No fim da década de 1990, uma história envolvendo uma menina do Litoral do Paraná ganhou espaço nos principais telejornais do país e repercutiu internacionalmente.
Mais de 25 anos depois, quem revive esse episódio é Maria Rosa da Silva Schuster, hoje com 38 anos, conhecida como Megg. Influenciadora digital e moradora de Pontal do Paraná, ela construiu sua vida longe dos holofotes que marcaram a infância.

Em 1998, ainda criança, Megg vivia com a família em Pontal do Sul, em uma rotina ligada à pesca, atividade que sempre sustentou a família. Foi no meio dessa realidade que um encontro inesperado com o ator Anthony Quinn, que faleceu em 2001, durante gravações de um filme no litoral paranaense, transformou sua história.
O encontro que chamou a atenção do mundo
Durante as gravações, Quinn conheceu Megg e sua mãe, Maria Schuster, e passou a demonstrar interesse em levá-la aos Estados Unidos para estudar e seguir carreira artística. O episódio rapidamente ganhou repercussão nacional e internacional, sendo exibido em programas como Jornal Nacional, Fantástico e outros veículos de grande audiência.
A história veiculada à época, no entanto, retratava Megg como uma “menina pobre, filha de pescador”, descoberta e “salva” por uma estrela de Hollywood. Versão que, segundo ela, nunca correspondeu à realidade.
“Minha família sempre trabalhou muito e nunca passou necessidade. Mas, naquele tempo, sem internet, a versão da imprensa era tratada como verdade absoluta”, relembra Maria Rosa.
A viagem aos Estados Unidos
Ela contou, ainda, que a insistência do ator e a intensa pressão da imprensa fizeram com que ela viajasse com a mãe para os Estados Unidos, onde passou alguns dias hospedada na casa de Anthony Quinn.
Megg conheceu escolas, iniciou aulas de inglês e viveu uma rotina cercada por segurança e atenção internacional. Apesar das oportunidades oferecidas, a decisão foi clara: não permanecer no país.
Segundo Megg, a escolha foi natural. “De verdade, eu não consigo imaginar como seria a minha vida nos Estados Unidos longe da minha família e das pessoas que eu amo”, afirma.
A possibilidade de sua mãe permanecer com ela nos Estados Unidos chegou a ser cogitada, mas foi descartada diante das responsabilidades profissionais e familiares no Brasil.
O peso da fama precoce e a necessidade de contar a verdade
Com a decisão de retornar, vieram também as críticas. Durante anos, Maria Rosa enfrentou julgamentos públicos, sem espaço para apresentar sua própria versão. Em alguns momentos, chegou a negar sua identidade para evitar constrangimentos.
“A mídia contava uma história que não era a minha. E eu paguei um preço emocional muito alto por isso”, diz.
Recentemente, o assunto voltou à tona nas redes sociais, desta vez com insinuações maldosas. Ela contou ao JB Litoral que foi isso que a motivou a contar publicamente sua história.
“Eu revivi essa história para poder explicar paras as pessoas que essa história é linda e é sobre sonhos e fé, e não sobre algo tão maldoso, como uma pessoa postou nas redes sociais dando a entender que seria um caso de pedofilia. Eu tive que contar a história como ela realmente aconteceu”, explicou ao JB.
Ela reforça que, hoje, revisitar esse capítulo não é mais doloroso. “Hoje é tranquilo para mim reviver essa história, porque foi uma história linda e nem foi sobre mim. Eu fui apenas a ponte pra que o sonho da minha mãe se tornasse realidade.”
Vida atual
Aos 38 anos, Maria Rosa leva uma vida distante da imagem construída pela mídia no passado. Casada, mãe de dois filhos, formada e com pós-graduação, ela atua como influenciadora digital no Litoral do Paraná e segue ajudando a mãe na peixaria da família, em Pontal do Sul.
Mesmo após quase três décadas, ela se surpreende com a repercussão contínua do caso. “Essa história já tem 28 anos. Eu nunca imaginei que até hoje ela teria essa repercussão, apesar de ser uma história linda sobre fé e sonho.”
Sobre os comentários negativos nas redes sociais, Megg afirma que aprendeu a lidar. “Para mim, não é difícil lidar com comentários ruins, não me afeta de verdade, porque eu sei que esses comentários não me representam”, afirma.
Ainda assim, diz sentir tristeza diante dos ataques gratuitos. “As pessoas fazem pré-julgamentos totalmente ofensivos sobre algo que não conhecem.”
Segundo ela, o equilíbrio emocional vem do apoio familiar. “Eu não permito que isso afete meu dia, minha família ou meu trabalho. Mas, para isso, tem que ter um psicológico muito bom e, principalmente, uma família unida que te apoia e te ama. E apoio e amor aqui em casa não faltam.”
Hoje, com voz própria e acesso direto ao público, Megg resume sua história de forma simples: “Eu não fui salva por ninguém. Eu só fui a ponte para o sonho da minha mãe se realizar.”