Autoridades francesas interceptam 630 kg de cocaína após navio cargueiro sair de Paranaguá


Por Diogo Monteiro com informações da AFP — Rennes, França

Nesta semana cinco pessoas foram presas após uma operação internacional que desmantelou uma nova estratégia de tráfico de drogas. Um navio cargueiro de bandeira liberiana, que havia deixado o Porto de Paranaguá com destino a Dunquerque, no norte da França, lançou ao mar 630 kg de cocaína, posteriormente recolhidos por pescadores na costa europeia.

Segundo o Ministério Público de Rennes, na França, o navio Omicron Eagle partiu de Paranaguá com destino ao porto francês. Quando a embarcação se aproximava da costa europeia, autoridades interceptaram conversas telefônicas suspeitas entre os tripulantes e traficantes, nas quais combinavam o lançamento das bolsas com a droga no mar e articulavam a recuperação do material com marinheiros e pescadores da cidade de Ouistreham.

A bordo de uma pequena embarcação, os pescadores resgataram a carga a várias milhas náuticas a oeste do canal entre Guernsey e Jersey, enquanto o navio seguia sua rota para o porto de destino.

A operação teve início na sexta-feira (4), quando os mesmos pescadores descarregaram a droga em embarcações menores, agilizando a distribuição. As investigações avançaram e culminaram na prisão de cinco pessoas, entre traficantes e pescadores envolvidos na receptação.

Ao todo, foram apreendidos 630 kg de pasta base de cocaína, o que representa um prejuízo estimado em 37 milhões de euros — cerca de R$ 238 milhões. “Os traficantes não conhecem o ambiente marinho, e nem todos são capazes de ir ao mar, nas Ilhas do Canal, para se aproximar de um navio cargueiro em movimento e recuperar pacotes de cocaína jogados na água”, afirmou o promotor de Rennes, Frédéric Teillet.

Mudança de Estratégia dos Traficantes

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Para enviar os entorpecentes para o exterior, os traficantes utilizam diversos modos de operação, usando contêineres de cargas lícitas, como alimentos e madeira, para ocultar drogas destinadas à Europa. No entanto, com o aumento da fiscalização e a eficácia de inspeções com scanners no Porto de Paranaguá, os criminosos precisam buscar métodos alternativos para o envio de entorpecentes.

Em 2025, até março, a Receita Federal já reteve 263 kg de cocaína no Porto de Paranaguá, incluindo uma apreensão de 146,5 kg em um contêiner com bobinas de papel e celulose destinadas à Arábia Saudita. A droga foi inserida sem o conhecimento do exportador, utilizando o método conhecido como “rip-on/rip-off” .

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