Desde 21 de outubro, quando o Ministério Público do Paraná (MPPR) divulgou que a Justiça havia acatado a denúncia criminal contra o padre Binu Joseph, acusado de importunação sexual contra uma jovem de 20 anos, o JB Litoral acompanha o caso.

Segundo o MPPR, o crime teria acontecido em 2022, nas dependências da Paróquia Nossa Senhora do Navegantes, na Ilha dos Valadares, em Paranaguá.
No mesmo dia em que a informação foi publicada, a Cúria Diocesana de Paranaguá comunicou o afastamento do padre e que iria investigar internamente o caso.
“Foi determinada a suspensão cautelar do exercício público do ministério do referido sacerdote, medida preventiva destinada a proteger o bem comum e garantir a justa instrução do processo. Simultaneamente, foram iniciadas as providências internas de apuração dos fatos”, se posicionou a Diocese, por meio de nota.
Além de informar sobre o processo de importunação sexual aceito pela Justiça, o MPPR também divulgou, em suas redes sociais, um canal para que possíveis novas vítimas pudessem registrar denúncias e foi o que aconteceu. Nesta quarta-feira (29), o Ministério Público confirmou ao JB Litoral que outras três pessoas procuraram o órgão ministerial.
“Foram recebidas mais três denúncias. Os casos estão sob sigilo e são de Paranaguá e de outros lugares do Estado em que o pároco atuou. Em uma delas a vítima era criança à época dos fatos”, revelou o MPPR, sem detalhar, no entanto, o teor das denúncias. O MP confirmou que um dos casos se trata de estupro de vulnerável.
Defesa desconhecia novos casos
Procurado pelo JB Litoral, o advogado Giordano Reinert, que faz a defesa do padre Binu no processo de importunação sexual, disse que não tem conhecimento sobre novas denúncias e que ainda não foi informado pelo Ministério Público do Paraná.
Após a primeira denúncia, ganhou força nas redes sociais movimentos de apoio ao padre Binu, que segue afastado das funções.
MP reforça importância de denunciar
De acordo com o Ministério Público, a formalização da denúncia junto ao órgão tem extrema relevância nos crimes contra a dignidade sexual. “Esses delitos, em regra, ocorrem de forma clandestina, sem testemunhas ou registros imediatos, o que torna a palavra da vítima um elemento central na persecução penal. Quando a vítima procura o MP, é possível dar início, de forma adequada, à coleta e preservação de elementos de informação que auxiliam na identificação do agressor, na reconstrução dos fatos e na adoção de medidas legais urgentes”, detalhou.
O MPPR também destacou os encaminhamentos dados após a denúncia, tanto no âmbito jurídico como de apoio à saúde.
“Ao acolher a vítima, o Ministério Público pode orientá-la sobre seus direitos, encaminhá-la a serviços de assistência psicossocial e de saúde, bem como requerer medidas protetivas e cautelares necessárias para sua segurança e integridade. A atuação célere contribui para romper ciclos de violência e evitar a reiteração delitiva, protegendo não apenas a vítima que denuncia, mas toda a coletividade”, disse o MP.
“Por fim, a formalização contribui para a responsabilização dos agressores e para o fortalecimento da rede de proteção, reafirmando o compromisso institucional do Ministério Público com a defesa da dignidade sexual e dos direitos fundamentais, especialmente de pessoas em situação de vulnerabilidade”, completou.