A chuva que chegou na sexta-feira (20) ao Litoral ganhou mais intensidade no sábado (21), alcançando 148,2 mm de acumulado em Paranaguá, segundo dados registrados na estação meteorológica do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).

Também choveu em outras cidades da região, com volumes expressivos, tornando o Litoral a porção do Estado onde mais houve precipitação neste fim de semana, de acordo com as informações consolidadas, divulgadas na manhã deste domingo (22) pelo Simepar:
| Estação | Precipitação (mm/24h) |
| Antonina | 43,6 |
| Guaraqueçaba | 83,2 |
| Guaratuba | 29,6 |
| Morretes | 54,0 |
| Paranaguá | 148,2 |
Pessoas desalojadas e “nado livre” no meio da rua
O volume expressivo causou transtornos na maior cidade da região. Com ruas alagadas, moradores registaram algumas cenas inusitadas, como a do trabalhador da coleta de resíduos, que nada em meio a uma rua alagada, no bairro Vila Horizonte, durante o trabalho. Enquanto o coletor protagoniza o “nado livre”, o caminhão trafega com dificuldade e um outro colega caminha com a água na altura dos joelhos. Confira:
Na Ilha dos Valadares um outro morador postou um vídeo em que mostra a rua tomada pela água, que também invadiu as casas: “olha a situação da casa da minha mãe, tudo alagado”, disse ao percorrer a residência com o piso de todos os cômodos cheio de água.
No fim da noite de sábado, o JB Litoral conversou com a Defesa Civil de Paranaguá para detalhar os impactos da chuva na cidade. O diretor operacional do órgão, Mauro Coelho, detalhou os principais transtornos.
“Estamos nas ruas desde o período da manhã, tivemos vários bairros alagados e algumas casas. A mais grave foi o deslocamento de solo com desmoronamento de um muro sobre a cozinha de uma casa, na Vila São Jorge, onde reside um casal, e outra casa ao lado em que reside uma parente do casal, que também foi interditada devido ao risco. As famílias recusaram abrigo municipal e foram para casa de familiares”, disse o diretor.
“Também tivemos a queda de uma árvore na Serraria do Rocha, onde houve a interrupção de energia elétrica, na rua Avelino Dias Santos”, completou Mauro Coelho.
Outras ocorrências foram atendidas pela Defesa Civil, conforme boletim atualizado na tarde deste domingo. No bairro Portuária, mais três pessoas ficaram desalojadas devido ao imóvel ter sofrido afundamento de piso, sendo um dos moradores uma senhora acamada. E um outro morador também precisou sair da casa onde mora, na Ilha dos Valadares, porque o imóvel foi destelhado. Com isso, são sete as pessoas desalojadas em Paranaguá.
Em relação aos danos ao patrimônio público, o Município afirma que uma calha transbordou no Hospital Regional do Litoral (HRL), afetando o setor de pediatria. A reportagem procurou a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) para saber como está o atendimento no setor. Segundo a nota enviada pela pasta, a pediatria não chegou a ser interditada, nem houve a necessidade de transferir pacientes. “Equipes do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil foram acionadas por precaução. A unidade segue funcionando normalmente“, disse a nota da Sesa.
Quase 300 residências ficaram sem luz
Em contato com a Copel, a distribuidora de energia informou ao JB Litoral que a situação da Serraria do Rocha foi resolvida nesta manhã, mas que há mais de 200 residências sem luz no bairro Jardim Iguaçu.
“Às 6h15 deste domingo (22), equipes de manutenção da companhia restabeleceram a energia de 74 unidades consumidoras na região de Serraria do Rocha, em Paranaguá. A interrupção no fornecimento ocorreu por queda de árvore sobre a rede elétrica. No bairro Jardim Iguaçu, as equipes trabalham, nesta manhã de domingo, no religamento de 217 clientes, com desligamentos decorrentes de temporais que atingiram a região. Os serviços seguem até o restabelecimento completo da energia”, disse a nota enviada à reportagem.
Previsão de mais chuva
Para este domingo, a chuva continua, mas com menor intensidade, segundo o Simepar. De acordo com o meteorologista da entidade, Samuel Braun, o tempo segue instável no Litoral, com muitas nuvens e podendo chover a qualquer hora.
“Próximo à superfície, os ventos continuam transportando umidade do oceano, por isso desde os Campos Gerais até as praias o céu fica com muitas nuvens ao longo do dia com temperaturas apresentando pouca variação. Máximas alcançam os 24° em Ponta Grossa, 23 na capital e 27° em Guaratuba. Deve chover a qualquer hora, sendo que no Litoral os acumulados são mais expressivos, perto de 30 mm. Lembrando que no sábado já houve bastante chuva na região, com mais de 100 mm em Paranaguá, por exemplo”, explicou Braun.