UPA, o que evita o contato com outros pacientes. “Esse protocolo possibilitou que os sintomáticos não entrassem em contato com outros pacientes e isso fez com que houvesse menos contaminações por coronavírus”, conclui.

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